domingo, 1 de março de 2009

A MUDANÇA VITAL

- O jogo decorre com "norboçalidade", ou seja, com normalidade dentro da boçalidade das tacticas e estratégias definidas pelo treinador da equipa da casa...
O comentário do jornalista-resistente, em contraponto com os outros jornalistas-residentes caiu que nem uma bomba no estádio espinhense, criando não anti-corpos mas espinhos ainda mais agressivos que a lei do casamento dos homossexuais (os dois esses no meio da palavras diz-me qualquer coisa...).
- Mas a equipa adversária também não tem nenhum fio de jogo, está mal orientada e deixou sair muitos titulares que não foram substituídos, para além de uma treinadora que já tem idade para ir tomar conta dos netos em Inglaterra...
- Um jogo desta importância e não conseguiram encher o estádio de Espinho... também, verdade seja dita, não vimos lá as habituais excursões, que o trajecto não era o melhor para um desvio das tradicionais idas a Fátima...
- Olha, olha, uma grande jogada do técnico da equipa da casa, que mandou entrar em campo o Vital Moreira, um craque transferido do PCP nos anos noventa e que ainda não tinha sido devidamente aproveitado por esta equipa técnica...
- É verdade, o Vital dribla que se farta, mas no início ele era um veloz extremo-esquerdo e agora está mais no miolo como se diz na gíria desportiva, ao contrário da Zita que também veio do PCP, mas passou da esquerda para a direita e continua mal aproveitada na equipa adversária...
- Reparaste qual foi o jogador substituído na equipa da casa para o Vital entrar? é que estava aqui a olhar para o árbitro...
- Se não estou em erro, saiu o Alegre... acho que teve uma lesão, não estava em condições de dobrar tanto a coluna e o treinador mandou-o tomar banho... o empresário até já ameaçou que se não o deixarem jogar como ele sabe, para o ano vai para outro clube.
Entretanto aproveitando o intervalo 47 jornalistas entrevistaram alguns dos jogadores da equipa da casa que faziam o aquecimento junto ao banco dos suplentes e as respostas às questões foram muito elucidativas...
- D. Miquelina da 3ª secção de Marvila pode dizer-nos se aprova a tactica do treinador?
- Claro que sim, eu ainda não tive tempo de ler, mas aprovo, porque o nosso treinador é muito giro!
- Ohh faz favor... o que tem a dizer a secção de Arroios da táctica do treinador?
- Eu ainda não li, mas só há esta, o que é que você quer? e o nosso treinador é melhor que o Mourinho, pisou 150.000 professores, ameaçou 30.000 médicos, retirou o direito à reforma dos parasitas da Função Pública que só queriam trabalhar 36 anos, como no tempo do Salazar... este treinador sim, este é que é democrata!
- E os jogadores desempregados, o que é que a secção de Alcabideche acha?
- Acho que o nosso treinador não tem culpa nenhuma, eles têm de perceber que não há equipas para tanto jogador e as bancadas têm de ter gente para bater palmas...
- Mas vocês não acham que há jogadores a precisar de sair? então o Edmundo Pedro que queria ganhar campeonatos com 50 G3 na bagageira do carro, que é mais velho que o Manuel de Oliveira ainda foi dar uma perninha no jogo de Espinho?
- Foi sim, mas já pediu desculpa... se não viessem esses, ainda tínhamos de os ir buscar às gravuras de Foz Cõa para encher o estádio de Espinho.
- E o Almeida Santos não teve medo de ir? ele que até tinha medo que a Al Qaeda mandasse a ponte sobre o Tejo abaixo...
- O Almeida Santos veio? epá ainda me pedem para ir buscar o meu avô a casa...
Na segunda parte, ainda houve alguns jogadores suplentes a tentar entrar no jogo dos consagrados, tentando até os mais atacantes que o treinador mandasse contratar o treinador-jogador Louçã à equipa adversária, ele que quer acabar com a hegemonia do "bando dos quatro", mas isso só se vai verificar no final do campeonato se os pontos não chegarem.
E novos jogos virão... mas tenho a impressão que só com jogadores vindos do estrangeiro é que encontramos uma equipa vencedora.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

O LIXO...

