domingo, 1 de junho de 2008

OS PATOS BRAVOS

Felizmente continuo a acordar todas as manhãs, eu diria ponto final, mas isso é o que acontece a todos, com excepção de alguns que, distraídos, acabam a vida na cama. Bem, acabar a vida na cama ainda continua a ser o meu objectivo último, mas não como alguns de vocês pensaram... pois, lembram-se logo da crise, das doenças, dos desastres e dessa forma de acabar na cama eu não quero mesmo, afinal eu estava a pensar acabar os meus dias na cama, mas bem acompanhado, depois de uma noite bem agitada, como é costume dizer-se de "drugs, sex and rock n`roll", literalmente falando e como compreendem ajustado a um velhote de 90 anos, ou seja "viagra, dvd para adultos e cds do tony carreira". Então se isso acontecer à segunda-feira, bem cedinho, ainda antes de ir para o trabalho, com a vantagem de não estragar o fim de semana aos amigos, o que podemos desejar de melhor?
Não sei a que propósito me deu para começar a crónica desta maneira, mas acreditem que desde que comecei a ver o "rock in rio" made in Bela Vista, com 90.000 excitados e excitantes jovens a pagar 53 euros por cada dia de festival (e é fácil fazer as contas, ora 53 vezes 6 dias, ora... pois, é fácil fazer as contas, não chega afinal a um salário mínimo nacional, não é paizinho?), mas como ía dizendo, desde que comecei a ver o festival, na sic radical, eu fiquei agarrado, aquilo é mais forte que crack, aquilo é uma chuva de craques, chegados na hora e que bem podiam chegar atrasados e saído um pouco mais cedo, como no caso da Amy Winehouse (esta do "vinho da casa" está bem metida, oh Amy!), até porque os pais ficaram preocupados com o exemplo da "craque" e para o ano não sei se largam os 53 euros da ordem para cada dia)...
Continuo a não saber o motivo da crónica, embora no caso do "rock in rio" talvez os patos bravos sejam os paizinhos, a tal classe média que se anda a queixar que o litro da gasosa está pela hora da morte, mas não era esse o desiderato (que tal? até me lembrei do Desidério, o presidente da Câmara de Albufeira, a quem dei o meu apoio involuntário na campanha, uma vez que fui apanhado na caravana dele enquanto passava uns dias de férias e acabei a buzinar, para ver se saía dali mais depressa)...
É mesmo verdade que as conversas são como as cerejas, e se eu gosto delas... de tal maneira que só agora me lembrei do tema de hoje, a propósito do ministro das pescas, ou da agricultura, ou da caca, perdão, da caça (o teclado às vezes falha...), sim senhor o tal ministro de que agora nem lembro o nome (só me lembro dos craques da selecção, desculpem...), esse sim, que apanhado pelos pescadores numa fazenda algarvia onde andava a ver a caça (o que tu queres é lebre!), não foi de conversas e fugiu num jeep da GNR pelo meio das fazendas, tal e qual os moiros fugiram de D. Afonso III quando lhes gamámos o "Allgarve".
Afinal vocês entendiam que o homem devia ter falado aos pescadores, sei lá, declamando o "sermão aos peixes" enquanto estava de visita a uma herdade de caça grossa? Cada coisa no seu lugar, aí eu estou de acordo com o ministro, quando se está junto ao mar fala com os pescadores, mas se está numa herdade de caça ele só deve falar com os patos bravos... e fugir de jeep até encontrar o caminho de regresso a Lisboa.
Boas chumbadas no cachaço é que se precisam.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

O TABU.

