quinta-feira, 8 de maio de 2008

BIC, BIC, BIC... BOB! BOB! BOB GELDOF!

Era uma vez um jeitoso de um político, ex-ministro, gestor e tantas outras qualificações, professor universitário pela certa (não há nenhum que não o seja...) que Mirava o Amaral e etecetera & tal...
Esta podia ser uma fábula, do tempo em que os animais falavam, mas não, é apenas imaginação de um "músico" que vai tocando de ouvido, mas que bem podia ter sido político, ex-ministro, gestor e outras coisas bem interessantes, caso tivesse tido a "audácia" necessária para se alcandorar a altos desígnios, colocando-se qual emplastro nas costas de um qualquer ministro e acenando que sim com a cabeça de modo que a câmera de tv o apanhasse num ângulo favorável, ou até mesmo tivesse tido a capacidade de organizar uma daquelas empresas de import-export sedeada nas ilhas Cayman ou na Madeira para não irmos tão longe, através de donativos dos tais Jacintos Capêlo Rego deste país, ou da Moka-Engil, como dizem os apanhados.
Bic, Bic, Bic, uma caneta à vossa escolha... Bic Laranja uma escrita fina, Bic Cristal uma escrita normal, ouvia-se num anúncio televisivo, lembram-se? Pois agora BIC é banco! bic normal um banco do Amaral, bic e tantos um banco da filha do "dos Santos".
E o Bob Geldof que já fez pelos milhões de esfomeados deste mundo o que o Amaral e a filha do "dos Santos" nunca farão em toda a sua vida mesmo com o banco BIC a facturar petróleo, diamantes e armas de guerra durante os próximos cem anos, distribuiu alimentos que as suas iniciativas proporcionaram (Live Aid e Live 8), por toda a África e vivendo no terreno as ângústias daquela gente desprezada pelos seus próprios governantes, teve a coragem de afirmar numa conferência que os governantes de Angola são criminosos, vivendo no luxo que a apropriação da riqueza de Angola e dos angolanos lhes proporciona, através de contratos, comissões e subornos. Alguém duvida? parece que só o embaixador angolano saiu da sala, para no dia seguinte dizer em comunicado que "não é bem assim..."
Entretanto aparece o tal Amaral, administrador do BIC a afirmar que Angola está assim por causa da guerra (e quem a fez? e quem lucrou com ela? e quem estava no poder em Angola antes, durante e depois da guerra?), a dizer também que um músico não percebe nada de gestão, de política e por isso faz afirmações infundadas...
Afirma o administrador Bic Amaral " que há dois tipos de pessoas: os gestores que sabem do que falam e os artistas de rock e pop, que serão competentes na sua área, mas noutras não têm conhecimentos nem competência para falar". Assim mesmo é que se enxofra, oh Bic Amaral! Quem não sabe destas coisas da gestão tem de estar calado, ou então faz como os gestores e administradores bancários... agora começo a perceber porque é que o Vara está na administração do BCP, depois de ter sido caixa na CGD e o Gomes é administrador da GALP depois de ter sido presidente da Câmara do Porto. Há todo um trajecto que faz o gestor e o administrador, incompatível com o músico, seja ele qual fôr... não é por nada, mas vocês não paravam de rir se o Quim Barreiros fosse para administrador do Banco de Portugal, não é? claro que é incompatível!
Mas não é incompatível que o Senhor Amaral BIC, seja administrador deste banco de capital maioritário angolano, em acumulação com a muito publicitada reforma de cerca de 3.900 euros como administrador da Caixa Geral de Depósitos, durante meia dúzia de anos.
Só há uma coisa que me intriga, o BIC Amaral disse que só havia dois tipos de pessoas e eu simples contribuinte não fui, não sou, nem quero ser gestor ou administrador e... também não percebo nada de música. Bic, Bic, Bic...

quarta-feira, 7 de maio de 2008

DÁ-LHE ZÉ!

