quarta-feira, 10 de março de 2010

UMA PROPOSTA

Ao longo dos últimos anos e por cada governo que muda ou se mantém, temos sido confrontados com a sempre propagandeada proposta de reestruturação da "Segurança Social" e demais sistemas existentes, no sentido de encontrar uma solução estável e igual para todo e qualquer cidadão que trabalha e pretende receber uma reforma justa, tendo em conta o que descontou e o tempo total de desconto.
Como esta gente que nos vem, ou se vem, governando não suporta coisas fáceis, porque depois qualquer pessoa com a aritmética da antiga 4ª classe podia dar uma ajuda e isso seria insuportável, os pensadores inventam a cada ano que passa novas fórmulas, cada vez mais mirabolantes, com pontuações diversas, com vencimentos de anos anteriores ou posteriores, inflações e deflações, com calculos de sustentabilidade e descontos, de tal maneira que os possíveis candidatos à aposentação já nem sabem o que lhes pode tocar, no final de contas e do mês.
Num país meio desenvolvido, que não vem ao caso enunciar, a aposentação tem uma formula tão simples que até um analfabeto sabe com o que conta, ou seja: Idade + tempo de trabalho = 90. Esta formula tão simples indica que a reforma é calculada pela soma da idade e dos anos de desconto, sendo que o resultado tem de ser 90, mas esse resultado tem em conta a esperança de vida da população que neste momento é de cerca de 70 anos.
Uma vez que a esperança de vida em Portugal é de cerca de 76 anos para os homens e 82 para as mulheres, o que daria uma média de 79 anos, só teriam os responsáveis que colocar a soma da idade com o tempo de descontos num total de 100, sem mais contas, descontos ou promoções como o "pingo doce". Era fácil, barato e só não daria milhões porque todos sabemos que há pouco para distribuir e o que há está mal distribuído, mas era uma fórmula que preservava os direitos de quem trabalhou muito tempo, pouco ou nenhum, ou seja:
- uma pessoa que começou aos 14 anos, que os há, teria direito a reforma aos 57 anos, com 43 de descontos (57+43=100);
- uma outra que começasse aos 25 anos teria direito a reforma aos 62,5 anos, com 37,5 de descontos (62,5+37,5=100);
- outra pessoa ainda com 20 anos de descontos, teria direito a reforma aos 80 anos (80+20=100);
- uma outra que nunca fizesse descontos, teria direito a reforma aos 100 anos de idade (100+0=100).
Condição única - quem não somar 100, não tem direito a reforma.
Porque é que uma coisa tão simples e equitativa não é aprovada por quem governa? será que não lhes convém? era possível sair dos cargos do governo, assembleias, câmaras e milhentos outros organismos do Estado com meia dúzia de anos de desconto e uma reforma igual à de qualquer outro trabalhador com o mesmo tempo de trabalho e os mesmos descontos? era, era, mas não era a mesma coisa...