Fiquei preocupado, sim senhor, os jornalistas quiseram informar logo pela manhã, em directo de Viseu, mas não se conseguiu saber, a angústia apoderou-se de todos nós e não bastava já o preço dos combustíveis para nos deixar deprimidos... o dia de hoje foi bastante mau para a moral do país em geral e da selecção em particular.
Para agravar a situação, o mister Scolari mandou fechar os portões do Fontelo e o céu continua cinzento e chuvoso, escusado será dizer que nada está a nosso favor, não conseguimos saber nada das tribelas do Quaresma, nem os "media" foram informados da ementa do almoço de hoje, o que é grave porque nós pagamos os impostos a tempo e horas e queremos saber todas as peripécias destes fenómenos futebolísticos. Se não fossem as mulheres dos jogadores, irmãos, primos, mães, pais e avós a conceder umas entrevistas, não conseguiríamos saber nada de nada, mas há sempre uma alma caridosa a preencher os nossos corações, a dizer-nos das suas preocupações, dos problemas psicológicos que os afectam, das rezas, mezinhas e velinhas em honra de N. Senhora do Corcovado, dos seus carros desportivos... não sei porquê lembro-me sempre do "mustang" do Eusébio dos anos 60 e das camisolas do Benfica de Castelo Branco, União de Tomar e Beira-Mar que o craque vestiu.
Hoje, felizmente os tempos são outros e adoro este ambiente envolvente da nossa selecção, embora o senhor Zu me diga que está a vender poucas bandeiras e cachecóis, acho até que talvez o Scolari mande colocar as bandeirinhas nas janelas se os comerciantes chinocas entrarem com uns "royalties" para o sargentão, não sei...
Mas o tabu de que dei título a esta cronica só foi derrubado no final da tarde e ainda bem, porque eu estava a entrar em transe, já nem queria a sandes mista e a cerveja fresca que me estavam a oferecer, começava a responder em voz alta e se não aparecesse aquela divina ligação a Viseu, não sei se não cometeria algum erro de que me iria arrepender no futuro. Mas a ligação via satélite foi feita e o repórter, com a entrada do hotel em segundo plano e meia dúzia de seguranças-emplastro nas sua costas, quase gritou e desfez o tabu:
- O Miguel não tinha treinado esta manhã porque... tinha ido ao dentista!
Nem sabem como fiquei feliz, até parecia que me tinham arrancado um dente, foi um alívio total e corri para a cozinha a dar trincadelas nas sandes e umas goladas de cerveja fresca, já me via a comemorar o 5º golo de Portugal no jogo contra a Turquia, contra não carago, no jogo "com" a Turquia.
Esta selecção e os jornalistas estão a surpreender-me a cada dia que passa e já estou a ficar angustiado... marcaram o acampamento escolar para os dias 5, 6 e 7 de Junho. Vou ter de mandar gravar a goleada.
Portugal! Portugal! Portugal!

terça-feira, 27 de maio de 2008

AFINAL NÃO É TUDO MAU...

Claro que não é tudo mau, eu estou aqui sentado num sofá bem confortável, a tv faz-me companhia com um programa que eu não vejo, oiço como ruído de fundo, e às vezes nem isso, ligo o cotonete, escolho a música que quero e auscultadores nas orelhas, que é o que está a dar. Afinal há milhares de locais neste mundo bem piores, onde para além de não haver condições dignas de sobrevivência, não há esta calma de fim de tarde, um computador para escrever o que nos apetecer, consultar os jornais, ver o correio electrónico, telefonar aos amigos à borlix... é isso, afinal não é tudo mau.
O dia começou cedo e depois do pequeno almoço tomado, uma viagenzinha de bicicleta até à escola, com o portátil apoiado no quadro, demora uns minutos. Depois disso uma pequena reunião com os colegas e uma chamada para uma substituição com a turma do 9º CEF, onde tinham como objectivo a construção de um pequeno filme publicitário. Achei tudo muito interessante, embora 3 ou 4 alunos só estivessem interessados em jogar um daqueles jogos de guerra, mostrando pouco ou nenhum interesse em aprender algo. Dentro de 10 ou 20 anos lá os encontrarei a preencher uns papéis do Rendimento Social de Inserção.
Ao meio-dia lá estava eu no miradouro de Alcanena a montar as cordas para a aula de rapel que os jovens do 11º A começariam dentro de minutos, sempre são 7 a 8 metros em parede lisa, que faz acelerar o coração a alguns deles, mas costumo dizer-lhes que todos temos medo e que o prazer está em saber dominá-lo, confiar em quem está com eles e os estimula a ultrapassar as dificuldades. Foi rapel para quase todos e rapel australiano para uns poucos mais confiantes. No final da descida há sempre um sorriso e a vontade de voltar a descer... e o tempo passa num instante, são quase duas da tarde e o almoço no refeitório já espera por nós.
A desmontagem rápida dos acessórios e cordas e aí vamos nós comer um bacalhau à brás que estava uma delícia, enquanto a malta do grupo de ténis de mesa do desporto escolar esperava pelo professor... já passava das 14,30 quando começámos o treino... até às 16 fomos treinando e jogando e hoje o Bernardo ganhou ao professor, não, não perdi de propósito, é ele que está a jogar muito bem.
Às 16 lá fomos para o gabinete acabar o teste sobre as matérias do 3º período, Beisebol, Voleibol, BTT e Rapel, que amanhã os alunos irão tentar acertar, coisa simples para quem tem muitas disciplinas e só precisa de saber o básico de Educação Física...
E o portão do gabinete fechei-o às 18 horas, bicicleta e portátil no quadro e um regresso a casa bem tranquilo... acho que não vou deixar esta vida tão cedo, as coisas fluem, o tempo passa sem darmos por isso e o livro "já podeis da pátria filhos" de um dos meus escritores preferidos, o João Ubaldo Ribeiro, ainda não foi iniciado desde que o comprei no Domingo na Feira do Livro... acho até que o governo vai ter de brigar comigo para eu ter de sair do meio dos jovens daqui a uns anos.
Mas tudo isto que acabei de falar não interessa nada, isto é desenvolvimento não é crescimento e quem manda nisto só quer saber de deficit, ISPs, IVAs... afinal só agora descobri que o título desta crónica tinha o propósito de enaltecer uma notícia bombástica e de primeira página, onde se dizia que os contribuintes poderão poupar cerca de 5,50€ (cinco euros e cinquenta cêntimos) por ano (!!!!), com a abolição da taxa dos contadores.
Reuni a família de emergência e decidimos investir esta poupança em acções da EDP Renováveis... será que eles aceitam?

