domingo, 11 de julho de 2010

A INEVITABILIDADE...

A inevitabilidade é isso mesmo, um conceito de que em certa medida não podemos fugir, um calendário que desenhamos, pintamos, borramos, amarrotamos, mas que não tem volta a dar... é, digamos, inevitável, o que só por si não seria perigo por aí além, porque há sempre quem se ache no direito de nos chamar a atenção para essa mesma necessidade de nos comportarmos em função dos factos que inevitavelmente aí vêm, não porque sejam bons ou maus, mas porque são impossíveis de evitar.
Esta constatação retira algum brilho ao "discurso", na medida em que não nos dá a possibilidade de amanhã deixar de ser segunda-feira, uma vez que hoje é domingo e todos concordaram que tudo isto é mesmo inevitável, mas não deixa de ser curioso que indivíduos tipo "melga", que têm o singular "hábito" de contestar tudo e todos consigam viver descansados da vida com os carros a rolar à direita, os dias da semana uns a seguir aos outros e a começarem sempre à meia noite, sem sequer pestanejarem, não se coibindo de colocar em causa coisas tão simples como o seleccionador nacional, o filho do Cristiano Ronaldo, as altercações na linha de Cascais ou a incompetência do governo.
Ora a inevitabilidade é um conceito que tem de ser completamente contrariado, sendo absolutamente previsível que isso aconteça mais dia menos dia, porque "o mundo é composto de mudança" e "nada se perde, tudo se transforma", ou seja, aquela história de que o deficit cresce todos os dias é realmente tão falsa quanto a ideia de que temos este governo porque não há outro melhor... ou será que não há mesmo e isso prova a existência do tal conceito de inevitabilidade? acho que tenho de estudar tudo isto mais a fundo, porque estou a ficar com a impressão de que não vou conseguir chegar a esclarecer esta proposição.
Tive um professor que recordo dos tempos do ISEF, dos livros, da teorização da animação desportiva, de seu nome Noronha Feio, a quem presto a minha homenagem, que sempre achei uma pessoa um pouco à margem destas guerras desportivas e outras, que numa oral de "animação" me disse "olhe que ainda não está provado que isso de transpirar faça bem à saúde...", no meio de um sorriso e antes de se despedir de mim com um cumprimemto e "um 15 está bem?", o que me fez pensar um pouco mais sobre tudo isto que nos rodeia...
Uns tempos depois li no jornal uma estória sobre Winston Churchill, governante inglês que se fazia acompanhar de charutos cubanos sempre que não estava a dormir e que a uma pergunta de um jornalista sobre a sua longevidade (91 anos), apesar de fumar charutos durante mais de 70 anos, respondeu: " a razão da minha longevidade? o desporto! nunca pratiquei...".
Pois é, essa coisa da tal inevitabilidade, que teria de distribuir um cancro dos pulmões a Churchill é tão falível que hoje vou dormir descansado... este governo vai cair! é inevitável!

quinta-feira, 8 de julho de 2010

MEDO NUNCA!