terça-feira, 9 de março de 2010

O CONTROLE DA COMUNICAÇÃO SOCIAL

Estava eu muito descansado, porque eu descanso, ou melhor, não me canso na maior parte do tempo livre que vou usufruindo, apenas porque esse é um dos objectivos a que me propus no tempo presente, especialmente aos fins de semana, mas muitas vezes e mais vezes que aquelas que o meu corpo e espírito toleram há factos que me deixam de rastos, não aquele cansaço que leva alguns maratonistas a tombar mal passam a linha de chegada, mas de rastos no sentido figurado, mais psicológico, mais perceptivo-cinético, mais cerebelo-talâmico-cortical que, se não sabem, até fico a ver mal e a perder o equilíbrio... enojado, estão a ver?
Pois no Domingo tive o desprazer de ter a televisão ligada num tal canal que transmitia um programa " Perdidos e achados", pouco achado e totalmente perdido o programa, claro, o tempo e a paciência, porque alguma mente brilhante achou por bem mandar uns jornalistas, operadores de câmera e associados ao Brasil entrevistar o infelizmente célebre Militão, o "artista" que enganou, roubou e mandou assassinar seis portugueses, alguns dos quais o consideravam amigo e que às suas ordens acabaram por enfrentar uma morte horrível, massacrados e enterrados vivos numa barraca de praia.
Pois a televisão que temos, pobre de programas, administradores e directores de informação, achou por bem retirar da arca mórbida em que esconde o que de mais baixo tem a sociedade actual e mostrá-lo ao povo, através da divulgação de uma entrevista com este triste exemplar do crime que, felizmente, não foi julgado em Portugal, caso contrário já estaria a dar entrevistas no Terreiro do Paço com o Tejo ao fundo.
Não contentes com isso, lá foram mais uns jornalistas tentar entrevistar as seis viúvas, concerteza convencidos de que era mais um furo jornalístico, talvez até com mais audiência que as "escutas" do Sol, mas esqueceram-se que no Portugal profundo e digno as pessoas não vendem a alma a uma entrevista de televisão, não têm o pedigree do "emplastro", sabem ser dignas da memória de pessoas que lhes são queridas e gostam de preservar a sua imagem, pelo que abandonaram o local do crime após a recusa generalisada de protagonismo da quase totalidade das famílias das vítimas.
O assassino Militão lá continuou a tentar chorar umas lágrimas que só convenceram o jornalista, perante um sorriso do chefe da prisão que já não se comove com lágrimas de crocodilo, pedindo perdão, dizendo-se um homem novo, só não tendo argumentos para justificar uma fuga da prisão e a constituição de um gang que raptava e sequestrava pessoas sob o seu comando desde as grades da prisão.
Por tudo isto eu acho que a comunicação social não deve ser controlada, nem pelos partidos, nem pelos governos, mas deve ter a olhar toda a programação uma pessoa adulta, íntegra, eticamente intocável, com registo criminal limpo, com mais de 65 anos e sábia de preferência, escolhida por concurso público em escrutíneo nacional por um período de tempo limitado e com poderes para impedir todos os "perdidos e chachados" programas de tv que dêem tempo de antena a gatunos, inimputáveis e assassinos, mantendo fora do ecrã milhares de cidadãos honestos, inteligentes, trabalhadores e cumpridores dos seus deveres profissionais e sociais. Esses só têm direito a pagar impostos e a subsidiar essas "estrelas" da tv.

domingo, 7 de março de 2010

O GOVERNO "BULLYING"

Ao ler uma crónica excelente do meu amigo Miguel Sentieiro sob o título "A Chunga", referindo-se a uma minoria de alunos perfeitamente mal comportados, oriundos de família também mal comportadas, normalmente apresentadas como contrapeso de uma má consciência colectiva que quase nos obriga a pedir desculpa por sermos bem comportados, lembrei que isso do "bullying" está em todo o lado, na família, na escola, ao lado da escola, no clube, no emprego, no governo local, regional e nacional, porque isto de empurrões físicos e sociais é o"dia a dia" de quase todos os que por aqui andam.
Claro que todos fazemos "bullying" quando não respeitamos o outro na fila do refeitório escolar, ou no restaurante, no estádio, no parque de estacionamento, no shopping, no autocarro, na auto-estrada, empurrando, pisando, ultrapassando, chamando nomes à mãe do guarda-redes que bate o pontapé de baliza, pontapeando toda e qualquer boa educação que tenha tido no banco da escola primária, ofendendo a dignidade de qualquer um com palavrões e atitudes indecorosas na frente de filhos e amigos... claro que ninguém é santo e eu também não suporto uma sociedade de padrecas onde as virtudes são públicas e os vícios privados, mas o contrário também não pode ser a regra.
E o "governo bullying" que temos? aquele feito de boys que saíram das faculdades independentes, das pós-graduações tiradas nas férias de verão, ou de teses de mestrado "copy/paste" sobre os distúrbios psico-sociais do bairro da Bela Vista inseridos nas brechas da sociedade capitalista, pavões vindos da luta de classes do MRPP, AOC, FEC-ML, MES, PSR que acabaram por aterrar na nora dos "partidos de governo" e seus herdeiros, esses sabemos muito bem como praticam o "bullying da sucata", o "bullying do BPN", o "bullying do deficit", empurrando os trabalhadores, dando-lhe porrada sistemática, quer no tempo de serviço, nas reformas ou no desemprego, sem que quem de direito os ponha na ordem.
Esta semana comprovei a existência e validade da "excessão à regra" que umas vezes comprova e outras vezes justifica o "bullying estatal" ao ver uma reportagem televisiva sobre o nosso Presidente Cavaco Silva, pessoa em quem nunca votei e que numa análise superficial eu achava teimoso "até dizer chega", primeiro porque tinha um BX igual ao meu, simples professor", quando foi eleito primeiro ministro, não lia jornais e agora porque vive há quarenta anos no mesmo andar e sem aquecimento, coisa que eu não dispenso na minha vivenda que tenho vindo a construir desde há trinta e três.
Com um povo assim tão poupado como o Presidente da República, meus amigos, o saldo negativo do PIB nunca teria existido, mas... agora me lembro que o Dr. Cavaco Silva tem uma reformazinha como professor universitário, uma outra como quadro do Banco de Portugal, outra ainda como ex-Primeiro Ministro e dentro de algum tempo, uma outra como ex-Presidente da República, o que me faz acreditar que o "bullying do Estado" continua e de boa saúde, com a agravante de o facto de ainda não ter aquecimento no apartamento pessoal já não é tanto de natureza económico, mas talvez seja desleixo.
Do "bullying do governo" nem é bom falar, porque de cacetada nos trabalhadores, o governo de José Sócrates é bem pior que o Petit quando jogava no meio campo do Benfica, era porrada em quem lhe aparecia pela frente e o governo, esse dá por todos os lados.

