sábado, 21 de novembro de 2009

697.933 EUROS POR ANO!

Com a crise instalada e um deficit de alto lá com o charuto, o PIB estagnado ou a decrescer, as receitas do Estado a encolherem e as despesas a aumentar, quase meio milhão de pessoas sem trabalho, porque isto do trabalho não é assim tão fácil como parece, as funções são cada vez mais especializadas e os trabalhadores ainda por cima especializam-se em profissões que ou já acabaram ou ainda não apareceram, com tudo isso a acontecer de uma forma galopante, muito mais rápida que um tsunami na Indonésia, os nossos queridos jornais diários ainda têm coragem de importunar quem trabalha para nosso bem, quem, sabendo que ninguém gosta dos políticos ("é tudo a mesma coisa", diz-me a dona Etelvina) se entrega de corpo e alma nessa vida difícil, apenas para satisfazer as necessidades da população e desenvolver o país, contra uma massa de invejosos que se lá estivessem "faziam o mesmo", diz-me a talhe de foice a dona Etelvina, também ela cansada de tudo e de todos, os que lá estão, os que queriam lá estar, os que metem lá os filhos e familiares e todos os que estão à espera de ir para lá para meter os filhos e os familiares.
Ora tudo isto a propósito do administrador Armando Vara, o tal que inadvertidamente se viu envolvido em tramóias verdadeiramente surrealistas, nas quais a oposição acredita que ele está metido até ao pescoço e o governo... não acredita, tendo as mais fortes razões para não acreditar nessa história dos inspectores "varatojo", juristas e juízes que não resolvem os milhentos casos que têm pra decidir, mas encontram tempo para escutar as conversas dos vizinhos, amigos e anexos e encher cd`s com gravações onde no final já não se consegue ouvir coisa com coisa e o melhor é... arquivar, ou mandar para a sucata (lá me vem o Godinho à lembrança...).
Agora digam-me que um administrador que recebeu em 2008 a brutal quantia de 697.933,00€ (seiscentos noventa e sete mil, novecentos trinta e três euros) dos bancos onde administrou e das reformas que já conseguiu com a bonita idade de 55 anos (quando chegar aos 70 nem fazem ideia como será, talvez mais que as 3(três) reformas do Presidente da República...), dizia eu se com este carcanhol todo, algum dos poucos que me lêem iam sujar as mãos com uns míseros 10.000,00€, uma insignificância destas... só se fosse para poder dizer ao Sócrates através do telemóvel que tinha ultrapassado a mítica barreira dos 700 mil euros... um verdadeiro contrato futebolístico.
Não pensem que estou aqui a defender o magnífico administrador do BCP que já ficou a saber pelo carismático Joe Berardo que continuará a receber o seu vencimento ("então como é que o homem vivia?" perguntou Berado aos jornalistas), mas também com este sistema judicial acreditem que não estou muito seguro da fundamentação das provas apresentadas sejam elas quais forem, porque se fossem muito credíveis já as tinha visto em letra de forma num qualquer jornal ou revista e ainda não vi isso... ou o segredo de justiça já está a funcionar e eu não dei por isso?
Estou um pouco confuso sim senhor, até porque já li esta semana que a firma do famoso Manuel Godinho tinha dívidas ao Estado há vários anos e esta semana ganhou mais um monte de sucata de um concurso público, onde até deu mais dinheiro do que a Marinha Portuguesa estava à espera, segundo um oficial que falou à tv. Mas se o Manuel dos Anzóis quiser concorrer à reforma da casa de banho do Palácio de Belém, tem de apresentar uma declaração onde se declare preto no branco que não deve nada às Finanças, ao Estado ou à Fazenda Nacional, como se dizia antigamente.
Por último, para quem não saiba, estes proventos de Vara em 2008, correspondem grosso modo a 25 anos de vencimentos de um professor no topo de carreira, ou a 33 anos de vencimento de um professor em início de carreira, ou ainda a 110 anos de vencimentos de um empregado com salário mínimo. É muito, não?

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

QUE BOM, MST...