segunda-feira, 26 de maio de 2008

BEMBA PUMBA, PAÍS PIMBA!

- Mas que país maravilhoso, pá... eu diria melhor, a cidade maravilhosa já se sabia que era o Rio de Janeiro, mas país maravilhoso, só podia ser Portugal...
- Ena, ena, não estarás a exagerar oh Zé? na verdade, ainda não te entendi muito bem, mas a experiência diz-me que passamos de estados depressivos para estados expressivos como quem muda de camisa e enquanto o diabo esfrega o olho.
- Calma Chico, também tens de ser esperto, não podes ser só Chico... eu mandei essa boca do "maravilhoso", mas não me viste sorrir.
- Assim já estou mais descansado, se bem entendo estavas só a gozar com o maravilhoso que é este país... e agora vais contar alguma coisa que me leve a pensar que aqui mesmo neste cantinho da Europa tudo é uma delícia...
- Olha Chico, a vontade era mesmo não dizer nada, assobiar para o lado, fazer aquele sorriso standardizado tipo "pepsodent", meter a mão nos bolsos e coçar os tomates, pôr o palito no canto da boca enquanto não vem a "bica", depois de uns pastelinhos de bacalhau que deixam o intervalo dos dentes com algum lixo orgânico, mas que é que queres? há coisas lixadas, pá, que não me deixam de fazer comichão nas axilas... e há que desabafar aqui no oásis, o tal onde mesmo gritando temos a certeza que ninguém ouve, ou melhor, ninguém lê.
- Caramba, com tanta conversa e não sei o que é que queres dizer...
- Vou contar, mas sabes como é, isto é só para não estarmos calados... afinal o que é que interessa isto comparado com o aumento dos combustíveis, que nos vão levar a andar a pé, de comboio ou de autocarro da carris, daqui a uns meses?
- Conta lá, Zé!
- O Bemba é um político africano (se os nossos são fraquinhos, vê lá tu os africanos), arregimentou uns milhares de loucos e mandou matar outros tantos irmãos africanos. Não conseguiu o poder na Republica "Democrática" do Congo, porque o Kabila filho conseguiu matar mais, fugiu para Portugal, mais propriamente para uma vivenda de luxo no Algarve, onde estava desde 2007, sem que ninguém, PSP, SIS, PJ, GNR, SEF ou GOVERNO, mexêsse uma palha. O homem pensou até que a Europa era igual a este país maravilhoso e deu um saltinho a Bruxelas (se calhar foi pedir um subsídio do QREN) e... foi preso! Afinal o Tribunal Criminal Internacional de Haia tinha emitido um mandato de captura internacional e o governo não sabia...
- Oh Zé, como é que o governo podia saber se, também não sabiam que não se podem tirar licenciaturas ao fim de semana ou fumar dentro dos aviões? Olha lá, a propósito, esse tal Bemba apanhou o avião em Lisboa? se calhar até foi naquele que era do Mobutu e que estava a ganhar caruncho no aeroporto da Portela há uma série de anos... até me lembrei que o Mobutu tinha uma vivenda no Algarve e talvez seja agora do Bemba.
- Tens razão Chico, tu és esperto... há uns anos foram armados em espertos aos Estados Unidos buscar o Caldeira e depois o homem nem a viagem pagou, sendo mandado em paz... o Bemba foi mal aconselhado, apresentava-se no tribunal, dizia que tinha mandado matar uns gajos em África, como não tinha sido apanhado em flagrante ia para a vivenda com atestado de residência e três meses depois recebia uma carta a dizer que o processo era arquivado por falta de provas.
Estás a ver porque o Bemba é pumba e este país é pimba?
- E o "Chico Esperto" sou eu?