segunda-feira, 1 de março de 2010

CIÊNCIA?

Desde que me conheço que gosto do jogo "da bola", como dizia a minha mãe e desde muito pequeno que entrei no jogo a troco de 5 caramelos da bola, aqueles das coleções de cromos que comprava na loja do sr. Zé, lá na rua 31 de Janeiro e que tinha de pagar para poder jogar com a bola de "cauchú" do Chico Frazão, o filho do oleiro do bairro do Viola, onde vi pela primeira vez na vida os famosos "bonecos das Caldas", desde o mais pequeno até ao elucidativo de 5 litros, que dava para encher de vinho por altura da tourada do 15 de Agosto.
Como era um pouco maior que os da minha idade, tive o privilégio de começar a ser escolhido para a equipa do dono da bola por volta dos 10 anos e aí, já como jogador "titular" nem precisava de pagar os tais caramelos da bola, pelo que era jogar até se fazer noite e ouvir gritar que "o jantar está na mesa"...
Os anos passaram e de jogo de "pé descalço" e de "más companhias", o futebol começou a ser tratado como uma coisa mais séria, onde quem tinha algum jeito procurava uma colocação profissional à sombra de um clube, através de umas cunhas na Câmara Municipal, nos escritórios de alguma empresa ou numa actividade mais limpa que o trabalho duro das fábricas ou dos campos.
Entretanto, a crónica desportiva apareceu meio envergonhada e ainda me lembro que o Benfica teve um treinador inglês chamado Jimmy Hagan, o qual foi campeão três vezes seguidas, nos três anos em que treinou o clube e nunca deu uma entrevista aos jornais, rádio ou televisão, apesar de serem outros tempos, revela bem a forma como o futebol, o desporto em geral e os seus agentes desportivos não serviam sequer para tomar o pequeno almoço com os primeiros-ministros cá do burgo.
Hoje a coisa é bem diferente e agora sim, o futebol é uma indústria, os jogadores são estrelas do jogo e da publicidade, e para além do mais tem uma multidão de profissionais, desde o "emplastro" que voltei a ver na SIC, nas costas do jornalista que dizia o óbvio durante vários minutos, até ao comentador encartado que nos dava lições de táctica, estratégia, leitura de jogo e posições daquele que ia ser um verdadeiro jogo de campeonato, onde nada se decidia mas tinha também aspectos diríamos até... decisivos.
E nada como fazer do jogo a verdadeira leitura, onde o visitado estava bastante mal e onde o favoritismo era do visitante, claro, até porque no último jogo tinha dado uma cabazada... e nem temos de ir ver o histórico dos jogos entre eles, bastando apenas e só, comparar o currículum dos treinadores para chegar à conclusão de o estádio não conseguir encher, uma vez que os adeptos da casa estão muito desmotivados...
O quê? os mais fracos ganharam por 3-0? então mas esta "coisa" do futebol não é uma ciência? Pois ainda bem que não é, porque se fosse eu já sabia que o melhor ganhava sempre e já há muitos anos teria deixado de gostar desse jogo previsível sim, mas só o suficiente para que todos os adeptos possam imaginar a sua equipa a ganhar quando todos pensam o contrário, o que me leva a sorrir quando vejo e oiço tantos e tão pitorescos comentadores a fazer deste jogo uma ciência, afinal com os mesmos elementos de análise e resultados tão certos umas vezes e tão ridículos outras...
Afinal Jimmy Hagan tinha razão quando lhe tentavam arrancar uma análise ao jogo... "no coments!". É que assim, nunca se enganava nem caía no ridículo.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

SONHOS...

