domingo, 5 de julho de 2009

UBIQUIDADES...

Horas de silêncios incontidos,
bafos e abafos, tanta dor,
sombras dos cabelos tão compridos
em que afogas mares de amor.

Lamentas tudo o que resiste
e em ti mesma é juízo e é pecado,
o som deste murmúrio em que ouviste
o amor tão forte, num recado.

Soltas teu prazer, tua loucura,
abraças o desejo de nós dois,
mandas passear essa censura,
sentes esse orgasmo, e depois?

Que venha quem puder e te retire
o amor, o prazer e tudo o mais
desde que o corpo não suspire
o canto da maré de novos ais.

Sonhos revestidos, travestidos,
amas uns e outros bem diferente,
culpas as estrelas sem gemidos
e queres ser feliz em toda a gente.

sábado, 4 de julho de 2009

CENAS TAUROMÁQUICAS

Claro que não foi de bom tom, nem de bom senso. a atitude do ex-ministro Pinho, mas eu compreendo o homem, quem melhor que os portugueses para interpretar o gesto efectuado na Assembleia da República? depois de tantas touradas, com bandarilhas, rabos e orelhas cortados, voltas ao redondel e música para os ouvidos dos aficionados, com estes "peões de brega" que, como dizia o Ary dos Santos, não pega, aqueles corninhos na assembleia quase me pareceram uma birra da criança que não quer comer a sopa e faz isso ao pai, com ou sem razão...
E, aproveitando aqueles cartazes dos "6 bravos toiros 6" da ganadaria Sócrates, antes que sucedesse algo mais grave ao chefe de forcados, o melhor foi colocar o Pinho na reserva, assim como aconteceu com o Correia de Campos, que marrou com os doentes, o Campos e Cunha que só queria marrar com os contribuintes e outros bravos e corpulentos ministros que se safaram de morrer em plena praça, mas que vão recolher à enfermaria cheios de hematomas, porque a Maria de Lurdes e o Lino "Jamais" fartaram-se de apanhar com pares de bandarilhas no lombo.
E diz o "inteligente" que acabaram as touradas neste país, ele que neste "campo pequeno" não tem feito outra coisa nos últimos quatro anos que dar "chinquelinas" ao povo, cravá-lo de bandarilhentos impostos, divertir-se com verónicas promessas e obrigar os desgraçados a pegar a crise de cernelha... mas os cornos do ministro não passaram de uma infantil garraiada, punida sem dó nem piedade pelo mestre de cerimónias, antes que o pessoal se chateasse e o mandasse de volta à ganadaria das beiras.
Acredito até que os chifres que o aficionado Pinho colocou a si mesmo só lhe trouxeram dissabores por serem pequenos. ou não viram aqueles dedos pequeninos que mais pareciam cornos de cabra? então há por aí tantos com eles bem grandes e revirados, quais vacas charolesas e ninguém toma medidas? eu disse vacas charolesas, mas podiam ser tgvesas, aeroportesas, freeportesas, bpnesas, bppesas que a origem não tem qualquer importância... mas o infeliz do Pinho é que levou com a praça toda em cima e talvez até com os da "liga portuguesa contra as touradas", quase o fazendo mais um dos 500.000 desempregados, não fosse a mão amiga do Joe Berardo que, ainda o homem não tinha recebido uns milhares de subsídio de reintegração, já estava a propor-lhe um lugar como administrador da sua fundação.
Uns com tanta dificuldade em arranjar um lugarzinho, mesmo com o salário mínimo, outros com tanto convite... isto só lá vai à cornada, oh Pinho!

domingo, 28 de junho de 2009

O SENHOR ENGENHEIRO

Se falo alto não tenho razão,
se falo baixo ninguém escuta,
se me rio, pois então
gozo o povo que não tem culpa.

Gasto até o que não tenho
para fazer feliz este país,
não têm em conta o meu empenho,
dizem que não passo de aprendiz.

Faço ministros, pontes e reformas,
sou franco, simples, verdadeiro
e no fim de tantas obras
duvidam do canudo de engenheiro.

Vou calar esse arraial
que só vive da inveja de quem pode,
ficarei na história em Portugal
nem que os ponha a passar fome.

São o Guta, o Sampaio, o Zé Manel
em cargos europeus e mundiais...
porque duvidam do papel
onde me enterro muito mais?