O lixo é um mal necessário, ou melhor, ou lixo é um bem necessário porque tive a sorte de ver uma crónica televisiva em que uma das tais empresas de reciclagem e tratamento dos lixos colocava todas as novas tecnologias ao serviço do aproveitamento e transformação de lixos, ainda não como eu imaginei possível, porque eu já imaginei vários departamentos acoplados à fábrica de onde sairão no futuro bicicletas, automóveis, roupas e brinquedos, até porque a maior parte do que vestimos já tem integradas percentagens significativas de "tecido" sintético, o que me causa algum comichão principalmente naquelas roupitas compradas no mercado semanal, fruto do aproveitamento em larga escala de garrafões de água em promoção, porque se fosse de água "gourmet" nada disso acontecia.
O lixo é uma matéria prima de alta qualidade, adaptado a toda a indústria do novo século, com uma vantagem adicional, como seja, não precisar de ser explorado por grandes companhias na Africa subsariana (a sobresariana já só tem areia do deserto), não tem custos de transporte através do mar por grandes cargueiros e com a vantagem não dispicienda de ter uns milhões de ambientalistas a separar o lixo, a metê-lo em vidrões, papelões, plasticões e pilhões. No final do processo ninguém se lembra que a mão de obra é gratuita e agradecida, afinal o consumidor quer é ver-se livre do lixo, não só porque começa a não ter muito espaço ao pé da porta, mas também porque começa a cheirar mal... podia até iniciar-se uma campanha, quando alguém falasse de crise, orçamento, bancos, psi20 ou governo, onde responderíamos "não me fale de lixo, que já me está a cheirar mal", por exemplo. Ahh, podíamos acrescentar o Benfica e o Sporting à discussão, que é sempre um assunto com muito lixo associado, mas também não sei em que recipiente poderíamos colocar esse tipo de lixo... já repararam que há recipientes amarelos, verdes e azuis e um mais pequeno, vermelho, para as pilhas? não compreendemos muito bem porque é que o vermelho é mais pequeno que os outros... será por ser o das pilhas e os vermelhos não carregam o suficiente?
Ora, segundo o administrador da fábrica do lixo, estava preocupado com a diminuição do lixo em Portugal (na verdade eu ainda não tinha reparado), o que pressupõe a existência de uma crise tal que a malta até está preparada para roer os sacos de plástico que recebe no supermercado, levando a associação dos industriais do lixo a promover campanhas para que o povo faça ainda mais lixo que o habitual, o que já deu algum resultado, com as estações de tv a produzirem lixo até dizer chega... não se sabendo muito bem em que recipiente o deitarão, se no cor-de-rosa se no cor-de-laranja, porque tanto há de um como de outro a necessitar de reciclagem e tratamento.
A reciclagem faz-se, porque há sempre algum lixo a mudar de cor, agora mais rosa e daqui por algum tempo mais laranja, lixo esse que as Nações Unidas catalogaram de "lixo tóxico" muito perigoso, capaz de se misturar com lixos menos agressivos e tomar cores muito diversas e de difícil tratamento.
Se isto continua assim, ainda me vejo obrigado a pedir ao governo que me conte umas novidades, senão nem consigo encher o meu saco do lixo...

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

SORRISOS...

A dor de quem me some
do chão que piso cada hora,
do inseparável corpo em que forra
os sentidos, as paixões, a alegria
de fazer da razão eterna a tal magia
e não poder chamar pelo teu nome...

Sentir que o tempo é mais pequeno
que a mágoa de não ter mais uma vida,
prova que a razão irreflectida
faz parte do imenso mar de luz,
reflexo de sono solto, onde conduz
o beco sem saída do meu medo.