Ontem, estava distraído e parei na TVI à hora do telejornal, não que as notícias sejam diferentes dos demais canais, mas porque os comentadores "residentes" (chamam-lhes assim porque até parece que moram lá, não é?) devem ter criado uma associação que lhes possibilita rodar por cada um deles sem se empurrarem... bem, sem se empurrarem talvez seja delicadeza minha, porque desde que veio a lume que o amigo Pacheco Pereira se abarbatava com 5.000,00€ (cinco mil euros) mensais para "quadrangular o círculo", os empurrões sucederam-se tenho quase a certeza, alguns deles, comentadores, até se dão ao luxo de registar a patente de programas de debate televisivo, para que estejam sempre a receber alguns trocos, apareçam nas câmeras ou fiquem só a ver, imitando a Teresa Guilherme que até já exporta concursos para o exterior (não tenho a certeza, mas já vi isso escrito numa dessas revistas semanais).
Bem, ontem calhava o inefável Miguel Sousa Tavares, jornalista, escritor, comentador televisivo e talvez mais alguma coisa que eu não saiba, que voltou contrariado sei-o bem, a falar dessa classe de professores, a "mais inútil e bem paga classe profissional" que existe em Portugal segundo ele, opinião que como afirmou lhe tem causado bastantes dissabores... eu sei, eu sei MST que os professores gostam de comprar livros e houve uma corporativa rejeição pelos seus livros, com uma considerável baixa de proventos, mas é a vida, essa coisa da liberdade de manisfestação por todas as formas, como vem na Constituição é balela claro e lá estão os escritores, jornalistas e comentadores a sofrer.
MST voltou a dizer que agora, com a aprovação de uma proposta do PSD os professores vão deixar de ser avaliados, que "era isso mesmo que eles queriam", esses parasitas que ganham fortunas, compram carros de luxo, viajam por todo o lado e têm 3 (três) meses de férias, para fazer um trabalho tão desqualificado que qualquer miúdo de 6 anos sabe que quando for grande quer ser... professor, ou desempregado, ou reinserido socialmente que é o que está a dar.
Sabe MST que há professores que ensinam, fomentam actividades educativas, no meu caso promovendo anualmente um intercâmbio com uma escola estrangeira, fora das actividades lectivas sem receber um único centimo por deslocações e garantindo a recepção de jovens com visitas culturais, refeições e actividades recreativas sem que o Estado contribua com qualquer verba, apenas com donativos de empresas privadas e onde a maioria dos nossos alunos tem oportunidade de efectuar o seu "baptismo de vôo"?
Pois no meu caso, era professor titular e agora vou voltar ao mesmo plano de todos os outros colegas professores e sabe o que recebi durante estes quase dois anos com essa categoria, tanto em termos económicos como de carreira profissional? zero!!!
Não tive uma única falta, com excepção de uma semana em que fui compulsivamente internado num belíssimo hospital distrital, após ter deixado uma aula a meio por me sentir a morrer... afinal era uma simples pneumonia e a médica já nem me deixou sair dalí. Estou a caminho dos quarenta anos de serviço, comecei a leccionar quando Veiga Simão era ministro da Educação, lembra-se? isso, isso, no Estado Primaveril Marcelista.
E sabe, fui buscar à secretaria da minha escola a avaliação entre Setembro de 2008 e Agosto de 2009, depois de ter definido os meus objectivos individuais, ter assegurado toda a matéria a que os alunos têm direito e ter feito o relatório exaustivo de todas as actividades proposta no planeamento anual de grupo e turmas (afinal os professores foram, são e serão avaliados) e tive a classificação de BOM, porque todos os professores na minha escola são bons e como não podiam ser todos excelentes por causa das cotas...
Esses comentários, caro Tavares, até lhe ficavam bem aos vinte anos, porque eu já passei por isso, mas na sua idade...
Que saudades da senhora sua mãe, mas acho que vc sai mais ao paizinho, aquele a quem Raul Rego um dia disse que tinha a liberdade até de lhe chamar "cara de cavalo".