Estou a ver a RTPN e a assistir a uma entrevista a técnicos de inserção social e responsáveis da Segurança Social, a propósito da epopeia toxicodependente do Zé Batista.
Começando pelo princípio, o Zé Batista, tal como o Jardel, começou a dar umas seringadelas por entre os centrais e foi acometido de uma marcação cerrada, neste jogo tão importante, mas também indispensável para a manutenção de técnicos, paratécnicos, médicos, paramédicos, instituições, associações, comissões e outros descontos, perdão já ía no Pingo Doce… mas voltando à “vaca fria”, encontraram o Zé Batista toxicodependente, colocaram-no num programa de desintoxicação, num hospital perto de si, sem listas de espera para toxicodependentes… parece que só os que trabalham estão em lista de espera, embora eu já comece a desconfiar que para estes, antes esperar que trabalhar.
Os técnicos acharam por bem dizer ao Zé Batista que era melhor meter os papéis para uma reformazinha por invalidez…
- Oh madame, mas eu saí da escola aos 14, comecei a dar umas passas aos 15, ando nisto há 18, nunca descontei enquanto mantive o ofício de arrumador ali no largo da Sé, acha que com 33 anos…
- Oh senhor José Batista, claro que tem direito, então o senhor até coxeia um pouco…
- Pois coxeio, sabe… eu comecei a injectar no peito do pé e ficou assim…
- Está a ver? Isso é doença profissional, homem, assine aqui estes documentos que não tem nada a perder…
Três anos passados e o Zé Batista barbeadinho, de cara lavada e com uma roupinha adequada, estava quase curado quando a Segurança Social lhe manda pelo correio meia dúzia de cheques num total aproximado de cerca de 9.000 (NOVE MIL) euros!
Segundo rezam as crónicas, a verba era aquela a que tinha direito, pela sua reforma de invalidez e porque o processo demorou mais de 3 (TRÊS) anos a ser deferido, o que dá uma imagem perfeita da velocidade a que o Estado e os seus serviços funcionam. Para não ir mais longe, recebi em 2007 o diploma do curso que tinha concluído em 1988 e tenho esperança que a morte seja nacionalizada o mais rapidamente possível, porque chegará a minha casa com um atraso considerável.
- 9.000 euros? Ena pá, estes gajos da Segurança Social sabem bem que eu tenho andado muito necessitado de verbas… acho que tenho de me beliscar para ver que não estou a sonhar… beliscar, disse eu? Hummm acho que é melhor uma picadela!
- E o senhor José Batista gastou o dinheiro em droga?
- O que é que a senhora doutora acha? A Associação de Jovens Empresários disse-me para aplicar o capital na bolsa…
- Na bolsa?
- Pois, na bolsa do pessoal que anda aí a vender… fiquei teso, mas animei o mercado com esta injecção de capital.
- E agora?
- Vou tentar processar o Estado, porque foram aqueles 9.000 euros que provocaram a recaída… acho que o Nabais vai aceitar o meu caso.

terça-feira, 6 de maio de 2008

MESTRADO SIM, MAS NÃO TANTO...

Há uns dias recebi um mail giríssimo, enviado por um colega de profissão, onde me perguntava se eu estava interessado em obter um mestrado em... "gestão e manutenção de campos de golfe"!
Que sim, era tudo oficial, nada de "modernas e independentes universidades" com licenciaturas ao fim de semana, ou "igrejas do 25º dia", nem "e-learnings com alunos a muita distância", nada disso, o tal mestrado foi publicado no Diário da República e será realizado na Universidade do Algarve, compreendendo matérias altamente complexas, 8 (oito) trimestres preenchidíssimos e onde só terão lugar licenciados de áreas tão diversas como engenharia ambiental, civil e outras que agora não recordo, mas para os interessados está tudo no Diário da República de 12 de Março, 2ª série, nº 51.
E para que não haja dúvidas, o mestrado divide-se em duas áreas muito específicas como sejam: gestão e manutenção, ou seja, uma visão mais burocrática do campo de golfe associada à sua gestão, para quem não goste muito do cheiro da relva ou tenha alergia aos pólens e uma outra área mais prática como é a manutenção para aqueles que gostam de meter a mão nos pesticidas, estudar a minhoca dos campos e manter os buracos limpos.
A possibilidade de um mestre em manutenção de campos de golfe encontrar uma minhoca no buraco é elevada, em especial no Algarve, daí eu entender perfeitamente a necessidade de implementação do dito mestrado.
Parece-me que o amigo João, tratador do campo de futebol cá do burgo, tem um curriculum mais que suficiente para tirar o mestrado em manutenção de campos de golfe, uma vez que só lhe falta o crédito dos buracos, mas ele já me disse que buracos é no que ele está mais à vontade... quando o clube perde é um "ganda buraco", quando o patrão se atrasa no pagamento é outro "buraco", ele tem sido preparado mais para tapar buracos, mas não vai ser difícil aprender a fazer buracos, têm é que lhe dar tempo, porque um campo de golfe tem 18 buracos.
- E o João pode fazer esse mestrado?
- Pode.
- Mas ele só tem a 4ª classe...
- O mestrado pode ser frequentado por todos os que não tendo licenciatura, tenham um currículum... ainda não leste o Diário da República?
- Ahhhh...
- E o João toda a vida cheirou e mexeu na relva, tratou-a, cortou-a e ultimamente até faz uns desenhos muito giros lá no estádio. Que melhor para um mestrado em manutenção de campos de golfe?
E já que estamos com a mão na massa, que tal mais uns mestrados para a Universidade do Algarve? eu propunha:
- Mestrado em Gestão e Manutenção de Água nos Canos, nos meses de Verão no Allgarve;
- Mestrado em Gestão e Manutenção de Famílias Inglesas no Verão no Allgarve:
- Mestrado em Gestão e Manutenção de Polícias nos meses de Verão no Allgarve;
- Mestrado em Gestão e Manutenção de Preços Baixos no Verão, no Allgarve.
Acho que com este governo, estas universidades e a imaginação dos portugueses, ninguém ficará sem um título de Mestre. Ou queriam que fosse só o Mestre de Avis?