Sonhar?! Não custa nada!...
Mas nestes sonhos que dou
Vão alongando outro sonho
Que nem sequer começou.

Sonhar de noite?!Que azar?...
Não tenho medo da noite,
Nem medo de me cansar
No sonho por onde vou...

Fugirei de algum medo
Que todos temos, não é?
Mas vem o dia e entendo
Não ter de perder o pé...

Vou correndo até ao Sol
E no dia em que chegar,
Ficarei assim, bem mole,
Sonharei o teu olhar...

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

PREOCUPAÇÃO

Lisboa, 24 fev (Lusa) - O secretário de Estado da Administração Pública apelou hoje ao "sentido de responsabilidade" dos sindicatos para evitarem que alguns funcionários públicos se precipitem no pedido de reformas antecipadas com fortes penalizações.

É verdade, o Governo está preocupado com os funcionários do Estado, porque na verdade está a constatar que muitos desses funcionários estão a tentar uma reformazinha que pode ser inferior em 50 ou 60% do seu vencimento actual, o que revela três coisas: ou os funcionários estavam a ganhar demais e mesmo com esse corte nas reformas continuam a ganhar bem, o que pode ser possível, mas não acredito, uma vez que a uma média de vencimentos de mil euros corresponderia uma média de aposentações de 400 ou 500 euros; ou o governo pensava que os seus funcionários não faziam nada e não se importavam de continuar mais uns anos sem fazer nada, o que esta corrida às reformas antecipadas contraria, porque só alguém muito estúpido deixaria de ganhar mil euros para não fazer nada e passaria a ganhar 500 para não fazer nada também; ou o governo está a verter lágrimas de crocodilo ao dizer-se preocupado, depois de ter alterado as condições de reforma várias vezes e agora já começa a ser várias vezes ao ano, o que de certa maneira se compreende, uma vez que de tão baixas que vão ser as reformas, dentro de algum tempo não há outra hipótese que não seja dar mais algum subsídio de manutenção de funções vitais para que os desgraçados que descontaram uma vida inteira se mantenham vivos.

O governo diz-se preocupado com os funcionários públicos que estão a antecipar a reforma, mesmo perdendo boa parte dessa reforma, mas não procura saber porquê, uma vez que é melhor vir com "cantos de sereia" para a comunicação social ou enterrar a cabeça na areia, como a avestruz, mas pelo que me é dado perceber e também por experiência própria, posso adiantar algumas razões, não todas porque não haveria espaço para tanto, mas para esses preocupados governantes as razões fundamentais estão à vista de toda a gente, querem ver?

1 - um funcionário público aceitou subscrever um contrato de trabalho com o Estado, que lhe conferia o direito a uma reforma sem descontos ao cabo de 36 anos de descontos;

2 - quando estava prestes a completar 36 anos de descontos, o governo não cumpre com as obrigações do Estado e diz que não pode ser, introduzindo alterações, obrigando as pessoas a trabalhar mais 5, 6, ou 7 anos para receber uma reforma que nunca pode ir além de 88% do salário, porque entretanto introduziu sabe-se lá onde, o "factor de sustentabilidade" que, qual rato, vai roendo a reforma a cada ano que passa;

3 - introduziu a penalização de 4,5% ao ano por um período de tempo que alterou a seu bel prazer para 6% ao ano de uma forma extemporânea, não dando tempo às pessoas de prever o seu tempo de trabalho e perspectivar a reforma;

4 - começa a "lançar a escada" para a comunicação social ir aventado a hipótese de aumento da idade de reforma dos 65 para os 67 anos, desmentindo logo de seguida, tal qual o presidente de um clube de futebol que vai dando todos os sinais de confiança ao treinador uma semana antes de o despedir;

Com este clima, em que os funcionários já desconfiam que "isto" só tem tendência a piorar e que, caso se mantenham a trabalhar mais uns anos o resultado é virem a receber ainda menos, o que queria este governo? é bem verdade, como dizia um cómico já desaparecido, que os funcionários públicos são doidos, mas não são malucos, como se uma coisa fosse diferente da outra e um governo preocupado consigo fosse um governo preocupado connosco.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

FINANÇAS...