terça-feira, 17 de novembro de 2009

PADEIROS E DORMIDAS

"Padarias atacam o RSI"
"Queda de 6% nas dormidas"
Andei pelos jornais de hoje, li, reli, tresli, coloquei à prova aquela peculiar análise crítica que me fazia refilar em voz alta e cheguei à conclusão de que estou no bom caminho, apenas abano a cabeça lateralmente quando a jovem de 17 anos é violada e se lança do 6º andar, concerteza porque algum psicólogo de serviço lhe disse que o violador ainda iria passar por ela na rua daqui por uns dias e se riria na sua cara, se não repetisse a façanha... não sei o que me aconteceu mas já nem os cabelos do antebraço se iriçam como antigamente.
Na página seguinte era um bando de delinquentes que roubaram um carro há 5 dias, andaram com ele sem serem incomodados na zona do roubo, entraram numa auto-estrada talvez sem pagar a portagem às duas da manhã, o portageiro nem achou estranho que 5 garotos andassem a essa hora por ali, acreditando que esses é que lhe asseguram o vencimento e a polícia, cinco dias passados não foram capazes de saber do carro roubado... mas sabem na hora se eu me esqueci de pagar o selo do carro ou o seguro, porque o computador é como o algodão, nunca engana.
Na outra página contavam que um grupo de "reinseridos sociais" roubaram um desgraçado, tiraram-lhe a roupa e deixaram o homem nú na beira da estrada, justificando que assim tinham mais tempo para fugir, porque ele não ia avisar logo a polícia e ainda corria o risco de ser detido por atentado ao pudor, porque nestas coisas, um cidadão com cara de honesto e sem pistolas é um bom pretexto para alguns agentes apresentarem serviço.
Li também uma entrevista do dono do supermercado assaltado pelo romeno que ficou em cuecas (não sei se algum canal de TV o convidou para um programa, mas ainda não é tarde), onde o homem dizia que já tapou uma porta por onde lhe roubavam mercadoria, agora tapou a janela por onde lhe queria gamar mais umas coisitas, mas eu estou convencido que ele só se safa dos assaltantes se meter cimento em todas as aberturas... não vai ter assaltos, mas duvido que os clientes possam entrar. Ah, também disse que não ia apresentar queixa porque não ía dar em nada, mas os polícias pediram-lhe encarecidamente que preenchesse os papéis, para entrar nas estatísticas... é que sem queixas ainda fechavam a esquadra e isso era mais um problema para os profissionais da segurança pública.
Hoje ia falar de duas notícias que estão no início da crónica, mas estou a ver que não está fácil, uma pessoa antigamente distraía-se por causa da bola, ou da bolsa (da nossa, claro) ou do Anthímio da meteorologia, mas agora não consegue "levar a carta a Garcia", tudo nos atrapalha. Mas vou escrever sim, então as padarias atacam o RSI? e eu a julgar que o IRS é que atacava os padeiros... claro que li tudo e fiquei espantado, o presidente dos padeiros oferece empregos (centenas) entre 500 e 600 euros por mês e há candidatos a padeiros que sem bulir recebem de RSI 700 euros por mês e só lá vão para lhes assinarem um papel que justifique que eles andam a procurar emprego. Bem, se não leram podem consultar o "Correio da Manhã de hoje, 17 de Novembro de 2009.
A outra notícia era sobre uma "Queda de 6% das dormidas", talvez devido a uma quebra de ocupação hoteleira... mas isso é notícia? podiam ter feito bem melhor, porque com todas estas leituras de jornais eu acho que 80% da população já tem muitas dificuldades em dormir.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

A CRISE OCULTA...