sábado, 24 de maio de 2008

DEITAR FOGO À GASOLINA...

Lembrei aquele dito popular " deitar achas na fogueira" para compreender tudo o que esta "nomenklatura" pós-abril (antes disso era outra, mas também havia, claro) foi edificando de uma forma nada edificante e nos últimos tempos tem aumentado o tamanho das labaredas sociais, porque uma coisa é ter vergonha e não passar certos limites e outra é perder completamente a vergonha.
É interessante verificar que em 1974 o salário mínimo era de 17,50€ e um administrador de uma grande empresa ganhava cerca de 200,00 euros, 12 vezes mais, e hoje li no jornal CM que cada membro do conselho de administração da GALP recebe 40.000,00 euros mensais, o equivalente a 95 salários mínimos, isto tudo sem que quem manda nesta tenda democrática se sinta minimamente incomodado.
Outra coisa que me deixa um pouco surpreso é o facto de não haver nesta sociedade democrática e ocidental um cabaz de compras mínimo, sei lá, estabelecer um mínimo de sobrevivência para uma família de 4 pessoas e calcular o custo médio da alimentação, transportes publicos, habitação, saúde e educação, estabelecer um salário mínimo adequado, de tal modo que a sociedade pudesse olhar de frente os pobres deste país e lhes dissesse a partir daí que são pobres por culpa própria, porque não sabem governar-se, não procuram emprego, não estudam, porque fumam, bebem e jogam sem se importar com as suas responsabilidades de pais e cidadãos.
No outro extremo, o tal cabaz máximo para aquela classe dirigente, com o calculo das suas despesas, mesmo com colégio dos meninos, a vivenda no condomínio e no algarve, o carro de gama alta, a empregada doméstica, os restaurantes melhorzinhos, os fatos e vestidos para as festas da "Lux"... 10.000,00€ por mês? chegaaaaaaaa????
Então meus amigos, que tentam governar esta tenda (eu ía dizer de circo...) façam o favor de aplicar a todas as verbas que excedam esse valor máximo um IRS de 100%... ou têm vergonha?
Já sei, o Fernando Gomes, administrador da Galp (carago não, carago!) não vai nisso, acho que ele começa logo a gritar que se lhe baixarem o vencimento volta para a Câmara do Porto, onde se ganha menos, mas pode acumular, com a Empresa das Águas, a Empresa do Metro, a Empresa da Reabilitação da Ribeira, a Empresa do Porto Feliz, a Empresa do...
Se calhar eu exagerei, 10.000,00€ por mês é mais ainda que o vencimento do Presidente da República e eu li algures que ninguém pode ganhar mais que o nosso representante máximo, mas não vou assegurar que a tal lei possa estar em vigor ou tenha sido regulamentada, porque uma lei sobre complemento de habilitações de professores datada de 1980 foi regulamentada cerca de 12 anos depois, quando os principais interessados já tinha feito esse complemento de habilitações à sua custa ou já tinham morrido.
Não, claro que não exagerei, os 10.000,00€ são uma boa maquia todos os meses e para aqueles gestores, administradores, empresários, superdotados, supertécnicos e afins mais gastadores, ainda têm os subsídios de férias e de natal para taparem alguns buracos de gestão.
Acredito piamente que mesmo com esta nova estruturação governamental, continuarão a ser distribuídas umas sopas no Cais do Sodré pelo Exército da Salvação, Banco Alimentar Contra a Fome, Santa Casa da Misericórdia, uma vez que se desaparecessem ficariam muitos técnicos sociais sem ocupação, porque isto de querer acabar com os pobres é uma questão delicada... mas também acredito que esta tentativa de redução do fosso económico ia concerteza fazer os nossos melhores recursos humanos emigar e o país não se pode dar ao luxo de desperdiçar o Fernando Gomes da Galp, o Armando Vara do BCP e o Jorge Coelho da Mota-Engil... mais uns meses e estávamos como o Zimbabué.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

RACISMO?