Eu não tenho medo não, afinal eu vivo no século XXI, o tal que não tem doenças que matam aos milhões, como a pesta ou a "pneumónica", não tem guerras mundiais que também matam que se farta, nem tem outras tantas palermices culturais e religiosas que desde que o homem é homem se inventaram para o domínio de uns em relação aos outros, tenham sido elas genocídios ou inquisições.
O medo tal qual se definia, o tal que nos deixava à nascença com medo dos outros, civilizações, reis, amos, senhores, padres e regedores, foi diminuindo aos poucos, mas não desapareceu completamente, até porque os homens têm que ter os seus medos para que o sentimento gregário, por um lado e o sentimento subserviente tenham sentido, pelo que até nos mais pequenos gestos e atitudes o medo instalado se manifeste.
Mas há uma coisa interessante, direi mesmo uma escada do medo, aquela em que se curva a cerviz quando olhamos para cima e utilizamos os pés para cumprimentar os que estão por baixo, fazendo de cada um uma pessoa diferente quanto ao degrau em que se encontra, arrogante, de voz grossa e dedo em riste umas vezes, solícito, afável e colaborante outras.
Felizmente vivo no século XXI, porque olhando para trás o medo de hoje é um pastel de nata com canela, comparado com todos os medos que nos precederam, já nem falo daqueles medos que levaram os Távoras para a fogueira, mas tão só o medo de ser apanhado pela polícia a jogar na rua e esperar a reparação de tal desfaçatez com umas bofetadas em casa, porque para além de não ser bonito jogar à bola na rua, as botas não eram feitas para durar apenas três meses como hoje, mas pelo menos três anos, que o orçamento não comportava mais.
Mas havia um "medo" que não existia e que hoje nos provoca insónias, nos faz acordar a meio da noite... bem, acredito até que o termo mais adequado será pavor, porque medo agora é de rato, cobra, aqueles medos que apenas dão para gritar por ajuda em cima da cadeira do jardim, o que não se compara com a possibilidade de termos um governo pavoroso, para quem um plano de longo prazo se resume aos próximos 15 (quinze) dias e o aumento do IRS, do IVA e demais impostos se faz sempre que o "chefe" acorda mal disposto.
Medo vamos ter se alguém descobrir carros que andem a água, porque o governo não vai ter problemas em nos deixar morrer de sede, até que seja decretado um pavoroso imposto sobre a água, que salvaguarde os legítimos interesses da nação.
Quem tem medo compra um cão e por isso eu vejo as pessoas com cada vez menos filhos e mais cães, talvez porque se sentem mais protegidos, uma vez que o cão pode comer uma raçãozinha, mas não dá despesa de creche, de escola, de roupa, de mesada, de propina, de casamento e de cunha para uma colocação adequada, porque se desse não era cão... era um pavor tão grande como ter um governo igual ao actual.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

OS AMIGOS DE ALEX

Lembrei-me de um filme dos anos 80, de seu nome "Os amigos de Alex", onde uns antigos colegas de faculdade se juntam no funeral do Alex, já não lembro muito bem o enredo, mas um era magnata e o facto de ser isso mesmo e ser também um dos amigos do Alex, concorreu para os associar a uma notícia da comunicação social, onde também havia um Alex (Alves de apelido), um magnata (ele mesmo) e muitos amigos espalhados pelos mais diversos institutos autárquicos e governamentais.
Ora vejam, o tal Alex propôs-se dar corpo a um projecto de desenvolvimento de energias alternativas, solar se não estou em erro, o que não sendo novidade neste país, não serviu nos anos 90 para que o serralheiro que me vendeu e montou na moradia, um painel de energia solar recebesse de qualquer governo um subsídiozinho, mas isto foi há cerca de 20 anos e nessa altura quem quisesse energias solares ou alternativas tinha de ir ao "Totta" que os governos não davam para esse peditório.
Agora, vinte anos depois de outros terem enchido o país de painéis solares nos telhados, aparece o Alex a sacar do governo 127 milhões de euros de subsídio para implantar em Portugal a tal fábrica que já deveria ter sido construída há muitos anos atrás, mas como diz o ditado, mais vale tarde que nunca e eu acrescento "com o dinheiro dos outros ainda melhor".
E quem não quer ser como o Alex que tem amigos em todo o lado? é que os 127 milhões vieram dos amigos do governo, mas isso não invalida que o terreno que os amigos autarcas de Abrantes tinham comprado por um milhão de euros, foi vendido ao Alex por cem mil euros, uma diferença de novecentos mil euros e tudo legal, que nós não estamos aqui para levantar falsos testemunhos. A propósito, o autarca que vendeu o terreno ao amigo Alex, saiu da autarquia e agora está a trabalhar numa das empresas do Alex... não, não pensem nisso, é tudo legal e o amigo precisava de trabalhar. Aliás foi isso mesmo que disse o novo colaborador do amigo Alex numa das suas empresas, à semelhança do que também fizeram muitos outros ex-governantes quando saíram de cargos oficiais para assumir funções isentas e reverenciais em empresas de semelhantes amigos.
Mas a tal comunicação social revelava também que o tal Alex, sócio-gerente de cerca de vinte empresas, recebe 1.100,00€ (mil e cem euros) mensais de vencimento, o que levou a que só tivesse pago ao Estado em IRS a módica quantia de 1500,00€ (mil e quinhentos euros) anuais, demonstrando à saciedade e à sociedade a despudorada falta de vergonha que alguma classe empresarial e política tem na cara, aceitando que um grande empresário português pague de IRS o que um qualquer administrativo das suas muitas empresas paga de imposto ao Estado.
Valham-me os "amigos de Peniche", que os do Alex e ele próprio ainda são muito piores.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