Um dia vão ver como terei
um convite bem melhor e mais bem pago...
se me convidarem, não sei,
mas sair daqui? só empurrado!

quinta-feira, 18 de junho de 2009

O TAL PAÍS...

"Há tantos burros mandando em homens de inteligência que. às vezes, fico pensando que a burrice é uma ciência."
Ruy Barbosa
Portugal, 18 de junho de 2009, o tal país que não vem nos relatórios da OCDE, da ONU, da CEE, da UNESCO, da... da... da... desse país imaginário, que nem Sócrates, Platão ou Aristóteles alguma vez pensaram que poderia existir, milhares de anos depois de cá terem andado a formar as massas, pois é desse "tal país", mais próprio de um sketch do Herman, que quero abordar numa temática caríssima ao engenheiro Pinto de Sousa e seu inefável ministro Vieira da Silva.
A estória da D. Ermelinda conta-se em poucas palavras...
- Oh Mariazinha não te importas de ir comigo à Segurança Social para tentarmos entender porque me retiraram a reforma?
- Retiraram-lhe a reforma???
- É, eu recebia 203 euros por mês, porque descontei aqui durante 13 anos, até ir com o meu marido para a Holanda... como já tenho 85 anos, se calhar acham que eu já deveria ter morrido...
- Se calhar você tem também uma reforma da Holanda...
- Tenho, tenho, eu nunca te falei nisso? quando o meu marido morreu, lá na Holanda ficaram a dar-me 19,49 € (Dezanove euros e quarenta e nove centimos) por mês...
Pois é, são quase vinte euros por mês que vêm da Holanda.
- Então vamos lá à Segurança Social...
O problema foi colocado ao amanuense de serviço lá da Segurança Social e consultado o computador logo se verificou tudo...
- A senhora teve a sua reforma suspensa porque acumulava uma reforma da Holanda e não pode acumular...
- Mas são só 19,49€ por mês...
-É o mesmo, até podiam ser 19.000,00€... não pode receber duas reformas ao mesmo tempo... além disso ainda tem um suplemento de 143,00€ por mês de pensão de sobrevivência, mas se a senhora acha que está mal, pode reclamar por escrito, que eu não posso fazer nada.
Então vamos lá fazer contas, a D. Ermelinda, ganhava ilegalmente 365,49€ por mês, face a uma acumulação de pensões na Holanda e em Portugal. Agora fica legal, a receber 162,49€ (cento e sessenta e dois euros e quarenta e nove centimos) por mês, o que a uma senhora de 85 anos deve chegar, uma vez que qualquer cházinho e uma torradas a alimentam.
Só há uma coisa que me intriga... parece que o Presidente da República recebe o seu vencimento e acumula a reforma do Banco de Portugal onde trabalhou, da Universidade onde foi professor e mais uns trocos vitalícios por ter sido primeiro-ministro. Aqui as acumulações são legais, não?
Até podiam pensar que a D. Ermelinda era ficção, invenção minha, mas não... infelizmente é verdadeira, é real e faz parte da família.
Tal como dizia ontem o senhor engenheiro na tv, "até se me parte o coração"!
Ah, a D.Ermelinda já fez a reclamação por escrito e pela capacidade de resposta do Ministério da Segurança Social, todos rezamos para que consiga chegar aos 100 anos de idade, senão ainda teremos que ir ao cemitério levar-lhe a carta do tal Vieira da Silva.

domingo, 14 de junho de 2009

FUNDAÇÕES...