A oculta crise é outra face da oculta dita, uma paródia que só não é tão expressiva neste Portugal do século XXI porque fazem muita falta Bordalo Pinheiro, ou até mesmo o José Vilhena com a "nossa" Gaiola Aberta.
Fui procurar num "motor de busca", desses que a internet inventou para nos facultar a possibilidade de saber tudo com o mínimo esforço, ou até nem saber nada com esforço nenhum... embora nada se consiga sem esforço, normalmente até se conseguem bons resultados com o esforço dos outros, a influência dos outros, ou até mesmo o dinheiro dos outros, sob a forma de sms, telefonemas de amigos, cheques depositados em países perfeitamente desconhecidos ou dinheiro vivo, que isto de finanças está pela hora da morte.
Então o Godinho não pode enriquecer com sucata pagando bem aos amigos e o Belmiro de Azevedo pode, pagando mal aos caixas dos hipermercados?
Bem, eu acho que alguns justicialistas já condenaram o Godinho através de uma arranjinho legal que possibilita acusar uma pessoa de enriquecimento ilícito... mas onde é que há possibilidade em Portugal para enriquecimento lícito?
Ahhh não é enriquecimento ilícito? é enriquecimento num curto espaço de tempo?
- Oh Godinho, eu sempre te avisei que devias levar a coisa com calma... um gajo que anda de motorizada a apanhar ferro velho em 1999 e já faz negócio de milhões de euros dez anos depois, claro que dá nas vistas...
O homem não teve tempo de estudar um pouco de história das indígenas fortunas, porque senão sabia perfeitamente que as grandes famílias já vão na 4ª, 5ª ou 6ª geração... ele são os Espíritos Santos, os Champalimaud, os Roquetes, os Burnay, os Quintas, quintelas e quintarolas e saberia que só os seus bisnetos teriam possibilidade de começar a gastar o produto de tanto gamanço, porque aí já poderiam dizer ao chefe de finanças que tinham herdado do pai, do avô e do bisavô.
Mas faltou-lhe um "je ne sais quoi"... ninguém disse ao amigo Godinho que aquele bigode e patilhas de ganadeiro não eram compatíveis com um enriquecimento fulminante, deveria ter arranjado uma agência de imagem que lhe desse um toque cosmopolita e sem grande esforço poderia ter entrado na Universidade Independente para um mestrado de Import-Export de Materiais Inflamáveis.
Mas se não deu para um mestrado, não se preocupe porque só precisa de saber como as coisas se passam lá nos tribunais, uma vez que nos outros locais vc já a sabia toda... talvez o MRPPereira, o incansável Nabais, o anafado Francês, o inconfundível Sá Fernandes encontrem a tal vírgula, a esquecida alínea do apropriado artigo do Código que lhe permitirá safar-se em 2035, por prescrição do processo.
Lembrei-me agora do coitado do romeno que ficou entalado, literalmente entalado, alvo do desprezo das multidões que não o quiseram desentalar, tendo a GNR que lá ir buscar o homem e apenas me lembrei porque este desgraçado também faz parte do processo da "face oculta", afinal ele ficou todas aquelas horas apenas com o rabo à mostra e a face oculta, mas a este não há advogado que lhe valha... ficarei até bastante admirado se o programa da Júlia, do Goucha ou de outro qualquer jeitoso da TV não o convidarem para mostrar ao país as cuecas da "intimissi".
Oh Godinho, veja lá se me arranja um mercedes dos modernos porque esta treta de lhe dar umas dicas importantes para se safar em beleza também tem o seu preço, ou pensa que são só os outros?

domingo, 15 de novembro de 2009

A SUCATA...