Irei à desfilada até cair,
ganhando ao nosso dia o pôr-do-sol.
pintarei quando puder teu girassol
tão amarelo quanto me lembrar...
a seu tempo passarei a recordar
tudo o que ganhei... ver-te sorrir.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

A SELECÇÃO E AS VACAS...

Depois de ouvir com atenção o treinador nacional Carlos Queirós descrever na generalidade a fábula da vaca e do leite, achei-me a pensar no assunto, não que a coisa seja tão importante que me ocupe muito tempo, mas claro que sou uma pessoa do desporto e da educação física e gosto de ouvir quem sabe mais que eu na matéria. Mas nada tenho contra o nosso treinador nacional, porque para além da sua capacidade como técnico, Carlos Queirós foi meu orientador de estágio de licenciatura e com ele aprendi muito do que apliquei no terreno, enquanto tive a mania de ser treinador de futebol, fase que todos temos na vida mas que com alguma paciência passa, como passam todas as grandes e pequenas figuras deste desporto de "massas".
Mas essa da "vaca e do leite", mas também da palha para a alimentar e do tratador da vaca que para além do leite também dá carne fresca e ossos, a vaca, claro, que o tratador não dá nada disso, dizia eu que me lembrou aquele ditado do "já que me comeram a carne, roam-me os ossos", o que de certa forma ocorreu com muita gente, mas com Carlos Queirós não, uma vez que ao longo de quase vinte anos ele teve o cuidado de comer carne em locais tão diversificados como USA, Africa do Sul, Japão, Espanha e Inglaterra entre outros, com vacas muito saudáveis e de enormes quantidades de leite, pelo que também em Portugal não temos necessidade de lhe roer os ossos.
Bem, mas o treinador Carlos Queirós não se referia à sua vaca, mas a uma vaquinha que ele deixou a engordar e da qual se serviram todos os técnicos nacionais que andaram com a manada, salvo seja, por Europeus e Mundiais. Penso eu "de que" Carlos Queirós só tem alguma razão, na medida em que segundo alguns dados que analisei, dos 34 campeões mundiais de sub-20 na Arábia Saudita e em Portugal, apenas seis (6) conseguiram impor-se com regularidade na selecção nacional, o que dá cerca de 15% de aproveitamento. Afinal só nos lembramos de Figo, Fernando Couto, Rui Costa, João Vieira Pinto, Paulo Sousa e Jorge Costa, para além de uns esporádicos Abel Xavier e Rui Bento.
Claro que a vaca também deu Brassard, Bizarro, Tó Ferreira, Resende, Folha, Amaral, Abel, Valido, Morgado, Paulo Torres, Paulo Alves, Gil, Toni, Filipe, Tó-Zé, Hélio, Xavier, Paulo Madeira e tantos outros que agora não lembro, o que me leva a pensar que em todas as épocas houve algum leitinho de vaca gordo e meio gordo, mas a maioria foi leite magro, muito magro e não fica bem estarmos agora a chorar sobre o leite derramado, não acha professor?
O que lhe pedimos é que consiga levar a selecção à Africa do Sul em 2010, para o qual terá de ter alguma sorte e uma equipa com os melhores no lugar certo. A propósito, então o Pepe, defesa central desde sempre, tem capacidade para desempenhar um lugar de médio, mesmo recuado, sem rotina do lugar e com meia dúzia de treinos?
E se o Figo joga no Inter, não pode jogar na selecção nacional? talvez ele não queira... mas e o Petit já não serve com 31 anos, mas o Litmanen na Finlândia, com 38 serve? e o Ricardo, titular do Bétis perdeu qualidades? ou é só pela necessidade de acabar com os lixos "tóxicos"?
Não poderemos é pensar que também no futebol é tempo de vacas magras, porque jogadores jovens de bom nível existem e só precisam que lhes dêem oportunidade.
Carlos Queirós pode fazer um bom trabalho, todos esperamos isso, nem que para isso haja necessidade de chamar os "bois" pelos nomes.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

P`RA QUE LADO É QUE ME VIRO, P`RA QUE LADO?