RENDIMENTOS

E o problema do deficit continua a preocupar toda a gente, uns porque têm de descobrir novas formas de arrecadar receitas e outros porque já sabem que têm de pagar até ao tutano os erros próprios e os alheios que ao longo dos anos foram cometidos e que agora se transformaram numa bola de neve cada dia maior, isto segundo os entendidos na matéria, afinal os mesmos que ao longo de quase quarenta anos têm governado a casa.
Como o dinheiro não é de quem manda, parece bem que se distribuam verbas sob a forma de subsídios, complementos, suplementos ou rendimentos, não se entendendo muito bem como a alguém se pode atribuir um rendimento, que pressupõe a prestação de um determinado serviço, a troco de nada e vai daí, aumentam-se as despesas do Estado com o único propósito de sacar as boas graças de uma multidão de parasitas que concerteza irá votar para manter a mama pelo maior prazo de tempo possível.
Agora que parece já não haver dinheiro para pagar a quem descontou uma vida inteira para a reforma, lembraram-se de apertar a malha dos subsídios, acrescentando uma alínea que, se não desse para rir, nos faria chorar a todos... então não é que o governo vai cortar o rendimento social de inserção a quem tenha mais de 100.000 (cem mil) euros em dinheiro ou acções? podemos concluir que havia gente com mais de cem mil euros em dinheiro a receber subsídios do Estado? acho que este governo me quer tirar a pouca sanidade mental que me resta...
Esses senhores sabem o que custa ganhar 100.000 euros? e sabem o que custaria amealhar essa maquia? fiz umas contas com a calculadora e seriam 15 (quinze) anos a ganhar o salário mínimo nacional durante 14 meses por ano, isto sem gastar o que quer que fosse, ou então talvez 30 anos a amealhar metade, porque a outra metade seria para não morrer de fome...
E será que um indigente pode ser subsidiado porque "apenas" tem 90.000 euros no banco? e a classe média que depois de pagar impostos, escola dos filhos, prestação da casa, prestação do carro e olha para a conta do banco permanentemente a zero, não pode pedir um subsidiozinho?
Há dias estava a almoçar em casa de um amigo, juntamente com mais cinco colegas de profissão e reparei que tínhamos deixado de ir ao restaurante e aceitavamos a ideia de comer ali mesmo sem refilanços, o que diz bem da crise em que a classe média se encontra, mas a situação complicou-se quando reparei que o único que morava em casa alugada se ria e gozava de todos os outros "proprietários" de casas e apartamentos. Dizia ele que estava num apartamento novo e pagava menos que os outros, que não pagava IMI, que quando a casa ficasse velha se mudaria para uma nova sem se preocupar com despesas, enquanto os amigos tinham pago o IVA, o condomínio, o IMI, as despesas de manutenção sobre a casa, um presente envenenado que os filhos receberiam no futuro, velho e decrépito e a obrigatoriedade de pagar ao Estado uma herança que na maior parte dos casos só lhes vai trazer chatices. E "assim vai o mundo" como se ouvia nos documentários do cinema, nos anos 70...
Antigamente havia políticos que contavam anedotas, mas hoje há políticos que são eles mesmos uma anedota.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

O MUNDIAL!