Um mês depois volto a tentar uma cronicazinha, porque o ser humano é essencialmente um elemento dialogante se a situação estiver a favor, ou beligerante se a coisa começa a dar para o torto... mas a ausência de vontade ou até mesmo de tema será o quê? tergiversante? desculpem ter ido ao diccionário da língua portuguesa ver se não estava muito fora do contexto, mas é sempre bom prevenir antes de uma qualquer calinada... é isso, tergiversar... hesitar, não saber bem o que fazer e tudo isso por causa do estaleiro de sucata que está a tornar Portugal insuportávelmente tergiversante, sim tergiver... isso mesmo, que conforme eu comprovei também serve para definir quem "volta as costas a...", seja alguém a voltar as costas a Portugal ou o inverso tanto faz.
Então não é que vou com os miúdos dar uma corridinha pelos "caminhos de Portugal" e só vejo sucata espalhada por tudo quanto é caminho de terra batida com 2 metros de largura, essenciais para que as carrinhas de caixa aberta de micro, pequenos e médios construtores possam vazar o entulho e desaparecer na calada do fim de tarde ou início da noite?
É num parque natural, numa fazenda nas traseiras de uma qualquer casa de habitação ou no parque Eduardo VII? bem, aqui não que era capaz de dar nas vistas, mas também há para lá entulho que chegue...
Lembrei-me então do Godinho sucateiro e perguntei-me a mim mesmo se ele cumpre ou não as especificações ambientais, porque todas as outras de pagar por cima e por baixo da mesa, dar prendas no natal, pagar os cafés aos conterrâneos, subsidiar o clube de futebol e a banda de música, isso ele fazia e por isso é tão acarinhado pelos conterrâneos.
Isso levou-me a pensar no Escobar que na Colômbia também fazia o mesmo em maior escala e só não se lembrou de mandar uns mercedes ao comandante da polícia que o abateu, porque nestas coisas da indústria extrativa não podem existir esquecimentos... e o Godinho esqueceu-se de muitos, incluindo esses departamentos policiais que o denunciaram e levaram a juízo, talvez apenas porque ninguém lhe disse onde ficava o gabinete certo dessas polícias de investigação.
Amigo Godinho, se alguma vez tiver a infelicidade de encontrar este blog e ler esta minha crónica, fique sabendo que vc errou de uma forma perfeitamente infantil, talvez porque nunca leu uns livros de história nem conheceu o Marquês de Pombal, que não se limitou a expulsar os jesuítas, nem a tratar dos vivos que os mortos já não dão lucro à sociedade, não, não... dizem as más línguas que o homem ao ser desterrado para Pombal, levou uns baús com dinheiro e distribuiu-o por todos os conterrâneos. Em vez de ser pendurado no pelourinho, foi nomeado "marquês", talvez com "z" não sei, e verdadeiramente venerado tal como Valentim Loureiro, Isaltino de Morais, Fátima Felgueiras e outros 753 sucateiros que andam por aí.
Quando voltar à liça, meu caro Godinho, faça como eu lhe digo, comece a dar uns mercedes lá em cima, mas não se esqueça que tem de acabar a oferecer uns citroens C1 aos que estão cá mesmo no fundo, e nunca aceite que alguém lhe diga que não porque estará aí um possível denunciante... e afinal o que são 10 milhões de carrinhos oferecidos em comparação com um negócio tão rentável como é esta sucata de 89.000 quilómetros quadrados?

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

PARVOS, PORCOS E... POLÍTICOS!

Lembrei-me daquele sugestivo filme "feios, porcos e maus" sempre que dava uma pedalada, durante o percurso de btt que fiz com as minhas turmas nas aulas de hoje e até pode parecer que me estava a referir aos alunos, mas não, afinal eu tenho o prazer de ser professor numa escola excelente, onde tudo funciona razoavelmente, onde as aulas de substituição quase não existem, porque a assiduidade é superior a qualquer empresa publica, onde os alunos fazem educação física e tomam banho, onde o refeitório se enche de jovens, talvez porque a crise obrigou os pais a fazer contas de cabeça e 1,60€ na escola sempre é melhor que uma baguete na pizaria por 3,00€, porque as condições de estudo são muito boas para os que querem estudar e os funcionários são competentes.
O filme? pois troquei o título para um actual "parvos, porcos e... políticos", na medida em que nos 8 kms que fizemos entre Alcanena e Olhos de Água, encontrámos centenas de garrafas de água, latas de sumo e cerveja, caixotes, tampas, cartões, papel, jornais e outros objectos que tais, numa prova provada de que estamos num país superdesenvolvido em que o povo compra, consome, mastiga e deita fora e chama nomes aos parvos que reparam nestas cavalidades comportamentais.
E porque é que eu andei de bicicleta mais de mil quilómetros e não vi uma garrafa de água na berma da estrada? concerteza porque na Alemanha, Austria, Eslováquia e Hungria o povo não tem dinheiro para comprar garrafas de água ou leva-as para casa para encher de azeite e colocar na mesa à refeição, como fazia o meu avô há 50 anos atrás. Agora não se faz nada disso e o povo tem mais que fazer que guardar o lixo no carro e despejar no contentor quando chegar a casa, isso é que era bom, os gajos do lixo que apanhem que ganham para isso...
Pois é, parvos e porcos sim, somos todos nós, os que deitam o lixo na berma da estrada, os que cospem no chão, palitam os dentem com a boca aberta e dizem mal do governo, mas... políticos?sim, políticos mas os cá de baixo, das juntas de freguesia e das câmaras municipais... então eu que percorri essa europa em ciclovias, tenho de ir até aos Olhos de Água numa estrada municipal sem bermas e completamente esburacada, onde já se fala de construir ciclovias há mais de uma dezena de anos, pondo em risco o corpinho dos alunos?
Também por aqui houve necessidade de correr com essa malta que já se estava perpetuando na autarquia porque nem ciclovias, nem limpeza, nem gente desenvolvida e civilizada, daí o "parvos, porcos e... políticos". A minha esperança é que em Alcanena se continue a limpeza que começou no passado dia 11.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

AMIZADE

Ser amigo é mais profundo
e a amizade serve a toda a gente
mas no fundo, bem no fundo,
queremos tudo e nada de repente.