Há uma canção muito interessante, que creio ter sido cantada pelo Tim quando formou com outros bons músicos os "Rio Grande", em que perguntava cantando "pra que lado é que me viro, pra que lado?"... dando uma certa evidência ao desnorte de quem já não sabe tanto para que lado se deve virar, quando se deve virar e com quem se deve virar, uma vez que a vida é de facto composta de mudança e já dizia o Woody Allen que nada é eterno na vida e até a mulher loira e bonita a quem tinha prometido amor eterno se tinha transformado numa senhora completamente diferente...
É mesmo, tudo muda na vida, tão devagarinho, tão de leve, que nem o dia e a noite funcionam por interruptor, embora para nos enganarmos tenhamos que ir dizendo a quem não acredita, que faríamos tudo exactamente igual caso pudéssemos voltar atrás.
Tudo isto a propósito de um jornalista de direita, de seu nome Alberto Gonçalves, que costumo ler ao domingo no Diário de Notícias, o qual me faz imenso comichão quando leio "os dias contados", na medida em que um homem como eu, visceralmente de esquerda, socialmente de esquerda e democraticanmente de esquerda, sou levado a concordar com o amigo Alberto, com as suas crónicas, muito mais vezes do que a minha visão de esquerda poderia e deveria suportar... mas que querem, eu acabo de ler o homem e vejo-me a abanar a cabeça num movimento afirmativo que até me incomoda, ou melhor deveria incomodar, mas na verdade não incomoda coisa nenhuma. Incomodar mesmo, incomoda-me que professores de esquerda apoiem na Assembleia da República a avaliação da senhora ministra, apenas porque não querem perder o lugar político e não se importam de abanar a cauda para salvaguardar um tachinho no futuro, que isto de viver mal e de coluna vertical já foi chão que deu uvas.
A propósito, já vou nesta profissão há umas décadas e sempre me apercebi que todos os colegas professores que saíram da escola (onde nada se faz e se ganha demais, como diz o Miguel Sousa Tavares), para "ingressar" na política (Câmara Municipal, Direcções Regionais, Governo Civil, Assembleia da República e outros) nunca mais voltaram às salas de aula, o que se não é masoquismo é "bene trovato".
Mas dizia eu que todos os domingos sou levado a concordar com este jornalista de direita, o perspicaz Alberto Gonçalves, sem colocar em causa minimamente a minha visão de esquerda desalinhada, anti-vira-casacas, anti-pocilga, anti-quercus e pró-liberdade de pensamento, de palavra e de religião, seja esta qual fôr, desde que não me obrigue a deixar de comer e beber quando me apetece, a ajoelhar, deitar, rebolar ou fazer o pino voltado para o Bangladesh.
E dizia o Alberto Gonçalves, acho que o posso tratar assim, dizia ele que o choca um autarca da CDU dizer que vai deixar o PCP, ao fim de 35 anos de vida autárquica, porque é um partido retrógrado, estalinista, esclerosado... claro que a esclerose é evidente quando esta malta se aguenta 35 anos no mesmo sítio, ou será porque já não era mais o candidato em Sines e achou ser a altura ideal de sair? é que assim nem precisa de dar o dízimo da reforma para o partido, tal como aconteceu com tantos outros ao longo dos anos.
Lembra-me Freitas do Amaral que, para completar o tempo necessário para a reforma, foi deputado durante o verão, com o parlamento fechado, porque a necessidade de juntar essa reforma à de professor universitário e talvez à posteriori, à de ex-presidente da ONU, ex-ministro e o mais que alguma vez se saberá.
Ah, já me esquecia, eu sou de esquerda, não se esqueçam, mas admiro os israelitas como povo que planta e colhe laranjas no deserto em contraponto com aqueles que nem as ruas alcatroam, para terem pedras suficientes para a intifada.
Sim, sou de esquerda, mas nunca quis ter o cartão de nenhum partido político, para não fazer as figuras tristes de Vital Moreira, Zita Seabra, Freitas do Amaral, Augusto Santos Silva, Durão Barroso, Maria de Lurdes Rodrigues e alguns mais que agora não recordo, talvez por isso este jornalista, ou cronista, ou sociólogo Alberto Gonçalves homem da tal direita que se confunde com a minha esquerda, tenha mais coisas para me dizer... no jornal do próximo domingo.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

SEM TÍTULO, MAS COM FRIO...