Ao passar os olhos pelo DN de hoje, deparei com uma crónica do "ganda nóia socialista" António Vitorino, em contraponto com o "ganda nóia original" de que já nem lembro o nome... esta vida artística não dá espaço para que o cidadão anónimo decore o nome dos artistas todos, sejam eles da política, da rádio, tv e disco e das cassetes pirata. E o António Vitorino só não se me olvidou porque ficou cá dentro aquela questão da sisa que ele se esqueceu de pagar quando comprou um monte no Alentejo.
Agora, com o esquecimento do senhor engenheiro em relação à lei do fumo, começo a pensar que não sou só eu a esquecer-me... mas para dizer a verdade, devo confessar que a minha memória de curto prazo me passa rasteiras a cada mês que passa, começando a vir à tona a lembrança de longo prazo que só deve interessar um pouco ao Hermano Saraiva ou ao José Matoso... é a lei da degeneração mecânica, digo eu.
Já nem me lembrava do camarada Vitorino, mas o início da crónica deu-me uma ajuda... pois então a vitoriana crónica descrevia os assassinatos na África do Sul como um comportamento racista, também polvilhado como uma atitude xenófoba dos sul-africanos, ou seja, o artigo tentava matar "dois coelhos com uma cajadada", numa explosiva mistura que nem o Falcão do SOS Racismo apareceu a apoiar.
Então o comportamento animal dos sul-africanos é racista, oh camarada Vitorino? humm e eu a pensar que isso era coisa de brancos contra pretos ou de pretos contra brancos... acho que aquelas temporadas na burocrata União Europeia lhe retiraram a capacidade de análise dos problemas da sisa e das tormentas sociais. O problema da Africa do Sul é essencialmente de falta de instrução e de miséria generalisada, isso o camarada Vitorino não referiu na crónica, talvez porque só interessa dizer mal do Zimbabué ali ao lado, mas não me admira nada que, tal como os criminosos sul-africanos não olharam a cor da pele quando queimaram vivos pobres tão pobres como eles, um dia destes aqui na Europa desenvolvida situações parecidas aconteçam, mas aqui talvez a instrução dos europeus os faça escolher, não os pobres, mas os ricos cá do sítio, aqueles que se preocupam apenas com o PSI20.
O problema das crónicas jornalísticas, que aparecem diariamente na imprensa e que se limitam a justificar avenças complementares à mama das funções exercidas no Estado, são uma das justificações para o declínio da leitura dos jornais deste país e para o aumento dos blogs que muitos "opinion makers" têm vindo a criticar, com a agravante de parecerem escritas para despachar serviço.
Talvez os jornais ganhem leitores quando começarem a aproveitar as crónicas dos milhares de blogs que diariamente vão crescendo como cogumelos neste país, até porque poucos fazem confusão entre racismo e xenofobia.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

EU APOIO O SANTANA!