"É impossível levar o pobre à prosperidade através de legislações que punem os ricos pela prosperidade".
"Para cada pessoa que recebe sem trabalhar, tem de haver outra que trabalha sem receber".
" O governo não pode dar para alguém aquilo de não tira de outro alguém".
"É impossível multiplicar riqueza, dividindo-a".
Rogers Adrian, 1931
Sempre pensei que a pobreza não é apenas uma situação de falência financeira, mas um conjunto de falências, financeira sim, mas também social, escolar, psicológica e afectiva, que acaba por minar as pessoas retirando-lhe os meios de subsistência mínimos, mas também a auto-estima e a lucidez sempre necessárias. Ao longo dos anos tenho observado jovens oriundos de famílias pobres, com uma estrutura psicológica estável e um envolvimento que proporcionou a esses mesmos jovens alcançar os objectivos profissionais por que sempre lutaram, alcançando patamares económicos, sociais e profissionais de nível elevado.
Outros provenientes de famílias de classe média/alta revelaram pouco empenho na sua formação, pouco investimento a todos os níveis e hoje culpam a sociedade pelas dificuldades que entretanto foram encontrando quando o apoio dos familiares diminuiu ou acabou.
A sociedade do bem estar e da abundância, a sociedade-amiga, a sociedade dos direitos humanos, dos animais, das criancinhas, dos subsídios, talvez com muitos pesos na consciência, foi sempre mais paternalista e proteccionista dos coitadinhos dos pobrezinhos que daqueles que levantaram a cabeça e encararam de frente os seus problemas, no sentido de os resolver com o seu próprio esforço. Entretanto à semelhança de um tal primeiro ministro inglês percursor da "3ª via", também o estado dos "boys friends" se foi instalando no poder, tentando fazer das histórias do Robin dos Bosques, o seu programa de governo, numa terceira via contemporizadora da sociedade onde sempre haverá quem lute e se esforce e quem não faça nada.
Qual "exército da salvação" espalharam-se por todas as administrações executivas, não-executivas, empresas públicas, semi-públicas e publicamente apelativas, com pais, filhos e enteados, assembleias republicanas, maçónicas, universidades mais ou menos independentes, jornais, revistas e tribunais, confortando-se com subvenções milionárias e organizando os serviços do Estado para dar umas migalhas aos pobrezinhos, para que nada mude, os que trabalham não façam barulho com o que têm de pagar em impostos e os que nada fazem fiquem satisfeitos com um desses inúmeros subsídios.
E agora vem a Europa dizer que temos de apertar o cinto? ok, colocam-se os que trabalham a descontar um pouco mais na prestação da casa, nos descontos para a reforma, para a doença, para o IVA, para o combustível e para o IRS, porque temos de manter os subsídios aos que nada fazem, coitados... afinal eles não têm trabalho, mas não sei porquê neste país são sempre os mesmos que não têm trabalho, aliás um amigo meu dizia com alguma graça que haviam 500.000 desempregados, veio quase um milhão de imigrantes de leste, arranjaram trabalho e... os 500.000 desempregados mantém-se firmes e hirtos.

POEMA VERDE

Acredito nos anjos que ajudam,
Nas deusas com olhos tão brilhantes,
Acredito nas amizades que abundam,
Em teu coração, como diamantes.

Acredito que sintas bem profundo
a força da verdade por instantes,
Acredito, vais ao céu por um segundo
E contas-me como ele era antes.

Acredito nos deuses de um mundo puro,
No livro da vida que nos dá um rumo,
Acredito na amizade que me sabe bem.

Acredito até nas coisas dolorosas,
Na mágoa de ausentes prosas,
Nas asas da amizade, também!