Chuva, frio e pouca cor
na tela em que jogo tua imagem...
apenas o reflexo da coragem
sorri no pincel com que te pinto,
a prova natural de que não minto
no tom vermelho vivo do amor.

A cada dia novos tons
saltam soltos e chocam no desejo
de te ter ligada, de te dar um beijo...
olhar o mar azul de tudo e nada,
ser feliz em cada madrugada
e sonhar os instantes muito bons.

Em dia de afecto e criança,
saberás escolher todos os doces,
viverás este momento como se fosses
dona deste mundo e outro mais...
sonharás o som e o canto dos pardais,
e olharás o horizonte de mudança!

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

FRACOS NA ARITMÉTICA

Nunca percebi muito bem aquela transição de antigamente, em que se começava na escola primária com a aritmética e se acabava no final do secundário com a matemática, um tal processo evolutivo que hoje me faz lembrar outros conceitos que não domino, mas que os jornais todos os dias fazem por me esclarecer, como seja onde acaba a infância e começa a juventude ou onde esta acaba e começa a idade adulta...
É só abrir um jornal e verificar os assaltos praticados por dois jovens de 28 e 30 anos de idade, ou crianças de 14 e 15 anos para termos uma percepção do que é ser jovem neste país, para além de uns outros muito interessantes como sejam "um homem de 25 anos morreu numa obra de construção civil"... o que quer dizer que a trabalhar é homem e a roubar é jovem, quase numa elaboração semântica que nos diz que homem tem idade para ter juízo e jovem ainda tem desculpa, ou seja homem só serve para morrer a trabalhar e jovem de 30 anos ainda pode roubar que há por aí muito pessoal técnico de inserção social, reinserção se já foi apanhado 17 vezes a roubar e de rendimento social de inserção para os ladrões com mais de 40 anos que já não têm as capacidades necessárias de andar por aí a gamar, porque é preciso carregar a arma e correr depois do roubo e a idade já não permite essas performances.
Tudo isto a propósito dos assaltos a velhotes reformados, que só acontecem porque esses gatunos de "meia tigela" que andam a assaltar idosos não tiveram a necessária instrução escolar que lhe permitiria ir por novos e mais vantajosos caminhos, ou seja, não aprenderam as operações aritméticas fundamentais que lhes permitissem chegar à conclusão que a roubar velhinhos com reformas de miséria, também eles não passariam de uns ladrões pelintras. Se os ladrões soubessem fazer contas, verificariam com facilidade que teriam de roubar o mesmo velhote, todos os meses durante trinta anos, para comprar um mercedes razoável, o que daria maus resultados, não porque a polícia o conseguisse prender ao longo desses 30 anos, mas apenas porque o velhote morreria antes do ladrão arranjar o dinheiro para pagar o mercedes.
Mas a mentalidade dos ladrões está a mudar e acho que com as "Novas Oportunidades" tudo se conjuga para que deixemos de ter ladrões nas ruas, porque nas bombas de gasolina, nas finanças, nas offshores, nos bancos e em grandes obras públicas, sempre lá estiveram.
Dizia eu que, com as Novas Oportunidades porque não os ladrões associarem-se, criarem bancos e offshores? Pois... talvez fossem ladrões a mais no mercado financeiro, mas depois compravam umas cimenteiras, umas fábricas de máquinas electrónicas em Porto Rico, umas herdades no Alentejo para construirem shopings... ahh, não percebem nada de gestão? não se preocupem que os que têm estado nos bancos verdadeiros também não percebiam nada daquilo e desde que me lembro que o Maldonado Gonelha tinha o curso industrial de electricidade e foi ministro da saúde, que mal tem ser analfabeto e administrador de bancos? e o Vara? e o Vara? calma que esse era funcionário de balcão da Caixa Geral de Depósitos, mas agora é administrador e já acabou uma licenciatura de Relações Internacionais na Moderna e não há nada que me diga que o homem ande a depositar dinheiro em offshores.
E tudo isto a propósito de aritmética, da tal onde uns somam devagarinho, outros diminuem com muita pena minha, outros dividem pelos que lhes estão próximos e sempre os mesmos multiplicam à bruta, de tal maneira que falam de contas à ordem de 7 milhões de euros, realizados com muito trabalho e aplicações correctas de fundos... mas oh Loureiro, vc disse conta à ordem de 7 milhões de euros? e aí eu fui buscar a máquina de calcular, a tal da aritmética e comecei a fazer umas contas... afinal não é assim tanto como isso, ou eu estou enganado ou dava um salário mínimo nacional por dia durante 42 anos e meio!
E aquela notícia que ouvi esta manhã de um tal Monteiro, tio de não sei quem, que no ano de 2005 comprou quatro carros de luxo, a um ritmo que nem o Cristiano Ronaldo consegue acompanhar?
Fraco na aritmética sou eu, que em 36 anos de trabalho, mesmo tendo em conta que sempre ganhei o que ganho hoje, o que não é verdade, mas ajuda nas contas, ainda não consegui atingir a fabulosa soma de 1 milhão de euros... eu e mais 90% da população que nunca conseguimos passar da aritmética para a matemática.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