De vez em quando somos confrontados com o aparecimento de "fundações", sejam elas o que forem e de que área do conhecimento ou desconhecimento se trate, como foi o caso da notícia e respectiva entrevista que o "Diário de Notícias" publicou com a nova Fundação Francisco Soares dos Santos, presidida por António Barreto, aquele ex-ministro da Agricultura que percebia tanto de agricultura como eu de lagares de azeite, mas que sob o diáfano manto de Mário Soares, liquidou a reforma agrária e consequentemente fez do Alentejo uma área demograficamente moribunda, quase ao nível do Sahara Ocidental.
Hoje tive conhecimento que o nosso "Barreto Rua" é o presidente de uma fundação, a qual com um orçamento de 5 milhões de euros anuais vai, como primeira medida, criar um site na internet para dar a conhecer as mais importantes informações na área da saúde, educação, demografia, etc... assim, sim, uma página na internet é obra e até já vejo um serviço online 24 horas por dia a dar todas as informações sobre, por exemplo, saúde.
- Desculpe, é da Fundação Soares dos Santos?
- Sim, sim, faz favor de dizer...
- Olhe, sabe dizer-me qual a farmácia de serviço em Fornos de Algodres? tou com uma irritação na garganta...
- Ora, um momento... Fornos, Fornos... é a Farmácia Central. Em que mais posso ser útil?
- Obrigado, mas agora não preciso de mais nada...
- Mas sabe, no nosso site da internet temos todas essas informações...
- Pois... obrigado.
E com um orçamento de 5 milhões de euros, ter a luminosa ideia de criar um site na net, é obra, oh Barreto, até porque isso depois leva a uns estudos, uns projectos, uns gabinetes de consultoria, mais uns de advogados (tenho a certeza que o Miguel Júdice não se mete nisso)... e se não houver algum rigor, chegamos a Setembro e já não há dinheiro para pagar salários...
Se não fosse esta reportagem do DN eu ía morrer completamente ignorante sobre esta realidade nacional, porque afinal eu conhecia a Fundação Gulbenkian, a Mário Soares, a Berardo, a Champalimaud, a Luso-Americana, a do Figo, a do Vitor Baía, mas fui esclarecido que só registadas com papel impresso e carimbo regulamentar são 120 (cento e vinte) e fundaçõezinhas estima-se que existam em Portugal umas centenas, mais ou menos 500 (quinhentas) para ficarmos entre as dezenas e os milhares.
Interessante é verificar que ninguém sabe quantas são, assim como não se sabe quantos funcionários tem o Estado, assim como também não se sabe quantos carros tem o mesmo Estado, ao contrário de um qualquer supermercado que sabe até quantas caixas de preservativos estão nas prateleiras.
Então se o Estado não sabe o que tem, que importa não saber quantas fundações existem, quantos subsídios, quantos descontos, quantos Barretos andam por aí a enfiar-nos o barrete?
Nem sei como o Loureiro, (estão a pensar em qual? não precisam...) o Vieira, o Betencourt, o Costa (também não sabem qual? nem eu...) ainda não se lembraram de fazer uma fundação.
Depois do que li hoje, nem BPNs, nem BPPs, nem nada... vou fazer uma fundação só pra mim!

quarta-feira, 10 de junho de 2009

SALVEM OS RICOS!

Com esta confusão da bolsa, das acções, dos investimentos em acções que se vendiam antes de se comprarem, com os gestores de fundos sem fundo, com administradores de bancos completamente negros, com bancos proprietários de outros bancos que nem sequer existiam, começo a perceber porque é que um amigo ía ao banco todos os meses, levantava o capital, contava a massa e depositava de novo... dizia ele que afinal o "dele" estava lá sim senhor, que o tinha contado.
A coisa pode estar preta, acredito que sim, mas apenas porque desde há umas duas décadas apareceu uma nova classe de gestores e administradores de bancos que começaram nisto sem o necessário "pedigree", porque esta coisa de mexer e administrar notas não se faz assim do pé pr`á mão, isto tudo tem de ser analisado segundo um quase científico ponto de vista económico e genético. Esta classe sempre pensou que o dinheiro do "zé" é deles logo que passa a porta do banco, confundiu a "estrada da beira" com a "beira da estrada" e criou bancos que só diferem da "dona branca" porque não metiam as notas em sacos de plástico.
Sempre achei que não se deve dar comida "bufet" a quem aparece esfomeado e nesta história da banca portuguesa, só se devia dar comida à descrição a quem já nasce sem fome, tipo Pinto de Magalhães, Cupertino de Miranda, Champallimaud, Roquete... analisem o que foi a vontade de comer de gestores com apelidos Costa, Loureiro, Caldeira e verificarão que nunca se deve colocar a caixa de chocolates à frente de quem só está habituado a sopa de feijão.
Claro que num Estado sem "estado de sítio", logo haveria de se ir buscar uma razoável percentagem aos lucros obtidos, os quais se distribuiriam em conformidade, mas esta treta democrática deu até para alguns "chico-espertos" nascidos do laranjal dos anos 90 edificarem bancos, claro que sempre é um negócio mais limpo que a metalo-mecanica, construção civil ou futebol, mas sempre desconfiei desta malta que consegue enriquecer em pouco tempo, até porque as famílias que citei anteriormente têm gerações de riqueza e de negócios claros, cinzentos e negros...
Estes Costas, Loureiros, Caldeiras e outros que não recordo não são mais que os "Alves dos Reis" do século passado, com uma única diferença bem importante e fundamental... o verdadeiro Alves dos Reis foi preso, passou fome e morreu pobre e doente, enquanto estes espertos do século XXI gozarão as fortunas que entretanto já colocaram em paraísos fiscais e rir-se-ão de todos os que honestamente lutam para se manter à tona de água.
Ainda não consegui perceber como é que o Presidente da República ganhou 150 mil euros e a filha outros tantos, porque comprou acções em 2001 e vendeu-as em 2003... com um negócio desses não seria inteligente comprar mais em 2004 e vender em 2006? comprar em 2007 e vender em 2009? ou o Zandinga teve o cuidado de o informar que estava pra chegar a "má moeda"?
Há coisas que eu nunca vou entender...