A amizade sim, é tão concreta,
conceito tão doce que amamos...
afinal serve de capa, é a pêta
das crianças, que sonhamos.

Acredito que outros valores,
mais altos ou mais baixos se levantam,
somam ódios e pavores
com que falsas amizades se encantam.

Quero quebrar isso, sim senhor,
quero amizade, quero ser eu,
descobrir e pintar telas de amor
aqui, ali, ao longe, até no céu!

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

THE WINNER IS...

Como é de calcular, estive vinte dias sem escrever uma crónica, não que não me apetecesse, mas era altura de campanha, entrevistas na tv, arruadas, acasadas, pavilhoadas, canetas, bandeiras, barretes, perdão, bonés e não deram chapéus de chuva porque nunca mais chove... é verdade que parecendo interessante não deixa de ser uma real seca e qualquer dia aquela taxa que um governo mandou pagar através da factura da luz, por causa da seca continuará "ad eternum" chova ou faça sol e talvez em 2010 sofra um aumentozinho.
Claro que não ia fazer crónicas que, na pior das intenções poderia sugerir, indicar, insinuar ou até mesmo esmiuçar um voto no meu partido, no meu salvo seja, que não tenho nenhum, só pago quotas para o sindicato e para o clube, para este porque gosto e para aquele porque comecei a pagar há quase quarenta anos e depois uma pessoa habitua-se...
E não escrevi porque não me apeteceu mesmo, é escusado estar para aqui a arranjar desculpas, até tinha pensado dizer que tinha andado na campanha pelo país, de bandeirinha por festas, mercados, ruelas de bairros sociais e pavilhões desportivos, misturado com apoiantes que trazem sempre uma bucha na bagageira, mas não, não me apeteceu mesmo... e o que é que os meus amigos perderam com isso, ou pelo contrário, o que é que ganharam com isso? acho que eles não andam aqui a perder tempo lendo estas crónicas, para depois as classificarem como vitória ou derrota, perca ou ganho de tempo, ao contrário dos partidos, que na noite eleitoral apenas resumem os votos a uma vitória, seja ela extraordinária ou ordinária.
Olhei para os números e cheguei à conclusão que 2 (dois) em cada dez eleitores elegeram o novo governo, o que não sendo uma conclusão ordinária, é uma vitória extraordinária, como acentuou o vencedor, é mesmo extrordinário que apenas dois portugueses num grupo de dez façam uma maioria vencedora, vá lá saber-se como, mas isto da estatística é uma ciência de alto lá com o charuto.
Então no tal grupo de dez amigos, 4 deixaram-se ficar nas lonas e mandaram o escrutínio às ortigas, 2 votaram no governo, 1,5 foram pela oposição, 1 alinhou pela esquerda, 1 pela oposição de direita, 0,5 pela outra esquerda... e aqui damos conta da vitória extraordinária!
Tão poucos votaram no governo que as bandeirinhas acabaram por ser mais que os militantes na festa e uma grande manifestação de vitória teve de ser cancelada porque tirando a tv, os jornalistas e a mulher da limpeza, não estava lá ninguém no Largo do Rato... "olha lá, tu és rato..." ouvi logo de seguida num anúncio televisivo.
Ainda queria viver o suficiente para num grupo de 10 eleitores, estarem 9 na praia e um a festejar o governo do qual seria presidente, tesoureiro e quarto-secretário, como o Nacib da "gabriela, cravo e canela"... tenhamos calma que tudo será extraordinário, como a vitória deste governo.

domingo, 6 de setembro de 2009

EU E OS HETERÓNIMOS DE MIM...