domingo, 4 de maio de 2008

O FUTEBOL É MESMO ASSIM!

Não sei se só agora me apercebi disso, ou se andava distraído e só agora dei conta, mas a frase "treinadoral" que oiço a cada entrevista televisiva é essa mesma, "o futebol é mesmo assim...", não sei se para justificar alguma coisa, se para dar a conhecer uma visão desfocada da realidade futebolística do burgo.
Que o columbófilo Chalana afirme esta lapidar frase, tal qual La Palisse o diria se tivesse sido internacional de futebol, eu até compreendo e aceito, na medida em que o homem deve ter lido poucos livros relacionados com a profissão, escrito poucas frases mais rebuscadas para além das dedicatórias nas sessões de autógrafos em guardanapos e camisolas transpiradas, sem cair nos exageros do professor Manuel Machado, mas se não escreveu podia pedir a um desses jornalistas para lhe editar o "pensamento e obra do Chalana"... eu até me lembrei do João Malheiro, et pour cause...
Mas do Chalana eu até compreendo, assim como compreendo que o treinador Bento tenha um discurso quase quadrado e com leve sotaque espanhol, que aqueles anos em Oviedo lhe deram, bem enquadrado em todas as milhentas conferências de imprensa e reportagens que de Domingo a Quarta-feira escalpeliza (!) o jogo anterior e de Quinta-feira a Sábado antevê (!) o jogo seguinte. Há uns anos era só no final dos telejornais, mas hoje só consegue ser batido no início dos ditos pela 3.548ª notícia do rapto da menina inglesa, que um dia aparecerá pela mão do D. Sebastião num dia de nevoeiro, com o Presidente da Câmara de Santarém a apresentar cumprimentos.
E esta malta não aprende que as equipas pequenas jogam quase tanto ou mais que as maiores, apenas porque "o futebol é mesmo assim"... e como não aprende, vá de chamar nomes aos jogadores, treinadores, dirigentes e respectivas famílias, de alguma maneira justificados pela diferença enorme entre os jogadores que recebem e os que não recebem (antigamente era entre os que recebiam muito e os que recebiam pouco).
Os jornais da bola irão "escalpelizar" a coisa até à exaustão, concerteza com um título adequado, como seja "BENFICA EM CRISE", por exemplo, esquecendo até quem foram os dignos adversários, que com quatro meses de salários em atraso deveriam ser eles os titulares dos jornais, até porque não sei se o bairro de Benfica é mais representativo que o seu vizinho da "Porcalhota" (antiga e típica designação do bairro da Amadora). E a tudo isto só basta mudar os nomes para se aplicar na perfeição ao bairro das Antas e outras vezes ao bairro de Alvalade, porque na sua essência os adeptos são iguaizinhos aos " Capitães Moura" do sempre bem apanhado programa da "Liga dos Últimos".
Ao ouvir ontem o treinador Jesualdo Ferreira, outrora professor universitário, com as mesmas justificações do Chalana perante o insucesso, dizendo que os adeptos foram a melhor equipa no estádio, menosprezando os valorosos adversários do Nacional da Madeira, concluo que já o Meirim tinha razão quando dizia que no futebol, ao fim de 10 minutos de jogo, já não se diferenciava o doutor do cavador.
Mas o que me trouxe a esta crónica, o título que se destaca "o futebol é mesmo assim", só aparece porque o Correio da Manhã noticiava que num jogo de futebol entre o União de Almeirim e o Atlético Alcanenense foram expulsos e castigados 26 jogadores e mais alguns treinadores e dirigentes, não tendo sido castigados os massagistas só porque estavam a tratar os mais necessitados de cuidados médicos.
Caramba, se "o futebol é mesmo assim", ainda bem que já deixei de jogar há mais de vinte anos, senão teria de me despedir da família e levar a apólice de seguro de vida e tratamentos hospitalares, todos os fins de semana.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

O 1º DE MAIO É ETERNO!