Embora não seja nada comigo, porque não sou sócio de nenhuma agremiação política, nunca fui nem paguei quotas, embora me tenha considerado adepto ou simpatizante até aos dias de hoje, mas convenhamos que sem aquele empenhamento que vejo noutras pessoas... ainda vendi uns jornais da extrema esquerda e colei uns cartazes da Maria de Lurdes Pintassilgo. Depois foram umas eleições autárquicas com cada vez menos entusiasmo, quase igual ao dos benfiquistas com a sua equipa a meio do campeonato, é isso... não é nada comigo mas eu apoio o Santana Lopes.
Podem dizer-me que não estou bom da cabeça, que o homem não tem perfil, que já lá esteve e foi mauzinho, que em 4 meses como primeiro-ministro deixou o país com um deficit de 6,8% (como se uma pessoa pudesse fazer um deficit destes em 4 meses...), mas eu tenho uma boa imagem do homem e todos sabemos que a imagem que formamos dos outros tem parâmetros indecifráveis, muitas vezes até irracionais, mas comigo não é tanto assim, eu tenho uma imagem positiva do Santana Lopes e até posso dizer porquê, claro.
Parece que o Santana andava na faculdade quando se deu o 25 de Abril... escolheu o PSD e teve umas lutas políticas com muitos jovens da sua idade, quase todos da extrema-esquerda, de entre eles o MRPP Barroso, que veio a encontrar no PSD uns anos depois. Eu admiro o homem por jogar sempre no mesmo clube, o que é que querem? assim como admiro o Shéu ou o Nené no Benfica, onde jogaram vinte anos e lá continuam por direito próprio, ao contrário de outro(s) que foram para Itália jogar, lá estiveram até quase à velhice, voltaram para o clube "do coração", acabaram por jogar no clube 3 ou 4 anos e agora instalam-se na cadeira do poder benfiquista com um futuro bem risonho à sua frente.
O Santana é cá dos meus, que é que querem? foi presidente do Sporting e levou para o clube um dos treinadores mais competentes da historia do futebol português. Quando ninguém o queria em Lisboa, concorreu à Câmara da Figueira da Foz e com o voto popular... ganhou.
Quando o PSD não tinha ninguém para a Câmara de Lisboa, Santana, que toda a comunicação social excomungava a favor do Soares filho, concorreu e... ganhou.
Foi empurrado para o governo e com maioria absoluta, o democrata ex-MES Sampaio destituiu-o, naquilo que pode considerar-se um golpe.
Mas isto tudo são questões de pormenor, porque o essencial é que o poder jornalístico não gosta dele e eu suspeito que é tudo inveja. Inveja, perguntam vocês? acho que sim. O Santana veio deitar por terra uma visão cinzenta da política e vida social, onde uns eram amaricados e outros tinham um estafermo lá em casa, ao contrário dele que gosta de beber uns canecos, dançar nas discotecas, ir a festas, ter sido casado por cinco vezes e ter cinco filhos lá por casa. Acho que é isso, o Santana já esteve casado com mulheres bonitas e os jornalistas não suportam isso... não se lembram do Soares filho ter oferecido uma sede a uma organização cor-de-rosa, no centro da capital e os jornais acharem muito bem?
Com o congelamento das carreiras do funcionalismo público, três anos sem aumentos, o ataque das finanças à classe média e os fabulosos lucros obtidos nos combustíveis, Santana não faria melhor que os 2,6% de deficit do milagroso engenheiro? Se calhar até fazia...
Mas podem ficar descansados, eu não sou militante.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

ISILDA

Não conheci a Isilda, mais concretamente a Isilda Ferreira, uma mulher de 36 anos que tinha todas as condições de cair no lado errado da noite, como canta e bem o Jorge Palma, sei lá se numa tentativa de recordar a quem manda em particular e a todos nós em geral, que todos os dias há noite e todas as noites há Isildas, com a agravante de também haver clientes para as Isildas deste país, a maior parte deles inseridos no meio em que se reproduzem, roubando, extorquindo, segurando e matando com a complacência e a conivência de alguns operacionais do submundo escudados em fardas azuis.
Li a notícia no jornal, com foto da vítima, ao contrário do que deveriam fazer, mas é tactica dos jornalistas e jornais de vão de escada, ao publicitarem a cara das vítimas e taparem a cara dos criminosos. Com a cara dos criminosos publicitada as pessoas de bem ainda podiam mudar de passeio quando dessem de caras com algum, mas assim somos apanhados de surpresa... eu sei que eles podem ser absolvidos, como normalmente acontece e ainda pediam uma indemnização ao jornal, não era? pois, temos de estar sempre de pé atrás com esta justiça, mas a Isilda e a família também tinham o direito à privacidade, muito embora a notícia explicasse que a mulher sustentava 3 filhos, 2 genros, 2 irmãs, 2 netos, a mãe e... bem, fiquemos por aqui porque ainda vão ter de sortear quem vai ter de assegurar o negócio de família.
Dizia um familiar que a Isilda chegava a trazer para casa 300 euros numa só noite, tinha uma casa com mobília nova e estava a preparar-se para deixar a vida que levava, uma vez que tinha recebido uns milhares de euros de retroactivos do Rendimento Social de Inserção... todos estamos mesmo convencidos que a Isilda iria acabar com a principal fonte de rendimentos para passar a viver com o RSI e aquela família toda a comer do subsídio e também estamos convencidos que a assistente social que lhe tratou dos papéis, lhe disse que só podia receber o tal subsídio se deixasse de se deitar tarde...
Agora, eu não sei, não posso afirmar, não tenho dados para o fazer, mas face ao caso Isilda, poderei pensar, só pensar, que há centenas de prostitutas em Lisboa a receber o Rendimento Social de Inserção, para os chulos gastarem nas boites. E como é essa treta da atribuição dos subsídios, podem explicar-me?
Depois vem a senhora da Associação Ninho e não tem dinheiro porque as verbas são reduzidas, a comida para os "sem-abrigo" começa a faltar porque as verbas são cortadas, os miúdos do desporto escolar dormem no chão das salas de aula, durante os campeonatos escolares, porque o Tiago da Formula 1 levou 2 milhões de euros para torrar em carros e gasolina...
Ninguém quer saber onde se estragam milhões e milhões de euros de subsídios que tinham como objectivo retirar milhares de pessoas da miséria, mas o dinheiro evapora-se e a miséria continua.
O governo faz-me lembrar aquela anedota alentejana onde o agente da ASAE perguntava como é que os porcos eram alimentados:
- Atão, dou-lhe bolota...
- bolota? isso é ilegal. Vou ter de o autuar. E você aí, o que é que dá aos porcos?
- Atão, dou-lhe 5 euros todos os dias e eles que comam onde quiserem.
O governo está na mesma, dá o subsídio e os desgraçados que o estraguem conforme lhes apetecer, desde que os técnicos, assistentes sociais e psicólogos escrevam uns relatórios legíveis e tenham o vencimento na conta ao dia 24 está tudo bem, sim senhor.