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

ESCUTAS

Ainda não acabaram as famosíssimas novelas do Freeport, dos andares comprados pela mãe do senhor primeiro-ministro, das sucatas, do deficit, da TVI, da face oculta e do mais que por diante aparecerá por obra e graça de algum tenebroso jornalista e já vamos nas 21.16 horas do jornal da SIC, o que se não se compara às clássicas "lavagens ao cérebro" das polícias políticas do século XX, confunde-se com as "lavagens de roupa suja" do século XXI.
Trrimmm, trrimmmm!
- alô, senhor primeiro-ministro? é o Vara...
- sim, sim...
- é por causa do "face oculta"...
- ahhh... se é por isso não estou, ou melhor, eu vou atender mas é como José Sócrates... por favor pá, não me comprometas, que de ferro velho só me lembro daquele primeiro carro que comprei quando fazia casas de azulejo na câmara da Covilhã...
- era só pra dizer que os jornalistas estão a investigar a minha vida privada, primeiro foi a licenciatura em Relações Internacionais, depois uns cobres que eu ganhei a jogar póquer com o Manuel Godinho... tudo coisas privadas...
- então não te preocupes porque o primeiro-ministro nunca vai saber disso, mas o José Sócrates vai tentar resolver.
- Obrigado oh José Socrates!
Trrimmmm, trrimmmm!
- tá lá? Vara?
- sim, José Sócrates?
- Qual Sócrates qual carapuça! daqui fala o primeiro-ministro... é só para te dizer que vamos aprovar o orçamento para 2010 e como estás no BCP, ou não estás mas estás, ou recebes mas não estás...
- mas... mas...
- pelo que prepara aí o pessoal para uns impostos sobre prémios de desempenho, porque temos de dar um arzinho de Robin dos Bosques, tirando um pouco aos ricos para aumentar os subsídios de inserção, entendes?
- então é esse problema da TVI, da Manuela Boca Guedes e tal, vais conseguir resolver isso?
- oh Vara, naõ confundas as coisas, o primeiro ministro não sabe de nada, não quer saber desses jogos políticos e não interfere com a justiça, pelo que... tás a falar com o José Socrates ou com o primeiro-ministro?
- oh camarada eu já estou baralhado... já nem sei do que falo nem com quem falo...
- então é melhor desligares que me parece que estamos a ser escutados... tou? tou? tenho de mudar de telemóvel... ou de amigos? ou de governo?

sábado, 6 de fevereiro de 2010

O PAÍS DO "FAZ DE CONTA"

Meus caros, vamos "fazer de conta", aliás todos nós alguma vez na vida fizemos e fazemos de conta, umas vezes fazemo-nos de galãs, de ricos, de estrelas de cinema, de tv e revistas, de empresários de sucesso, de realizadores de cinema, de cantores americanos de preferência, ou latino-americanos para aumentar o número de fans que compram cds, mas também fazemos de conta que somos políticos, na esperança de que alguém com responsabilidades nos oiça, sempre que debitamos à mesa de café a "tal" solução para os problemas do país.
Pois bem, também já me travesti de todas estas personalidades, imaginando-me a receber prémios disto e daquilo, palmas de Canes ou globos de Hollywood, mas acima de tudo louvores, sim, louvores é que eu acho o máximo, é como ter atingido o zenit, ficar lá em cima nas nuvens olhando milhões de portugueses a bater palmas, a levantar o queixo para cima e gritar como se de um golo do Ronaldo se tratasse. Quantos milhões de portugueses já imaginaram receber um louvor do encarregado, do chefe de repartição ou até mesmo do director, naquele que seria o culminar de uma carreira profissional de sucesso, exemplo até para as gerações futuras?
Uma pessoa amiga fez-me chegar fotocópia de um louvor especial, porque não é nada daquilo que eu pensava quanto a louvores, daqueles que o director da empresa, repartição ou escola dava ao funcionário no final de uma carreira de 40 ou mesmo 50 anos sem uma falta ao serviço, uma falha sequer na contabilidade ou uma utilização indevida dos meios ao seu dispôr, naquele que se presumia ser o último acto da vida activa de um qualquer trabalhador com salário mínimo.
Mas afinal há outro tipo de louvores, os chamados "louvores supersónicos", que tive o prazer de conhecer através do que encima a crónica de hoje, assinado pelo primeiro-ministro de Portugal, deste país europeu e democrático em pleno século XXI, de seu nome José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, de tal maneira que uma pessoa que começa a trabalhar a 26 de Outubro e sai no dia 30, ou seja 4 (quatro) dias depois, leva com um louvor que nem eu sonho obter e onde só pensava ser possível de um qualquer primeiro-ministro do Senegal, Sudão ou Zimbabué.
Esperemos que para além das dificuldades que o nosso país está a atravessar, o primeiro-ministro se lembre de louvar também o amanuense que inscreveu um aumento de 3,2% na rubrica de automóveis e gabinetes de ministros para o ano de 2010.
Deus seja louvado!