Já lá vão 112 anos que meio milhão de trabalhadores encheram as ruas de Chicago, exigindo a jornada diária de trabalho de 8 horas, uma vez que naquele tempo, até os gangsters tinha horários superiores, acabando até por se integrar na manif, porque era tempo a mais e não havia tantos "padrinhos" e "corleones" para matar, como há hoje...
Hoje sim, com tanto mafioso, a liberalização de horários é um objectivo a atingir, porque só com 8 horas diárias não se conseguia assaltar, roubar e matar o suficiente. Eu até já ouvi dizer que qualquer ministro, secretário de estado, comissário ou mesmo presidente de qualquer coisa pública não têm horário de trabalho, daí o facto de haver nos dias de hoje demasiada gente sem horário das 9 às 5.
Com esta dinamização económico-social dos dias de hoje, é perturbador até o facto de já nem haver "horas de ponta" na capital, não se sabendo quem entra e quem sai do emprego, tantos são os carros em andamento na cidade, entrando e saindo de tudo o que é parque de estacionamento de shopings, mercados, expo`s, cinemas, restaurantes, teatros, discotecas e boites.
Mesmo assim, 20% da massa trabalhadora ainda cumpre as 8 horas de trabalho (ou mais), 112 anos depois da manif de Chicago, o que achamos uma aberração, mesmo sabendo que nessa altura eram seis dias por semana e agora são só 5, os outros 80% já se libertaram dessa treta de andar 8 horas atrás da máquina, funcionando no comércio, nos serviços e na vida artística, pelo que não podemos estranhar que só 100.000 ainda se manifestem por este país, na celebração do tal "1º de Maio".
Bom seria até que a esses 20% fossem reduzidas 2 ou 3 horas diárias, capazes de tornar activos aqueles milhares de desempregados que recebem o tal subsídio para não fazer nada, contrariando a tendência de sacrificar com muito trabalho uma minoria empregada, para subsidiar sem proveito uma maioria de 400.000 sem emprego.
Mas este festival de variadíssimos "1º de Maio" levou-me a ver na TV um governo turco, que quer entrar na União Europeia, a mandar bater e prender trabalhadores manifestantes, um governo cubano a inaugurar o "1º de Maio" sem discursos e com telemóveis "conectados con la revolucion", como diziam as tarjas empunhadas, o governo russo a não subsidiar o desfile e a coisa a cair de nível, qual manif tipo "feira de Carcavelos" e por último a Alemanha a colocar a polícia no meio de "fachos" e "anarcas", para levar com pedras dos dois lados.
Gostei de ver a malta nova dos "recibos verdes" a manifestar-se com muito empenhamento na baixa de Lisboa, em número reduzido tendo em conta as centenas de milhares de trabalhadores nestas condições, mas acho que o governo vai acabar com isso... talvez promulgando uma lei que altere os "recibos verdes" e promova os "recibos azuis", com direito a reforma por inteiro aos 60 anos de descontos.
Em Portugal, o senhor engenheiro foi passear para os jardins de S. Bento e eu fui comer uns pombinhos no tacho e beber uns canecos com os amigos, porque as artroses já não me deixam ir do Marquês ao Rossio, mesmo com o percurso a descer, mas eu sei que devia ter ido... o médico mandou-me andar e eu não aproveitei.
Fica para o ano.

terça-feira, 29 de abril de 2008

A DESGRAÇA ESTÁ A CHEGAR...