De quatro em quatro anos temos direito à festa, seja ela das legislativas, das olimpíadas, dos europeus, dos mundiais e de mais uns quantos eventos que, se não satisfazem os gostos e as exigências do consumidor, sempre dão aso a que as atenções se concentrem e a comunicação social não faz outra coisa senão fazer-nos crer que sem mundial tudo se resumiria a uma miserável existência.
Este mundial africano tem a presença de Portugal, facto que não sendo por si só sinónimo de redução do deficit, aumento do PIB ou incremento do PEC, deve realçar-se devido ao facto de terem ficado 180 países de fora e de o nome de Portugal ser referido em todo o mundo, não tanto por ser campeão ou coisa parecida, mas pelo facto de estar presente e todos os jovens em todo o mundo falarem nas selecções e nos jogadores que a pepsi, a coca-cola ou as revistas de moda afirmam serem os melhores do mundo.
Há uns anos tive oportunidade de ver na tv uma sondagem de rua, efectuada na 5ª avenida, em New York, em que da dezena de "executivos" entrevistada apenas um conseguiu situar Portugal no mapa, isto antes de o Figo e o Cristiano Ronaldo serem tão conhecidos como o Bin Laden, acreditando eu que hoje a situação tenha mudado para melhor e o nosso país já seja mais conhecido e por razões positivas.
A "necessidade" de massacrar o povo com jogos, entrevistas, reportagens, debates, mesas-redondas, jornais, revistas e rádios durante este mês de Junho, leva-nos ao exagero de ficarmos desiludidos porque empatamos com uma selecção africana, não porque eles tenham jogadores de clubes ingleses, franceses, espanhóis e italianos, mas porque são africanos e... deviam ter perdido. Os italianos empataram? os espanhóis perderam? está bem, mas nós temos os melhores do mundo e empatar é mau até para o "rating" dos juros a pagar...
- "então manda-me jogar na direita, a mim, que só sei jogar no centro?" ninguém perguntou ao craque porque é que ele não jogou nada nem no centro...
- "jogaram muito devagar, sem garra, sem vontade... mas no próximo vamos ganhar!", dizia uma velhota muito simpática, num lar da 3ª idade... ou foi um jovem no Porto? ou foi um dos comentadores da tv? estou baralhado, porque o cidadão comum fala tão acertadamente como os comentadores de tv... e deviam?
Claro que vamos todos soprar as vuvuzelas se ganharmos e meter as ditas no saco se perdermos, mas isso não aconteceu sempre que tivemos a possibilidade de estar presentes nos diversos campeonatos mundiais? e o país não continuou fraquinho independentemente dos resultados?
Lembrei agora que a minha escola vai ter dois jovens a disputar o "campeonato do mundo de matemática" no distante Kazaquistão... Ronaldo? Deco? Liedson? Pepe? pois...

quinta-feira, 10 de junho de 2010

REPARTIÇÕES

Comemora-se hoje o "Dia de Portugal", o que, se não houver qualquer problema de maior, irá acontecer no próximo ano, porque temos o hábito enraízado de comemorar tudo e mais alguma coisa, já dizia o Carlos Paião "viva o Sto. António, viva o S. João, viva o 10 de Junho e a Restauração! viva até S. Bento, se nos arranjar muitos feriados para festejar!", tudo isso apesar da crise, dos cortes orçamentais, da redução de postos, sejam eles militares, de trabalho, de gasolina ou até mesmo de postos de polícia, contrariando o aumento de autênticos postes de betão que são todos os membros de governo e afins que, parece que pegam de estaca e nunca mais saem de cena.
Hoje tive o grato prazer de preencher um pouco do excelente dia feriado, com o discurso do dinossauro excelentíssimo desta "selva", o senhor presidente da República, com o qual me deliciei numa boa capacidade de leitura de texto, um rosto fechado como exige o protocolo e um assessor fardado que sempre me faz lembrar o "emplastro" dos jogos do Porto. E a substância? uma delícia, não sei bem, mas acho que já estava na altura do pastel de nata que costumo acompanhar com o café... gostei mesmo, a minha alma portuguesa, a vontade imensa de sofrer, a tristeza que me invadiu, a saudade, tudo isso me fez recordar os últimos 2000 anos, desde que o Viriato andou à porrada com os romanos junto à Covilhã, onde por ironia do destino chegaram os "navegadores" do século XXI, não de naus, mas de carros topo de gama, a mamar qualquer coisa como 800 euros por dia de ajudas de custo, isto para defender as cores de Portugal.
E não é que o senhor presidente falou de repartições? aí é que eu fiquei de ouvido no discurso, porque quando me falam de repartições fico logo com pele de galinha, talvez porque a primeira repartição que me vem à memória é a repartição de finanças, que me olha com desconfiança quando tenho de fazer algum pagamento ou pedir algum documento, mas a tal repartição era outra e o senhor Silva dizia alto e bom som que era preciso uma melhor repartição de sacrifícios, acrescentando eu repartição de responsabilidades ou mesmo repartição de rendimentos. Pois é, temos de começar por algum lado e porque não uma melhor repartição de reformas, pensões e aposentações? é que no "Correio da Manhã" desta semana podia ler-se que o senhor Silva recebia 3 reformas, para além de se abotoar todos os meses com o vencimento de Presidente da República.
Se querem saber, se fosse comigo, depois de ler esta notícia no jornal, quem fazia o discurso do 10 de Junho era a empregada de limpeza do palácio de Belém... essa sabe bem o que é uma repartição de 500 euros mensais.
Se não fosse o medo de ver isto tudo a ir por água abaixo, também gritava "viva Portugal!".