O NOSSO FREEPORT

Afinal foi tudo um engano, ninguém sacou comissões, nem percentagens, nem trabalhos a mais, ou melhor aquilo deu uma trabalheira a quem apenas quer o desenvolvimento do país, a felicidade do povo e não passa cartucho a meia dúzia de pelintras que acham que nós devemos viver num 20º andar da Torre Vasco da Gama e os flamingos e patos bravos devem ter um hectare cada um para bater a asa e comer umas minhocas.
O Freeport foi bem esgalhado no meio daquela área de terreno ambientalmente protegido pela Quercus, pela SOS animal, SOS racismo, SOS 112 e SOS Benfica, que todos precisamos proteger, mas que sem shopings gigantescos dificilmente conseguimos cativar os indigenas para ficarem a olhar os milhafres de manhã à noite, sem ao menos um trabalhinho pago a salário mínimo necessário para aguentar o "ambiente".
Depois cá estamos nós a desancar no ministro porque o projecto foi aprovado em 3 meses, quando normalmente demora 3 anos... mas vamos lá a saber, querem que os funcionários públicos trabalhem depressa e depois dizem mal se eles trabalham um pouco mais rápido que o habitual? é mesmo, não há volta a dar a esta cambada de críticos sociais...
O Freeport foi, é e será um factor de desenvolvimento do país, até porque irá servir de central de compras quando a malta começar a apanhar o avião ali ao lado, para ir de férias a Palma de Maiorca, ou levar uma alheiras de Mirandela, uns presuntos de Chaves ou uns bonecos das Caldas para os amigos que nos esperam em qualquer parte do planeta. Se tivessem construído o Freeport nas arribas da praia da Falésia ninguém dizia nada, mas quando um ministro se lembra de aprovar o maior centro comercial da Europa no quase Alentejo, apenas com a intenção de desenvolver o quase interior do país cai o Carmo e a Trindade... Oh senhor ministro, diga ao povo que vai lá colocar um centro hospitalar e umas termas, que a água do Tejo tem poderes medicinais, no meio do Freeport que a malta cala-se logo.
Mas toda esta polémica apenas porque o ministro tinha um tio que conheceu um inglês, que era casado com a administradora da Quinta do Lago, onde o tio acabou por comprar uma vivenda, tio esse que falou com o inglês, que queria falar com o sobrinho, que era ministro e que nunca falou, porque a firma Smith & Pedro tinha um Pedro que afinal diz que teve uma reunião em que o ministro estava presente, mas que não se lembra e que só assistiu à reunião onde o projecto foi abordado. Depois de burilado, foi a conselho de ministros três dias antes de serem substituídos por novos e ainda melhores ministros e... foi aprovado.
Nisto aparece um gabinete da polícia inglesa a sugerir que houve pelo meio uma verba de 4 milhões de euros que, tal qual aqueles donativos para Angola vão para um Roque Santeiro económico, do qual nem o rasto se consegue detectar, qual Maddie desaparecida num aldeamento algarvio.
Afinal a coisa até é simples de explicar... eu acho que aquela área do Freeport era "zona de patos bravos" protegidos, o projecto foi feito por patos bravos, aprovado por patos bravos e agora até querem fazer de nós "patos bravos". Irra!