Sem querer, sem saber, sem que fizesse o que quer que fosse para o saber, porque todos sabemos que alguém mandou escrever nas pedras "felizes os ignorantes, porque deles será o tal reino...", só não sei se serão vários os reinos, catalogados em função do nível de ignorância de cada um dos membros, mas convém que sejam vários os reinos para que existam várias cortes, variadíssimos estratos do mais elevado ao mais raso nível de ignorância.
Julgava-me eu sujeito apenas ao "juízo final", capaz de ser catalogado em função dos regulamentos, decretos e despachos ordinários e extraordinários emanados da corte suprema a que qualquer mortal não terá o mínimo acesso, nem a menor possibilidade de alterar os dados do computador total que paira acima das ultimas galácias, talvez até nalgum buraco negro, pois julgava-me eu assim mesmo, quando sou confrontado com análises mais terrenas e por isso muito mais próximas e sensíveis, capazes de nos fazer parar para pensar, o que nos tempos que correm não é fácil, porque tudo é muito rápido, tudo nos faz andar atrasados porque as solicitações são muitas e a nossa capacidade de análise, ou a tal ignorância de que falei acima não nos deixam pensar um pouco mais profundamente sobre o que somos, o que queremos e para onde vamos...
Tudo isto a propósito de ao longo dos anos ter sido confrontado com elogios e críticas, o que na verdade me leva a pensar que pior teria sido passar pela vida sem que ninguém se apercebesse que eu tinha andado por aqui, mas há críticas e críticas, aquelas que na profissão, na família e na sociedade nos fazem crescer e aquelas "qualidades" que, se calhar transportamos connosco desde que nos conhecemos, fazem parte do nosso código genético e nem nos apercebemos que às vezes incomodam quem não tem mais nada para analisar e ocupa o seu precioso tempo olhando os outros...
Sempre pensei que o homem nasceu livre, despojado e titular de livre-arbítrio, capaz de crescer e transmitir a si mesmo e aos outros os traços gerais do meio em que se insere, condições básicas que procuro manter num nível elevado, mas como humano que sou, também reconheço que tenho limites e não aceito de ânimo leve algumas críticas que, se algumas vezes "deleto" e passo à frente, noutras ficam aqui dentro e fazem mossa.
"ah não sabia? em casa pode ser uma maravilha, mas aqui é uma fera... quando está mal disposto ninguém o atura... mas o melhor é nem responder que passados uns minutos volta a ser simpático."
" sinceramente, com aquele feitio... como é que vc o aguenta?"
" humm olhe que ele é muito simpático, deve ser muito interessante viver com ele... às vezes são muito simpáticos e depois em casa são do piorio..."
Quando eu era pequeno, lembro-me do meu avô Manuel estar toda a manhã a ler o Diário de Notícias junto da janela da sala, virada para o sol e a rua, com a maior calma do mundo e sem uma única palavra, um comentário, uma observação... eu chegava em bicos de pés, sem um único barulho perturbador, beijava o "velhote" e saía de mansinho porque enquanto ali estivesse a leitura não fluía conforme a norma.
Hoje não posso, o espaço é de todos, os muitos canais de tv saltam uns por cima dos outros a cada minuto e nem pensar em dizer que aquela programa estava a ser interessan... que já lá vão mais 17 canais salteados, o jornal vai-se lendo aos bochechos entermeados por conversas sem jeito, telefonemas e mensagens e o espaço de cada um é cada vez mais o espaço de todos.
Criou-se a ideia "pós-moderna" do homem sem segredos, a saída semanal do namoro do "jet-set" e do divórcio do "jet-dezassete", acha-se impensável que um político não apresente à sociedade a família até à quinta geração e é sinal dos tempos modernos que as relações não têm segredos e que todos devem saber da vida de todos, para além de todos se sentirem no direito de analisar e julgar o amigo, namorado, marido, família, com um remate final no vestido da Michelle Obama que de tanto sair na "nova gente" também já faz parte do círculo (circo) crítico.
E a vida de cada um? os estímulos, os desejos, a imaginação, os objectivos que quase sempre acabam por não se alcançar, os sonhos que no dia seguinte já não se lembram, os segredos que não se contam, as fragilidades que se escondem, os pontos fortes que são apenas de cada um de nós, os gostos que são tão diferentes, haverá lugar para eles fora do conhecimento dos agentes da "pidesca coscuvilhice" que nos cerca?
Por algum motivo Drumond de Andrade nunca autorizou que os seus poemas do "amor natural" fossem à estampa enquanto foi vivo, ou que muitos outros tivessem deixado na gaveta os seus segredos, ou os tivessem transportado consigo...
Na década de setenta lembro de um título de um filme "Vive e Deixa Viver", a que a malta nova costumava acrescentar "... e não chateies!", para além de um velho dito que caiu em desuso "quem está, está, quem vai, vai!", o que de certa forma deveria continuar actual, acompanhados do "amigo não empata amigo!", mas o século XXI está a tornar-se o "tempo do mexerico", a era do "big brother", do "voyerismo", da prática do "sabias que...?" e quando isso começa a fazer parte da mobília as coisas começam a ficar sem luz ao fundo do túnel, como diria o "camarada Mário".