quinta-feira, 27 de maio de 2010

O LAPSO

Todos os dias aparecem na comunicação social notícias que nos deixam de alguma forma incomodados, apenas incomodados porque acho que tudo isto é como o virus da gripe, se a malta liga incomoda-se, se não liga ficam os hospitais incomodados com tanta vacina para deitar fora. Na comunicação social, sejam os quatro canais a quadruplicar as mesmas notícias, sejam os jornais e revistas a entrevistar sempre os mesmos, há sempre algo que nos retém a atenção, não tanto pela importância, ou pelo figurão da notícia, mas muitas vezes pela inexplicável originalidade dessas notícias, ou até pelo inconcebível e impensável, como por exemplo, a jovem jurista, antigamente designada de advogada, de 27 anos que vai embolsar 4.088,00€ por mês e que foi contratada pelo Ministério das Finanças tendo como justificação a sua experiência, o que reforça a ideia de que neste país se tem muita experiência aos 27 anos e se é velho para encontrar trabalho aos 40, desde que não tenha ninguém num qualquer ministério que dê uma mãozinha.
Mas não era bem isso que me levou a escrever esta crónica, uma vez que sinto cada vez menos vontade de abordar tudo o que seja crise, deficit, política, selecção nacional... e essa teimosia já fez com que eu estivesse 11 (onze) dias sem cronicar, o que de alguma forma me deu uma ideia sobre todos os amigos e desconhecidos que me têm lido ao longo do tempo... nem um me perguntou se eu estava doente, o que me leva a pensar que estas crónicas são como o "melhoral", não fazem bem nem mal, mas adiante.
E sobre o que vou escrever? pois bem, hoje o tema é o "lapso", estão a ver, a malta engana-se e diz que foi lapso, engana-se no troco e diz que foi lapso, vê o árbitro anular um golo à equipa adversária e claro que foi lapso, uma vez que só seria um roubo se fosse anulado à nossa equipa, esquecemo-nos de fazer o que nos pedem e foi lapso, passando aqui a relapso se não houver melhorias... e relapsos é o que há mais onde menos se espera.
Então não é que encontraram as escutas do primeiro-ministro metidas num outro processo do Tribunal do Baixo Vouga, se calhar relativo a um novo shopping, uma sucateira ou mesmo uma vivenda forrada a azulejos, por lapso, claro, de um juíz coadjuvado por um oficial de justiça, uma funcionária administrativa e a mulher da limpeza da agremiação.
E eu, perfeito ignorante que nunca entrei num tribunal, que nunca precisei dos serviços de um advogado, terei de viver o resto da minha vida sem ao menos uma vez ter a felicidade de encontrar pela frente um desses lapsos judiciários? é que um pessoa sem um lapso não é gente, não é nada, lá poderia dizer o juíz do Baixo Vouga, mas sabendo-se que o Vouga é um rio e que o tribunal é do Baixo Vouga, não será um lapso andarem por aí juízes e tribunais abaixo da linha de água, como se costuma dizer no futebol aos mais fraquinhos da classificação?
E a mulher da limpeza não terá sentido curiosidade em ouvir as escutas? se ouviu... foi lapso!

domingo, 16 de maio de 2010

A BRUNA...