Eles dizem que é a crise, mas eu acho que não, eles estão a ser muito bonzinhos connosco, dizem as coisas com o sorriso do Ronaldo quando acaba de marcar um golo, só para que nós não nos assustemos, é verdade, eu vi o Peres Dizêlo, perdão, vi o Peres Metêlo afirmar no jornal da noite da TV que a coisa está preta, tão preta que talvez tenham já morrido de fome uns milhões por falta de massa... mais grave ainda que morrer doente é morrer sem massa, arroz, farinha e trigo para alimentar a malta.
Quando eu era miúdo, o meu pai dizia que lhe estava faltando a maçaroca (ou massaroca?) para sustentar cinco bocas e tudo se foi resolvendo com uns corpinhos esculturais sem açucares, chocolates, gelados, bombons, drops, coca-colas, matutanos, chocapics, bolos com creme (só nas férias de verão, na praia de S. Martinho do Porto, com 2 ou 3 idas e vindas na automotora da CP...). Agora vem o Metêlo dizê-lo, com um sorriso, que essa treta da comida deitada no lixo, do pão estragado deitado nos contentores, adeus oh meus amores que se vão... acabou, não porque somos hoje cidadãos mais instruídos e mais educados, mas apenas porque os cereais estão a aumentar de preço e vem aí o racionamento, talvez pior que aquele da 2ª guerra mundial, pior ainda que a "sardinha para três" que a minha mãe contava... uma desgraça total que só Jesus com a multiplicação de pão e peixe nos poderá salvar.
Tinha um amigo que dizia que essa estória de não haver pão e água não lhe fazia diferença nenhuma desde que continuasse a haver papossecos e vinho tinto, afirmando alto e bom som que quando fôr verdade que o défice de alimentos seja um facto, o som e o cheiro da fome ouvir-se-á para lá do deserto e o silêncio abafará todos os sorrisos dos Metêlos cheiinhos e carnudos.
A verdade é que a crise de que falam e escrevem uns entendidos de esquina de padaria é um embuste para que uma meia dúzia de organizações económicas se apoderem de mais e mais valor à custa de umas mortes sem sentido, que eles mesmos vão promovendo, de preferência no Sudão, Somália e mais uns quantos lugares fora dos circuitos turísticos e que não se vejam desde a estrada que os conduz ano após ano a Davos, na rica Suíça.
Um mais eficaz e desenvolvido circuito de distribuição de alimentos, que a Europa dá para zonas em risco e que são roubados e vendidos nos Roque Santeiros africanos, isto para falar de alimentos, porque se falarmos de carros dados, doados e roubados, esses chegam em perfeitas condições aos mais incríveis lugares da selva africana.
Mas por favor, não me martelem a cabeça todos os dias, os jornais e tvs com essa desgraça da fome em Portugal e até na Europa, dizem alguns analistas, quando se constata que são centenas de milhar os portugueses que tentam diariamente deitar para o lixo, nos "health clubs", as toneladas de gordura que consomem sem proveito e com prejuízo da saúde, já para não falar nos contentores dos supermercados que se livram de produtos em perfeitas condições, porque amanhã é dia de chegar nova carrada.
Tantos estudos, tantos mestrados e doutoramentos e ainda não se lembraram de comparar o peso e altura dos portugueses na década de 50 ou 60 e os tempos actuais? chegaríamos à conclusão que estamos a produzir e a consumir o dobro do que necessitamos, estragamos e deitamos para o lixo demasiada comida, especialmente e infelizmente nos refeitórios escolares onde está a geração da abundância e do consumismo desenfreado.
Fome? com os algarvios a enterrar metade das laranjas que produzem porque ninguém as quer? com os figos a secar nas figueiras sem que ninguém os apanhe? com metade da azeitona a ficar nas oliveiras, mesmo quando os proprietários as oferecem a quem as quiser apanhar? com os hipermercados a facturar cerca de 15 milhões de euros por ano em "comida para cães e gatos"?
Como quem não quer a coisa, já estou a encher a dispensa de tudo o que sejam cereais, que eu não passo sem uma sopinha de letras, mas também já pedi uns bidons para encher de gasolina, que ainda me lembro das filas dos anos 70 para poupar 2 tostões em litro, porque desta vez estes jornalistas podem ter razão com a crise e eu não quero ser apanhado sem nada para comer e sem poder dar uns passeios ao Algarve.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

HOJE É QUE DEVIA SER FERIADO...