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

TROCAS E BALDROCAS...

Agora que se aproximam as eleições, sejam elas quais forem, autárquicas, legislativas ou regionais se dermos tempo a certos figurões, dei-me conta de novos-velhos episódios de "transferências" partidárias ou tão somente "transferências" opinatórias... não sei porquê esta do opinatórias, mas talvez tenha a ver com o Pina Moura, é isso, o Pina parece que deu um pinote igual aqueles que o Nani executa quando marca golos pelo Manchester United... ah até quem já proponha o Nani na Assembleia da República porque flic-flacks e cambalhotas é com ele.
Uma vez elegemos o Simões para a Assembleia, logo a seguir ao 25 de Abril, o Simões do Benfica, campeão europeu, se calhar a pensar nas fintas que o homem fazia quando era extremo-esquerdo, mas parece que o colocaram na extrema-direita e o homem foi-se embora na primeira oportunidade que apanhou... tivesse ele a habilidade do Pina Moura para entrar pela esquerda e só parar na direita (está quase, está quase) e hoje estaria a colocar protector solar no Algarve com uma reformazinha adequada.
Mas o título é mesmo "trocas e baldrocas", capaz até de ser produzido pela Endemol num qualquer concurso televisivo de um dos vários e igualzinhos canais de tv que temos, tão antidepressivos que me fazem dormir em cinco minutos, cobrindo-me de ridículo quando oiço alguém ao meu lado a perguntar "viste? viste?" - é claro que vi, então estou aqui na frente da televisão para quê?
Mas era um bom projecto, todos os dias eram seleccionados vários telespectadores que apresentariam um político que dissesse o contrário do que já alguma vez tivesse concluído, sei lá...
- dou o Pina Moura à troca, trocou o PCP pelo PS só para não ter de descontar no vencimento de deputado as alcavalas que ficavam no partido.
- eu troco o Isaltino do PSD pelo Agrupamento Eleitoral de Oeiras "vamos Isaltinar!", só para ridicularizar o Marques Mendes.
- volto a trocar o Pina Moura, que trocou o PS pelo programa de governo do PSD, dizendo que este é que é bom para o nomear na administração de uma empresa pública...
- troco por qualquer coisa que valha a pena, sei lá, a Bárbara Guimarães pela Zita Seabra que veio do Comité Central do PCP para deputada do PSD, na maior cambalhota do século XX.
- Já não tenho muitos trunfos para trocar, mas avanço com o Freitas do Amaral que depois de ser chefe do CDS, acabou ministro do PS e não se sabe ainda onde vai acabar...
- Humm acho que vou ganhar o concurso, calhou-me a biscar e saquei o jocker... então não é que mandei para a troca o Durão Barroso que trocou o MRPP pelo PSD e já vai na presidência da Comissão Europeia?
- Está bem, estás com bom jogo, mas ainda tenho aqui o Mário Lino "Jamais" que além de trocar o PCP pelo PS ainda trocou a Ota por Alcochete e já prometeu trocar o TGV pelo electrico da Praia das Maçãs, se o chatearem muito.
Bem, o melhor é ficarmos por aqui, senão ainda faço uma crónica maior que as Páginas Amarelas e a Teresa Guilherme não ganha dinheiro suficiente para produzir e manter um concurso destes nos 12 episódios que habitualmente se contratam... já lhe disseram até que um concurso destes dura em "prime-time" mais que qualquer julgamento da Casa Pia e a malta já não tem pachorra.