"Pára com essa maldita campaínha!" dizia um actor brasileiro numa comédia dos anos 80, quando olhava a "Bruna", humm essa Bruna que cada um de nós tem guardada no sub-cortex da adolescência, na fantasiosa caminhada que sempre se construía entre uma matiné de sábado à tarde ou festa de aniversário.
Pois foi de tudo isso que me lembrei quando tomei conhecimento da professora Bruna e da notícia de que uma câmara municipal (em letras minúsculas, pois claro), tinha tomado a decisão de suspender as actividades de enriquecimento cultural da professora, uma vez que isso era incompatível com umas fotos mais arrojadas nas páginas da "Playboy" e com o facto de as crianças poderem ficar traumatizadas ao olhar a "stôra", não sei se despida ou vestida.
De vez em quando aparece uma criatura a querer dar nas vistas, com atitudes censórias e prepotentes que me fazem lembrar um qualquer ayatolah da família Kohmeini, que todos nós costumamos catalogar de ditadores ou fanáticos religiosos, mas esta coisa de querer condicionar a liberdade das pessoas já vem de longe e tantos anos depois do 25 de Abril, onde se gritou a necessidade da liberdade de pensamentos, costumes e palavras, continuam a aparecer figuras de triste memória em cargos de alguma responsabilidade.
Então uma cidadã tecnica e pedagogicamente habilitada pode ser suspensa das suas funções profissionais apenas porque nos seus tempos livres aceitou tirar umas fotos com as mamas, as coxas ou as nádegas à mostra? e um deputado que na sua função profissional e dentro do horário de trabalho rouba uns gravadores de bolso aos jornalistas, pode continuar em funções?
Não consigo ver onde um acto normal, numa sociedade livre e democrática exercido por uma cidadã nas suas horas livres pode ser causa de suspensão de funções profissionais e começo a ter alguns receios, sei lá, uma professora a passar férias num campo naturista, devidamente legalizado pelo governo, pode ser suspensa ou até despedida com justa causa se entretanto encontrar um aluno com os pais nesse mesmo campo?
E uma professora com roupa a mais poderá ser também despedida? bem, eu acho que deve ser urgentemente criado um regulamento que indique com rigor quantas peças de roupa uma professora deve utilizar na escola e fora dela, para não se criarem situações passíveis de suspensão ou até mesmo despedimento, uma vez que não estamos livres de aparecer nalguma escola uma professora convertida ao islão com uma burka dos pés à cabeça.
Se querem saber, uma professora tem bastante influência na aprendizagem das crianças e jovens, até porque na sua grande maioria são pessoas simpáticas, atenciosas, competentes e muitas vezes encarnam o papel das mães ausentes de muitas crianças deste país, mas sem qualquer base científica eu arrisco dizer que se elas forem bonitas e jovens como a Bruna, a aprendizagem aumenta e o absentismo diminui, sem precisar de justificar este tipo de comportamentos nos jovens e se a professora for directora de turma, até os pais são mais assíduos às reuniões escolares.
Sem saber porquê, uma vereadora gorducha e mal encarada resolveu suspender a Bruna... não é possível vestir-lhe uma burka?

quarta-feira, 5 de maio de 2010

ASSIM MESMO É QUE É!

"Lisboa, 05 mai (Lusa) - O Governo apresentou hoje aos parceiros sociais três exemplos de aplicação do limite de 75 por cento ao subsídio de desemprego, que mostram que a medida pode reduzir em quase 40 euros o subsídio de um desempregado".