O 28 de Abril é que deveria ser feriado! Pronto, não há nada a fazer, eu deveria ter tomado a decisão três dias mais cedo e tudo teria sido perfeito, calharia no 25 de Abril e eu comemoraria em grande, mas para as grandes decisões não há marcação, elas acontecem sem que nós tenhamos necessidade de preparar, organizar e tomar medidas previamente... bem, não será tanto assim, mas se repararmos a nossa vida está cheia de vitórias nas ocasiões menos prováveis, eu até penso que o "euromilhões" vai chocar comigo um dia destes, mas não consigo calendarizar a coisa.
Tomei a decisão de casar de um dia para o outro, a habitação fez-se sem dinheiro, contrariando qualquer projecto de curto, médio ou longo prazo, mas apenas porque não se podia dormir na rua, o segundo filho veio desprogramado sete anos depois da irmã, para resolver um problema de carreira profissional da mãe... e ainda bem que veio, os carros foram sendo comprados, não obedecendo a qualquer critério de planeamento económico, mas quando calhava e sempre quando não havia dinheiro que chegasse, a decisão de tirar um curso superior foi tomada entre duas refeições, olhando o telejornal, sem que alguma vez se tivesse discutido em família... enfim, tudo seria diferente e para pior se o hábito fosse fazer as contas e planear tudo com tempo.
E o 28 de Abril de 1978 foi mais uma decisão tomada na hora, uma feliz decisão, que me trouxe benefícios imensos, nos campos da saúde, da economia, das relações sociais e da melhoria das condições sociais, tirando-me até da chancela de "quase criminoso" que a sociedade actual quer rotular os viciados. Pois então eu decidi deixar de fumar numa sexta-feira, dia 28 de Abril de 1978! 30 anos passaram e embora hoje os problemas de asma e bronquite me atormentem, continuo a tentar convencer-me que se não tivesse deixado de fumar, a situação estaria bem pior.
Pois nesse dia, fui abordado na escola onde leccionava, por um senhor que me ofereceu uma revista de uma associação anti-tabágica e depois de a ler fiquei convencido, até pela última proposta para deixar de fumar que rezava:
"caso a vontade de fumar seja muito forte, tome um duche de água fria. Verá que o desejo de fumar desaparece, até porque não conseguirá acender o cigarro."
Sem consultas médicas, sem medicamentos e apenas com vontade de pagar as dívidas da habitação que tinha acabado de construir, há 30 anos deixei de fumar!
Por último um conselho aos fumadores:
"Se é contra este governo, deixe de fumar e deixará de lhe dar o dinheiro do imposto para eles esbanjarem",
"Se é a favor do governo, deixe de fumar! eles gastam os seus impostos a tratar as doenças do tabaco".
Além do mais, nos últimos 30 anos, o salário mínimo aumentou 25 vezes (16,5€ em 1974 para 426,00€ em 2008) e o tabaco aumentou 175 vezes (0,02€ em 1974 para 3,50€ em 2008).
Ainda vai continuar a fumar?

sábado, 26 de abril de 2008

ONDE É QUE ESTIVESTE DEPOIS DO 25 DE ABRIL?

Lembrei-me da célebre pergunta do Batista-Bastos "onde é que estavas no 25 de Abril?", tantas vezes referida e parodiada até pelo Herman José, do qual eu guardo bons programas e esqueci outros bem ruinzinhos, valha-lhe Sto. António, questão essa colocada para umas vezes saber onde estavam os inquiridos e outras só para saber onde não estavam...
Acontece que a minha geração, a do 25 de Abril, desculpem a apropriação mas um jovem de 19 anos a viver uma revolução militar e social é uma memória que não se apaga e concerteza um privilégio ter essa idade nessa altura, tal como outros terão tido 19 anos em 1910, aquando da implantação da República.
Foi um turbilhão de coisas novas, o cabelo pelos ombros, as calças à "boca de sino", os filmes para adultos ("garganta funda", "emanuelle", "o último tango em Paris"...), os filmes de excessos, como "Viva la muerte" de Arrabal, os filmes políticos como "Chove em Santiago", de Costa Gravas, um realizador empenhado em causas políticas, a coca-cola, revistas como a "Gaiola Aberta" do proscrito Vilhena, jornalista, escritor e caricaturista, que troçava de tudo e mais alguma coisa, qual Cesar Monteiro das realizações cinematográficas e radiofónicas (estou a lembrar-me de "Branca de Neve"), a música de intervenção (José Mário Branco, José Afonso, Júlio Pereira, o GAC, Fausto, Sérgio Godinho - a paz, o pão, habitação, saúde, educação), o Jazz de Cascais, o subsídio de férias e o pagamento dos meses de verão... é verdade, cerca de 90% dos professores só recebiam 9 (nove) meses por ano, antes do 25 de Abril, os gira-discos a passar música do Patxi Andion (... sera que los frios de invierno estan llegando?...), os livros do Henry Miller e depois a alfabetização de adultos, feita de convicções e vontades, com a Dina, o Luis Varela e a Isabel Costeira, em Vila Moreira e Alcanena, nos tempos do tal empenhamento revolucionário, e sem quaisquer contrapartidas que não fossem o prazer de sermos úteis a umas dezenas de pessoas que aprenderam a ler e escrever, recebendo o diploma da 4ª classe após um exame que os tornou mais e melhores cidadãos.
As viagens à Aula Magna, com o Zé Abreu e a Lisete, para dar corpo ao SGPL (ao fim de 33 anos de sócio continuo com o mesmo nº 9857, num cartão ainda assinado pelo Ludgero Leote, o primeiro presidente do sindicato, alguns poucos comícios e um afastamento progressivo das confusões, com marcação de presença em eleições locais sempre que achei que o devia fazer. O pior é que a minha geração optou por deixar que os seus filhos fossem descobrindo por si mesmos a democracia, a liberdade e os seus próprios compromissos sociais e políticos, porque não se deve interferir, porque cada um deve seguir o seu próprio caminho e porque... porque... não havia pachorra para contar histórias do 25 de Abril e porque todos éramos contra a interferência na formação política dos nossos jovens.
E eles cresceram livres e felizes, fermentando a ignorância política capaz de dar margem de manobra aos maiores disparates:
- Ah sim, o Salazar... pois, matou-se no bunker quando perdeu a guerra...
- General Eanes? hummm não conheço... mas não era um navegador português?
- Spínola? Então não foi o que derrubou o Salazar?
- Marcelo Caetano? ahh esse eu sei, fugiu para o Brasil e quando voltou ganhou as eleições a seguir ao 25 de Abril.
- O "Hotel" Saraiva de Carvalho? nem sei se fica no Algarve...
- Então se eu tenho só 30 anos, como é que quer que eu saiba alguma coisa do 25 de Abril?
Ontem procurei saber junto da minha filha se o 25 de Abril é só um feriado e, de uma jovem licenciada e profissional competente acabei por perceber que ela deveria ter investido um pouco mais na observação/intervenção política... acho até que há uns tempos disse ao rapaz para se inscrever no PS e à menina para se inscrever no PSD, plano estratégico necessário e suficiente para uma adequada carreira política, mas... eles não foram na conversa.
Há uns anos fiquei estarrecido quando um jornalista da SIC entrevistou uns "yupies" na 5ª Avenida, em Nova Yorque, e lhes perguntou se sabiam onde ficava Portugal... um entre vinte acertou que ficava ao lado da Espanha e tinha umas praias muito bonitas no Algarve.
Afinal porque é que os americanos deveriam saber mais de Portugal que os próprios portugueses? ontem o Presidente Silva esclareceu-me e eu agradeço.