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

BARACK HUSSEIN OBAMA

Aeroporto de Chicago, 11 de Setembro de 1971...
- passaporte por favor... de onde vem?
- venho de Djacarta na Indonésia, tenho dez anos e vou para casa dos meus avós no Kansas.
- caramba, o miúdo tem futuro, pai queniano, mãe americana, padrasto indonésio e muçulmano, ainda por cima preto... já te estou a ver numa prisão de Kansas City daqui por uns anos... boa viagem até Kansas!
Pois o rapaz tinha todas as condições para ser o "rei" no lado errado da noite, como canta o Jorge Palma, mas esta sociedade injusta e discriminatória das minorias e dos direitos do homem, das crianças, dos idosos e dos animaizinhos, valha-lhes Deus, não mais ligou a este jovem educado em igrejas cristãs e depois muçulmanas (não sei se haverá alguma foto com o pequeno Hussein de joelhos e bunda levantada a rezar numa qualquer mesquita, mas era um furo jornalístico que me daria para passar umas férias em Honolulu...).
Entretanto o rapaz foi crescendo, não lhe apetecia vender droga nem armas e deu-lhe para estudar, vá-se lá compreender esta malta com tantas "quintas da fonte" e "vilas d`este" para desenvolver e dá-lhes para estudar mesmo sem o apoio do SOS racismo, da "porta amiga", "porta aberta" e "porta arrombada" que há em cada esquina para apoiar, recuperar, reciclar e reproduzir com pensos, seringas e meias-doses.
Aeroporto de Chicago, 11 de Setembro de 2001
- passaporte... Barack Hussein Obama?
- sim...
- viveu no Quénia, onde rebentaram com a nossa embaixada... viveu na Indonésia, onde os nossos inimigos muçulmanos rebentam bombas todos os dias, chama-se Hussein e só lhe falta ser Sadam e além do mais tem uma cor esquisita...
- mas eu sou professor universitário, senador...
- oh Mac Carthy leva este gajo para interrogatório e se desconfiares dele manda-o para Guantanamo...
Mesmo depois de ter sido educado por muçulmanos e cristãos o agora homem, professor universitário e senador de Ilinois (como lá chegou é que ainda não se sabe bem, porque o que o substituiu teve de pagar para ficar com o lugar no senado...) declara-se a favor do aborto, o que me leva a pensar que ainda andou noutra religião que eu desconheço, a favor da união de facto porque de facto é só comprovar a união e já está e a favor também da regulação da venda de armas, o que acho bem porque um jovem de 14 ou 15 anos comprar uma pistola sem pagar o IVA é muito perigoso.
Tem aqui um pequeno contra que eu descobri, mas que com a ajuda do nosso Sócrates, o presidente Hussein vai concerteza resolver, que é o seu voto contra o casamento de homosexuais, coisa que eu acho mal porque com esta descida abrupta de nascimentos em Portugal constato que a grande diferença que existia de uns procriarem e outros não, está a cada dia a desvanecer-se, ou seja podem casar-se à vontade, tanto homo como hetero, que procriar não é com uns nem com outros.
Só espero que a seguir seja eleito um hispânico (nascido em Cuba é que era), depois um chinês que tivesse começado a vender relógios em Chinatown, a seguir um índio com a pele bem vermelha, um gay, o cavalo do mister Ed, um cowboy e daqui a 37 presidentes outro branco que é para eles saberem o que custa estar na oposição... tal e qual o Porto que esteve 19 anos sem ganhar o campeonato e agora é o que se vê.
Congratulations Mr. Hussein!