Até que enfim que vejo uma medida capaz de nos tirar do pântano do "Guterres", ou do "menino Santana a quem tiraram o brinquedo", ou da "bancarrota" das agências de "rating", ou das críticas sempre exaltadas do ex-ministro Medina Carreira, sim também ele ex-ministro, que nunca implementaram uma medida destas, estrutural como os técnicos costumam dizer, sim porque só com medidas duras como esta podemos resolver o problema do país, porque estamos à beira do abismo, segundo os sempre convidados de todos os "prós e contras" que, só costumo ver até ao primeiro intervalo porque no dia seguinte tenho de ir trabalhar e se não durmo o suficiente fico impossível, grito, barafusto e até chamo nomes feios ao árbitro.~
Na verdade estas medidas são extremamente importantes na redução do déficit e pagamento da dívida, na medida em que 40 euros por mês, vezes 500.000 desempregados, vezes 5.000 anos e acabaremos com a dívida pública, o que nunca um governo desde o tempo do Viriato conseguiu fazer, porque efectivamente todos os críticos dizem que a política portuguesa foi sempre exercida para o "curto prazo" e agora esta pode ser uma política estrutural para os próximos 5.000 anos, muito próxima da "vida eterna" que Bento XVI nos encomendou durante os últimos dias... mas um facto quase divino me levou a entender o pedido do sofá da missa do Porto, que o Papa levou para Roma... será que ele vai esperar sentado que Portugal algum dia pague o que deve?
Acho bem melhor que ele interceda por um milagre, daqueles que Cristo fez em relação ao pão e aos peixes, mas agora com notas de euros, porque já nem os pastorinhos nos safam.


segunda-feira, 3 de maio de 2010

A CRISE...

A crise é efectivamente uma fase da vida em sociedade sem a qual não podemos passar e de onde nunca deveríamos ter saído, na medida em que se nunca tivessemos saído dela, lidaríamos hoje muito melhor com o problema, porque tudo na vida é feito de uma certa habituação, ou seja, pensar dormir debaixo da ponte causa-me insónias, mas dormir lá ao fim de seis meses é tão natural como receber milhões numa qualquer administração de empresas públicas em Portugal.
Estava eu num grupo de eternos pensadores, rodeado de um espumante e uns camarões tigres fritos, quando me informam que a crise está para durar, ao contrário dos camarões que estavam para acabar em pouco tempo, não fosse de vez em quando uma chupadela de dedos e umas reflexões em grupo, bem reduzido aliás, que nenhum queria tirar os olhos do petisco e as frases bem convincentes não tinham mais de três palavras e eram aceites com uma simples flexão de cabeça por cada bicharoco comido.
A crise tem sempre várias nuances, como tenho tido oportunidade de ouvir em variadíssimos debates nos vários canais de tv, até porque segundo dizem, é nos momentos de crise que se abrem "janelas de oportunidade", que não entendo muito bem na profundidade da explicação, mas que deve ser assim mesmo, porque de economia e finanças percebo muito pouco, ao ponto de acreditar como Medina Carreira que qualquer dona de casa geria o país bem melhor que todos os engenheiros da universidade independente juntos.
Mas na verdade estou a ficar preocupado com a crise, até porque precisei de uns trabalhos eléctricos lá em casa e tive de esperar quatro meses pelos electricistas, também eles tão preocupados com a crise que não queriam vir... mas agora, dessa já estou descansado, muito embora o tal trabalho que pedi a um amigo serralheiro para me fazer nos portões há seis meses... ainda não foi feito, porque a crise tanto dá para não ter trabalho, como para ter meia dúzia de meses de trabalho atrasado, não tanto pela preguiça, mas na realidade porque não se consegue dar vazão a tanta solicitação.
Antigamente falava-se de crise quando não havia nada nas prateleiras, quando eu quis comprar um carro novo, como diz a canção do "Falâncio", quando não havia batatas para comprar, quando havia filas intermináveis nas bombas de gasolina, quando o subsídio de Natal foi pago em "certificados de aforro", a única poupança que consegui fazer e me rendeu algum juro seis meses depois, quando já professor andei oito anos de motorizada, quando já casado fiz férias onze anos seguidos em casa dos meus pais, mas agora continua a crise sim senhor, mas podemos passear no shopping toda a tarde, num ambiente climatizado, sem nos cobrarem um chavo, podemos inscrever-nos nas férias de praia patrocinadas pela autarquia, sem pagar nada, podemos assistir a muitos espectáculos e festas à borlix, podemos sacar uns subsídios se soubermos como as coisas se fazem, enfim... sim, sim, eu sei que devemos muito dinheiro ao estrangeiro e que não sabemos bem se algum dia vamos pagar tudo, mas já ouvi dizer que todos devem a todos, que não há nenhum país que não deva... e afinal todos tememos apenas que algum dia nos deixem de emprestar, porque já o meu avô dizia que "quem não deve não teme".