terça-feira, 26 de maio de 2009

À SAÚDE!

À saúde! sim, à saúde, à minha, à sua, à de todos nós, neste rectângulo mal amanhado e como diz um tal Ferreira no "Correio da Manhã", mal frequentado, muitas vezes por culpa dele mesmo, que manda uns bitaites, como se os outros fossem todos uns rafeiros e só ele tivesse pedigree bastante para ser passeado pela dona... a propósito hoje vi esse tal Ferreira jornalista a passar por trás do banqueiro Oliveira e Costa, aquando das declarações no parlamento, a propósito de uns milhares de milhões de euros que desapareceram do BPN sem deixar rasto. Quando eu fôr preso também quero ir prestar declarações ao parlamento e mandar umas "bocas" em directo na SIC Notícias, ahh mas eu hei-de levar as quase 300 crónicas do meu blog, que aquilo há-de chegar até para me darem um cházinho com torradas a meio da inquirição.
Mas não era nada disto que eu queria dizer, uma pessoa começa com um objectivo e vai por aí sem rumo a falar de coisas que não interessam a ninguém... o quê, o BPN começou com problemas em 2001? não faz mal, eu só começo a falar a partir de 2007, exactamente seis meses antes de dar ao "slide"... e lá estou eu a falar do BPN, até parece que tenho lá uns depósitos, se bem que o Figo uma vez quase me ía convencendo a colocar lá os carcanhóis, mas felizmente que os depósitos teriam de ter alguns zeros à direita e eu só tenho zeros à esquerda.
Bem, mas eu queria falar era mesmo de saúde, da minha, da nossa, da de todos nós, europeus! (nós, europeus? caramba, isto não vem a propósito, mas eu vi um cartaz parecido junto à bomba de gasolina...).
- Oh Luizinho, o que aconteceu rapaz?
- Senhora professora, o João deu-me um empurrão e bati com a cabeça na porta...
- Ah, deixa ver... bem, isto nem sangue deitou, é só um arranhãozinho no sobrolho, mas eu vou ter de telefonar à tua mãe... estou? estou? é a mãe do Luis? olhe minha senhora, houve aqui um problemazinho, o Luis deu um pequeno toque na porta e tem um arranhãozinho no sobrolho, era só para lhe dar conhecimento, não é nada de especial, mas...
- Senhora professora, eu estou no emprego, mas vou já aí...
- A senhora é que sabe, mas eu acho que não seria necessário...
- É melhor eu ir sabe...
Três horas depois...
- Oh Luizinho, demoraste tanto tempo a ir ao Centro de Saúde, rapaz...
- Senhora professora, fui com a minha mãe ao Centro de Saúde, mas a senhora doutora achou por bem ir ao Hospital Distrital, podia ser necessário levar um ponto e ali não tinham meios para dar um ponto...
- Ao Hospital Distrital porque no Centro de Saúde não tinham condições de te tratar, rapaz?
- Foi sim, senhora professora, fui com a minha mãe na ambulância e cheguei lá colocaram-me um spray no sobrolho e um penso rápido e não custou nada.
- E a mãezinha? voltou para o emprego?
- Acho que não, eles passaram uma declaração lá no hospital para ela entregar lá no emprego.
- Ah sim, tudo normal então...
Então... à saúde!
Apenas gostava de saber quanto custou este penso rápido ao Estado...

terça-feira, 19 de maio de 2009

LGBT, ILGA, E OUTRAS VARIANTES...