domingo, 18 de maio de 2008

UM PAÍS POR INVENTAR!

O meu país ainda está por inventar, o que me está a deixar desconfortável, muito nervoso, desesperançado e com tiques esquizofrénicos, especialmente se me perguntam qual é o meu país... estou borderline, capaz até de esganar o primeiro que me pergunte o que é que eu ando aqui a fazer. Eu sei, deveria ter o substrato suficiente para reagir da melhor maneira às mais diversas e esdrúxulas situações, mas ao ritmo a que sou confrontado com o país do faz-de-conta (já nem coloco aspas...), começo a descrer nas minhas capacidades, o que é muito perigoso na minha profissão, onde passo muitas horas com a malta jovem e corro o risco de pedir ajuda terapêutica ao primeiro miúdo que me apareça pela frente.
Hoje observei na tv que o PGR, que deveria estar em casa resguardado de qualquer comentário menos apropriado por parte da "tribo" do futebol, lá estava na tribuna do Estádio Nacional, atrás do "talvez enfadado" Presidente da República e junto de ministros, presidentes de câmara e outros, em aparente mistura com os suspeitos dirigentes desportivos. Acho até que o único que fez o que devia foi o presidente do FCP, afastando-se voluntariamente daquela tribuna de gente com malformações na coluna.
Mas não era por isso que eu agarrei a pena e comecei a discorrer o tal país por inventar, não senhor, o que me encheu de comichão foi o tal técnico do Banco de Portugal que, embora tenha pedido uma licença sem vencimento há cerca de 8 (oito) anos continua a ser aumentado e a subir na carreira "por mérito", tendo até a concordância do impagável governador do banco, de seu nome Constâncio e de atitude Inconstâncio. Só assim se pode conpreender que o bom do Constâncio tenha dito que objectivamente "não há condições para baixar os impostos" e de seguida concorde aumentar o vencimento do técnico, entretanto em licença, por mais 720 euros mensais, atingindo a bela maquia de 11.000,00 euros mensais.
Estão a brincar com a tropa estes meninos... então os trabalhadores com 40 anos de serviço podem reformar-se desde que a reforma seja esbulhada de 6% por cada ano a menos que os 65 de idade, há professores que só tem direito a reforma, num máximo de 90%, com 45 anos de profissão, os trabalhadores com um máximo de 80% quando estiverem com os pés para a cova e estes "artistas" conseguem reformar-se de 3, 4 e 5 empresas, como se tivessem trabalhado 120 anos (40 em cada uma)?
Já esquecia o "moralista" Cadilhe que aceitava a presidência do BPN, desde que continuasse a receber a reforma vitalícia do BCP, além de uns trocos que vai realizando com umas aulas, uns pareceres e uns suplementos... e lembrar-me eu que o doutor queria pagar a dívida e reduzir os funcionários públicos com a venda do ouro.
Lembrei-me agora do jovem que começou por se inscrever no PSD e depois mudou para o PS, fez uns desenhos de casas com azulejos do lado de fora, tirou uma licenciatura ao fim de semana, foi apanhado a fumar no avião, disse que não sabia e agora contra-ataca fazendo-se de vítima e dizendo que quem fala do assunto não tem moral... bem, eu acho é que esta rapaziada devia ter bebido chá quando começou a andar e se entendia que não devia ser exemplo, fazia como eu, continuava a ser um cidadão anónimo e descomprometido e ninguém o chateava, mesmo que bebesse um copo a mais, fumasse onde não devia, ultrapassasse o limite de velocidade na auto-estrada ou fosse passar um fim de semana com a amante a Cabo Verde. Mas não, esta gentinha quer o poder e as suas mordomias, mas também quer o anonimato para poder fazer os disparates que lhe apetecer.
Há por aí alguém que invente um país chamado Portugal?