domingo, 20 de abril de 2008

E AS NOVAS TECNOLOGIAS?

Num período em que as novas tecnologias se afirmam a cada dia que passa, com propostas cada vez mais prafrentex, capazes de fazer renascer o grande "brother" da vigilância total que todos abominam mas desejam, uma vez que sentem que a sua segurança está em causa e é melhor abdicar de uns "direitozinhos humanos" para salvaguardar a pele, as empresas propõem GPSs, hardwares e softwares, para que o menino nunca se perca dos pais ou até mesmo os avós acompanhados do amigo Alzheimer possam ser encontrados entre dois esquecimentos.
- Ah e tal, isso vai contra a minha liberdade, os meus direitos e a minha privacidade, independentemente de um dia destes a minha mulher me poder ver na tv com uma matulona loira, numa daquelas avenidas com cameras de filmar em cada esquina, quando o operador de imagem da TV estiver a olhar o pessoal em vez de direccionar a camera para o transito dos Cabos Ávila ou para o IC19...
- Oh pá, mas isso já acontece sem a malta dar por isso... olha, meti gasóleo na estação de serviço e paguei com multibanco. Ficaram logo a saber onde é que eu estava e a que horas, entrei na A1 e passei na "via verde", acabei por sair uma hora depois, sabem eles muito bem onde e a que horas, levantei dinheiro num multibanco e o talão confirma o que levantei, onde e a que horas, fiz umas compras no shoping com o cartão de crédito e ficaram a saber que tenho uma dívida para pagar dentro de um mês, jantei num restaurante à beira mar acompanhado com alguém que não era a minha mulher porque o cartão dela estava a pagar umas roupas numa loja a 200 kms de distância, dormi num hotel em quarto duplo, paguei com cartão e eles souberam...
- Caramba, não tinha pensado nisso, mas isto está cada vez mais perigoso...
Eu hoje não queria falar disso, o que me levou a fazer esta crónica é a falta de jeito dos governantes para aproveitar as novas tecnologias em benefício do bem estar das pessoas... então não é que se aproveitam todas as hipóteses de promover o "cartão na hora", "empresa na hora" e "quase tudo na hora", mas nunca ouvi falar na necessária e oportuna decisão da "votação na hora"? talvez porque as coisas ficam muito cibernéticas, faltará a emoção da contagem dos votos, dos delegados de mesa que deixarão de receber a diariazinha, faltarão também aquelas toneladas de papel que sempre ajudam a compor o orçamento da "Gráfica Mirandela", não sei se é esse o nome, mas não tem importância.
Achamos que a votação em qualquer eleição já deveria ter avançado para a tal votação internética, na medida em que resolveria muitos problemas relativos a mau tempo, deslocações dentro e fora do país, um dia de praia no verão, pessoal que poderia estar deslocado em trabalho e até eleitores internados em hospitais sem capacidade para se deslocarem a uma assembleia de voto. Se eu posso pagar os meus impostos através da internet, porque não posso eleger os meus candidatos da mesma forma?
Que melhor oportunidade teria o senhor engenheiro para proclamar as virtudes das novas tecnologias, senão legislar a "votação na hora"? ou ele acreditará que um eleitor pode ser manipulado no seu voto, lá em casa, sob a influência de familiares, amigos e caciques? e em redor das assembleias de voto ou fora delas, não acontecerá o mesmo?
Eu sei, eu sei, depois as estações de tv não têm a quem perguntar "já votou?" ou entrevistar os candidatos com aquelas perguntas com respostas em anexo, ou correr à assembleia boicotada para entrevistar o presidente da junta que está contra o fecho das urgências, ou da escola que já não tem crianças há 17 anos, ou dos lixos radioactivos que ainda não conseguiram matar os mineiros que entraram para as minas aos 10 anos e se queixam de estar doentes há mais de 60, exigindo uma indemnização... vá lá senhor engenheiro, arranje maneira de eu votar no meu portátil, numa tarde de verão, com a água do mar a molhar-me os tornozelos, que eu até voto em si.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