Nos últimos tempos tenho sido, não direi confrontado, porque seria um termo demasiado forte para trazer à colação, mas tenho sido alertado para o problema da diferenciação física, emocional, estética e espiritual, que para uma simplificação da coisa, os movimentos que contestam a ditadura da heterosexualidade costumam usar.
Fui assistir a um debate promovido por estudantes do ensino secundário, onde a jovem prelectora de 22 anos nos informou das diferenças, misturando a teoria subjacente a uma prática pessoal, acabando por fazer da palestra uma demonstração pessoal das suas convicções e propostas, quase acabando distribuindo propostas de adesão de sócios, ou apenas simpatizantes, como costumam fazer os clubes de futebol deste país.
Claro que sou um ignorante nesta e desta causa, não me vendo a apoiar ou criticar opções pessoais, das quais não tenho que ter simpatia ou antipatia, muito embora acredite que em determinadas ocasiões, o cidadão que passar ao largo, tem tendência para ser catalogado de contrário aos direitos dos LGBT e outros, ou seja, um terrível heterosexual homofóbico.
Ao ler o catálogo das variáveis, elaborado por um tal Kinsey, que deve ter feito um mestrado ou doutoramento sobre o tema, achei-me um perfeito ignorante... então não é que há os heterosexuais exclusivos, qualquer coisa parecida com o tal "macho latino", o heterosexual ocasionalmente homosexual, qualquer coisa parecida com o "tal canal", o heterosexual mais do que ocasionalmente homosexual, muito parecido com aqueles amigos do swing que pensam que estão com a mulher do outro e acabam com o homem da outra, o bisexual, o tal que é adepto do Porto e adora ganhar ao Benfica ou ao Sporting, seja em casa dele ou em casa do adversário e de que maneira seja, seguindo-se o conceito inverso de tal forma que acaba na escala com o homosexual activo, ou seja o que passou para o outro lado e nunca mais voltou, gosta que os outros saibam o que ele é e faz questão de ficar ofendido e gritar em voz alta quando não lhe passam cartão, que "sou, sim senhor e ninguém tem nada a ver com isso".
Os jovens ficaram esclarecidos com a sessão, mas olharam-se um pouco desconfiados quando a prelectora informou que os homosexuais encontram-se na sociedade numa percentagem idêntica aos "canhotos" e como estavam três na sala...
Passadas umas horas e dentro do mesmo clima, encontrei na última página do DN uma referência à ILGA, com um título apropriado "Ilga quer saber as posições dos candidatos europeus"... confesso que essa de querer saber quais as posições dos candidatos é do foro privado de cada um, então agora eles iam divulgar as suas posições? a do PCP iria dizer que a sua posição é sempre vertical, que nunca se dobrou perante a ditadura, também não se dobra em democracia, enquanto o candidato do PS diria que gosta de mudar de posição, ele que já tomou posição pelo PCP e agora deita-se com o PS... o candidato do PSD procuraria lembrar que já teve cartazes em que dizia "hoje somos muitos, amanhã seremos milhões", mas isso foi uma experiência que não deu frutos, talvez por causa do uso do preservativo, que se democratizou, ou então por causa do aparecimento destas organizações que se multiplicam, mas só com procriação medicamente assistida, como eles dizem.
E não falei eu da OPUS GAY, que deve ter ido buscar a inspiração à OPUS DEI, com um tal Serzedelo que só o nome assusta...

segunda-feira, 18 de maio de 2009

PROFECIAS...

O poeta escrevinha
o que o poema contém,
o Profeta sim, prediz
o que o poema não tem.

O Profeta anuncia
os caminhos tão reais,
que o poeta escrevia
poemas só com vogais...

O Profeta assegura
o difícil que há em tudo,
o que o poeta procura
é mais amor, sobretudo...

O Profeta vaticina
que melhores dias virão,
o caminho do poeta
é estrada de solidão...

O Profeta fará ver
em cada gesto perfeito,
os cabelos de Iracema
descaídos sobre o peito.

O Profeta conjectura
a vida bela que temos,
o poeta só mistura
nosso Céu e muitos medos.