quarta-feira, 14 de maio de 2008

GOD BLESS AMÉRICA!!!!!

Se o meu estado de espírito já andava por baixo, negativamente impressionado desde que no Mundial de Futebol realizado na Coreia do Sul perdemos com os Estados Unidos, a pátria de tudo menos de futebol, em que somos sempre o supra-sumo dos melhores e perdemos sempre porque ainda não conseguimos exportar o Valentim Loureiro, nem o Ferreira Torrres para a FIFA, eu quero afirmar que a terra do "Tio Sam", do "Buck Rogers" e do "Bonanza" está a ficar de mal a pior, muito embora seja o oásis de mexicanos, hondurenhos, guatemaltecos e mais uns milhões de deserdados de 180 países que andam por aí em volta do sol.
E tudo isto a propósito de um programa que passa num desses canais pagos a peso de ouro, chamado "Oprah", onde todos os dias chegam casos que eu pensava nunca poderem existir no reino da liberdade e do capitalismo... de tal modo que fiquei chocado, por saber que o que as pessoas contavam não se referia ao Afeganistão, Turquemenistão ou outro qualquer país para "trás do sol posto", não, era mesmo dos gloriosos Estados Unidos da América, a mais que desenvolvida democracia do globo.
- E então o que é que se passa, que nós nem sabemos?
- Pois eu tenho algum receio de dizer, pode estar aqui por perto algum membro do governo e depois a malta é que se lixa, eles podem copiar o modelo...
- Era agora o Sócrates que ía copiar os americanos...
- Eu sei lá... para combater o deficit, ele até vende a Universidade Independente, pá...
- Mas conta lá o que é que te chocou...
- Então eu conto.
E contou, tim tim por tim tim, que na grande América não há Serviço Nacional de Saúde, nem Hospitais Públicos, nem Centros de Saúde e que 50 milhões de americanos não têm seguros de saúde, pelo que quando estão doentes, ou tomam uma aspirina e esperam que passe, ou nem a porta do hospital passam. Mostrou então um jovem com leucemia, deitado na sua cama em casa, à espera da morte, porque o seu seguro de saúde só cobria despesas até 150.000 dólares e o tratamento custava 400.000 dólares. Como ele não tinha o restante, estão a ver, não é?
Isto no país mais rico do mundo...
Um dos intervenientes, representante das companhias de seguros dizia que estas comparticipam com 5.000 milhões de dólares anuais em tratamentos, qualquer coisa como 25 dólares por habitante. Um pequeno calculo diz-me que em Portugal o Estado paga em serviços de saúde mais de 100 euros/ano por habitante (150 dólares). E nós é que somos os pobres?
Fiquei orgulhoso do meu país, onde por meia dúzia de euros vou a um hospital ou centro de saúde e sou assistido, ganhe muito, pouco ou nada, onde em doenças mais graves, sou atendido e tratado sem que ninguém me pergunte se tenho dinheiro para as cirurgias ou tratamentos, onde um amigo meu, com uma reforma de 250 euros mensais, levou um coração novo, onde uma amiga foi tratada a um cancro durante anos sem que o Estado se demitisse das suas responsabilidades.
Ganhamos menos? ganhamos, mas podemos dormir um pouco mais descansados, pelo que pude ver na TV, que os desenvolvidos americanos e, quando toca a saúde todos ficamos satisfeitos de saber que em caso de urgência, doença grave ou acidente, ninguém nos barra a entrada num dos nossos hospitais públicos.
Mas estou preocupado... será que o nosso primeiro-ministro têm algum primo na América?