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

UM DIA A CASA VAI ABAIXO...

É verdade, todos temos a ideia de uma vida longa, muito longa, sem problemas físicos, sem grandes acidentes de percurso, onde vão milhares ou milhões de outros cidadãos que não nós... mas um dia a situação altera-se e apercebemo-nos que somos demasiado frágéis, demasiado negligentes e com um físico que não tem conta-corrente. Segundo os livros, um indivíduo que tenha uma prática fisica regular ao longo de muitos anos não acumula benefícios capazes de o manter a salvo de uma qualquer doença, até porque os efeitos do exercício físico se esbatem num período bastante curto de inactividade, talvez dois meses no máximo.
Só assim se compreende que Manoel de Oliveira tenha praticado atletismo até aos 20 anos e depois foi um "maratonista" da cadeira de realizador de cinema nos últimos 80 anos com menos barriga que o verdadeiro maratonista que foi Carlos Lopes.
Bem, o que acontece é que depois de uma passagem de ano ao relento numa praia bonita, de uma negligência em relação a sintomas perturbadores, como tosse, pieira bronquica, febre e muitas dores de cabeça, que me levaram a trabalhar até às cinco da tarde e a ser internado no hospital às seis, cheguei à conclusão que um dia a casa acaba por "vir abaixo" e depois tudo o que se pensava que era impossível acontecer-nos... aparece sem dar cavaco.
E uma semana internado no hospital até nem é tão mau como isso, com dezenas de telefonemas a lembrar-nos que ainda se lembram de nós, mais visitas que nos ajudam a passar aquelas intermináveis tardes, com enfermeiros(as) dedicados e competentes, auxiliares que fazem o que eu nem imaginava, médicos que além da sua tarefa ainda acabam servindo de apoio a todos os que por infortúnio nem sabem para onde se virar, com estagiárias minhas antigas alunas que se lembram logo do professor assim que me vêem... podem acreditar que essa treta das urgências funciona mal porque é gente a mais a querer ser atendida a dores imaginárias ou reais, mas eu tenho uma boa experiência do que é estar internado num hospital de uma média cidade, como é o caso de Torres Novas. Na urgência correu muito mal, estive oito horas à espera de um veredicto, mas assim que me colocaram em medicina interna, associei tudo aquilo a um hotelzinho de três estrelas, com refeições a horas certas (pequeno-almoço, almoço, lanche, jantar e chá das onze), onde se pergunta ao doente o que deseja comer fora das duas refeições principais, onde é fornecido ao doente, caso não tenha, shampoo, pasta e escova de dentes, pijama lavado todos os dias, banho com apoio aos doentes mais limitados, medicação a horas certas, onde fazem a barba ou fornecem o material necessário, onde se fornecem via telefone todas as informações sobre os doentes, na impossibilidade de deslocação ao hospital, onde a limpeza é quase uma obsseção, onde o ar condicionado nos deixa na temperatura ideal dia e noite... onde pude verificar porque é que uma pneumonia se pode controlar e quase curar numa semana.
Vinte e sete anos depois de ter sido operado aos ouvidos em Santa Maria, onde a minha esposa tinha de levar talheres porque o hospital não os fornecia, o avanço é enorme, dando até para me surpreender que Portugal esteja em 27º lugar na classificação dos países com melhores cuidados de saúde... ou é porque olharam para o caos das urgência ou então nos outros países melhor classificados os doentes têm quarto particular, com um enfermeiro em cada cama a tempo inteiro e um computadorzinho em cada mesa de cabeceira.
Gostei bastante, mas espero voltar para outro internamento daqui a mais vinte sete anos... só porque espero que até lá as urgências funcionem melhor.