O Profeta é eleito, vidente, iluminado,
o poeta é Pessoa, crente, desmesurado...
A profecia é só uma, certa, bela, genial,
o poeta é quem se dá ao poema tal e qual!

sábado, 9 de maio de 2009

NA QUEIMA...

Não sei porquê, ou melhor, eu sei porque não andei na universidade a praticar praxes, mesmo daquelas ligeiras com piada e que não ofendiam ninguém, assim como não fiz queima, a não ser queimar umas noites e algumas pestanas a estudar, porque na verdade eu fui fazer o meu curso superior, com família e filha, empregos vários num tempo em que se podiam acumular vários biscates além da profissão, apenas para compor um orçamento familiar e porque aos 30 anos não existe ninguém que não queira reforçar o pé-de-meia mensal, pensando que um dia poderemos ser não o Bill Gates, mas o Dias Loureiro cá do burgo.
Acho que sim, que a idade madura em que entrei no ensino superior não me dava aquela vontade de fazer traquinices próprias dos "teenagers" que por lá encontrei, mas não foi só isso não, porque havia motivação "quase-política" que de certa maneira nos deixava um pouco à margens dessas manifestações estudantis, as quais nos motivavam mais para os jantares da primeira segunda-feira do mês, com muito boa disposição e um bar que ajudava a juntar a noite ao dia e que reforçaram o espírito estudantil daquele pessoal que soube integrar o "velhote de bigode" que apareceu no meio sem aviso prévio.
Também a necessidade de acabar o curso o mais rapidamente possível, me obrigou a fazer os cinco anos da praxe em quatro e nove meses, uma vez que se começou em Outubro de 83 e se acabou em Julho do ano da graça de 88, com um emprego na Acção Social Escolar, um quase emprego como treinador-jogador de futebol e um mal empregado desempenho de pai e marido qb... agora vejam lá onde havia lugar para as praxes iniciais e a queima final.
Felizmente os jovens que durante esses cinco anos me acompanharam, dos quais destaco o Carlos Marques, que nunca mais me largou desde essa altura e continua a chatear-me a cabeça na nossa escola, agora como meu avaliador nessa tal "avaliação de desempenho docente" que, qual "queima das fitas", só serve para que nunca mais me esqueça de uma tal ministra de apelido Rodrigues, assim como nunca mais esqueci um tal Sottomayor Cardia, que já que estamos a falar de "queimas", foi um dos que "ardeu" e ao qual nada faltava para parecer maluco, já lá vai o ano de 77 e eu professor com habilitação suficiente...
Mas havia o Lineu, que voltei a encontar num anúncio de TV, de que já não lembro o produto, o Vitor Pataco, o Zé Sabbo, a Paula Ruas, a Isaura (obrigado pelas fotócopias), o Peseiro, o Vitor Maçãs, a Inês e tantos outros que se vão reunindo em almoços a cada ano que passa e que também não ligaram muito a estas celebrações académicas, porque outros valores mais altos se levantavam...
Mas "todo o tempo é composto de mudança", nem vale a pena tentar saber se para melhor ou pior, talvez apenas diferente e agora é o meu filho que me convida para ir à sua "Queima das Fitas"... claro que sim, que vou, mas começo a pensar se é assim tão grave ir até Évora, contrariando aquilo que pensava há vinte e tal anos atrás. Será que aquilo que eu critico ao Vital Moreira por ter apregoado azeite e vendido vinagre, se aplica a mim mesmo nestas coisas da "Queima das Fitas"? ou será que ele andou a iludir uns e agora ilude outros e eu, mesmo mudando de opinião, só posso iludir o meu filho?
Olha Filas, vou à "Queima", sim senhor e até já fiz um poemaço para escrever na tal fita que, afinal eu também gostaria de ter tido...

A calma e o silêncio desse campo
em que jogas teu corpo, tua alma,
o sentido que reflecte essa calma
para além Tejo derramado,
um futuro cheio e dedicado
na planície amarela d`um encanto.

Jogas, pensas e decides
o tudo e o nada de um jogo,
a vitória que nos dá algo de novo,
a derrota que te sofre, mas aceitas...
vidas feitas e desfeitas
na batalha que te marca e em que vives.

Felicidade é teu jogo, tua equipa,
os amigos, a família, pois então...
estratégia vencedora da razão,
a luz que te dará esse caminho,
certeza que ninguém vence sózinho
no jogo desta vida, acredita!