1000 BOJARDAS POR MÊS!!!

Mais uma notícia espectacular, capaz de tirar todas as preocupações, angústias, desilusões, incertezas e dúvidas em relação a esta sociedade e a este meu adorado país, o verdadeiro motor de desenvolvimento da sociedade das nações, exemplo de país charneira da União Europeia e do Mundo. Não, não estou louco, como cataloga o amigo Jardim todos os opositores da ilha, antes de os mandar ao oceano quando a ocasião se proporcionar, mas não duvido que, com mais meia dúzia de notícias destas eu não dê em maluco...
- O Estado gasta mensalmente 1000 euros por mês com cada um dos 12.000 jovens encaixotados nos antros da Segurança Social, sim encaixotados e enxotados para um qualquer bunker digno do Burkina Faso, Somália ou Etiópia, onde as crianças portuguesas são maltratadas ao longo dos muitos anos que lá passam...
- 1000 euros por mês com cada um? olha que são 12.000.000 de euros (doze milhões de euros, para quem faz confusão com os números) por mês para tratar, instruir e educar todos os jovens retirados às famílias que os maltrataram... parece-me dinheiro a mais...
- Então e não viste na reportagem da SIC aqueles jovens dizerem que nunca receberam um afecto, uma palavra carinhosa, uma meiguice? ouvi até que cerca de 500 em idade escolar estão internadas nessas pocilgas e nem à escola as mandam...
- E centenas de milhares de famílias portuguesas educam os seus filhos bem melhor, sem comparação, por menos de metade desse dinheiro.
- Pois...
- Acho que há aqui qualquer coisa que não bate certo... então aquelas instituições sem condições, são visitadas por técnicos da Segurança Social, que vêem a falta de condições e apesar disso deixam lá ficar as crianças?
- Ahh, mas o presidente da segurança social diz que não é nada de grave, que os casos são muito poucos, que, que, que...
- E esses técnicos entram às 9 e saem às 5? ouvi um pai adoptivo que teve um processo de adopção que durou 3 anos e que mesmo depois da adopção certificada em tribunal, a criança ainda esteve um ano na instituição até ser entregue aos pais adoptivos...
- E reparaste numa instituição privada que não recebe qualquer verba do Estado, dirigida por um técnico espanhol, que se mantém através de donativos e que abriu as suas portas e os seus jovens às cameras da SIC?
- Reparei, reparei... e também reparei num responsável de uma instituição que recebe verbas do Estado, onde os alunos mais velhos tratam dos mais novos e onde exigiram que as cameras da SIC fossem desligadas?
- E não seria melhor a ASAE fazer uma fiscalização destas instituições, dos seus jovens, responsáveis e técnicos, em vez de fiscalizar as "alheiras de Mirandela"?
- O que vale é que o Natal já está próximo e com umas prendinhas e uma ida ao circo, o problema resolve-se por mais um ano... e só faltam 8 meses até Dezembro.