domingo, 20 de abril de 2008

E AS NOVAS TECNOLOGIAS?

Num período em que as novas tecnologias se afirmam a cada dia que passa, com propostas cada vez mais prafrentex, capazes de fazer renascer o grande "brother" da vigilância total que todos abominam mas desejam, uma vez que sentem que a sua segurança está em causa e é melhor abdicar de uns "direitozinhos humanos" para salvaguardar a pele, as empresas propõem GPSs, hardwares e softwares, para que o menino nunca se perca dos pais ou até mesmo os avós acompanhados do amigo Alzheimer possam ser encontrados entre dois esquecimentos.
- Ah e tal, isso vai contra a minha liberdade, os meus direitos e a minha privacidade, independentemente de um dia destes a minha mulher me poder ver na tv com uma matulona loira, numa daquelas avenidas com cameras de filmar em cada esquina, quando o operador de imagem da TV estiver a olhar o pessoal em vez de direccionar a camera para o transito dos Cabos Ávila ou para o IC19...
- Oh pá, mas isso já acontece sem a malta dar por isso... olha, meti gasóleo na estação de serviço e paguei com multibanco. Ficaram logo a saber onde é que eu estava e a que horas, entrei na A1 e passei na "via verde", acabei por sair uma hora depois, sabem eles muito bem onde e a que horas, levantei dinheiro num multibanco e o talão confirma o que levantei, onde e a que horas, fiz umas compras no shoping com o cartão de crédito e ficaram a saber que tenho uma dívida para pagar dentro de um mês, jantei num restaurante à beira mar acompanhado com alguém que não era a minha mulher porque o cartão dela estava a pagar umas roupas numa loja a 200 kms de distância, dormi num hotel em quarto duplo, paguei com cartão e eles souberam...
- Caramba, não tinha pensado nisso, mas isto está cada vez mais perigoso...
Eu hoje não queria falar disso, o que me levou a fazer esta crónica é a falta de jeito dos governantes para aproveitar as novas tecnologias em benefício do bem estar das pessoas... então não é que se aproveitam todas as hipóteses de promover o "cartão na hora", "empresa na hora" e "quase tudo na hora", mas nunca ouvi falar na necessária e oportuna decisão da "votação na hora"? talvez porque as coisas ficam muito cibernéticas, faltará a emoção da contagem dos votos, dos delegados de mesa que deixarão de receber a diariazinha, faltarão também aquelas toneladas de papel que sempre ajudam a compor o orçamento da "Gráfica Mirandela", não sei se é esse o nome, mas não tem importância.
Achamos que a votação em qualquer eleição já deveria ter avançado para a tal votação internética, na medida em que resolveria muitos problemas relativos a mau tempo, deslocações dentro e fora do país, um dia de praia no verão, pessoal que poderia estar deslocado em trabalho e até eleitores internados em hospitais sem capacidade para se deslocarem a uma assembleia de voto. Se eu posso pagar os meus impostos através da internet, porque não posso eleger os meus candidatos da mesma forma?
Que melhor oportunidade teria o senhor engenheiro para proclamar as virtudes das novas tecnologias, senão legislar a "votação na hora"? ou ele acreditará que um eleitor pode ser manipulado no seu voto, lá em casa, sob a influência de familiares, amigos e caciques? e em redor das assembleias de voto ou fora delas, não acontecerá o mesmo?
Eu sei, eu sei, depois as estações de tv não têm a quem perguntar "já votou?" ou entrevistar os candidatos com aquelas perguntas com respostas em anexo, ou correr à assembleia boicotada para entrevistar o presidente da junta que está contra o fecho das urgências, ou da escola que já não tem crianças há 17 anos, ou dos lixos radioactivos que ainda não conseguiram matar os mineiros que entraram para as minas aos 10 anos e se queixam de estar doentes há mais de 60, exigindo uma indemnização... vá lá senhor engenheiro, arranje maneira de eu votar no meu portátil, numa tarde de verão, com a água do mar a molhar-me os tornozelos, que eu até voto em si.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

1000 BOJARDAS POR MÊS!!!

Mais uma notícia espectacular, capaz de tirar todas as preocupações, angústias, desilusões, incertezas e dúvidas em relação a esta sociedade e a este meu adorado país, o verdadeiro motor de desenvolvimento da sociedade das nações, exemplo de país charneira da União Europeia e do Mundo. Não, não estou louco, como cataloga o amigo Jardim todos os opositores da ilha, antes de os mandar ao oceano quando a ocasião se proporcionar, mas não duvido que, com mais meia dúzia de notícias destas eu não dê em maluco...
- O Estado gasta mensalmente 1000 euros por mês com cada um dos 12.000 jovens encaixotados nos antros da Segurança Social, sim encaixotados e enxotados para um qualquer bunker digno do Burkina Faso, Somália ou Etiópia, onde as crianças portuguesas são maltratadas ao longo dos muitos anos que lá passam...
- 1000 euros por mês com cada um? olha que são 12.000.000 de euros (doze milhões de euros, para quem faz confusão com os números) por mês para tratar, instruir e educar todos os jovens retirados às famílias que os maltrataram... parece-me dinheiro a mais...
- Então e não viste na reportagem da SIC aqueles jovens dizerem que nunca receberam um afecto, uma palavra carinhosa, uma meiguice? ouvi até que cerca de 500 em idade escolar estão internadas nessas pocilgas e nem à escola as mandam...
- E centenas de milhares de famílias portuguesas educam os seus filhos bem melhor, sem comparação, por menos de metade desse dinheiro.
- Pois...
- Acho que há aqui qualquer coisa que não bate certo... então aquelas instituições sem condições, são visitadas por técnicos da Segurança Social, que vêem a falta de condições e apesar disso deixam lá ficar as crianças?
- Ahh, mas o presidente da segurança social diz que não é nada de grave, que os casos são muito poucos, que, que, que...
- E esses técnicos entram às 9 e saem às 5? ouvi um pai adoptivo que teve um processo de adopção que durou 3 anos e que mesmo depois da adopção certificada em tribunal, a criança ainda esteve um ano na instituição até ser entregue aos pais adoptivos...
- E reparaste numa instituição privada que não recebe qualquer verba do Estado, dirigida por um técnico espanhol, que se mantém através de donativos e que abriu as suas portas e os seus jovens às cameras da SIC?
- Reparei, reparei... e também reparei num responsável de uma instituição que recebe verbas do Estado, onde os alunos mais velhos tratam dos mais novos e onde exigiram que as cameras da SIC fossem desligadas?
- E não seria melhor a ASAE fazer uma fiscalização destas instituições, dos seus jovens, responsáveis e técnicos, em vez de fiscalizar as "alheiras de Mirandela"?
- O que vale é que o Natal já está próximo e com umas prendinhas e uma ida ao circo, o problema resolve-se por mais um ano... e só faltam 8 meses até Dezembro.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

AÍ VAI BARÃO!!!



Hoje foi um dia difícil, bastante difícil mesmo, devido ao mau tempo verificado e se não foi tornado, andou perto. As árvores arrancadas pela raíz, os telhados das escolas e a cobertura do "meu" pavilhão, onde passo os dias de trabalho, por força dessa massa de ar descontrolada, fizeram com que me sentisse bastante mal disposto ao longo do dia.
É nestes momentos que sentimos uma total impotência perante a força incontrolada da natureza, mas acho que vamos ultrapassar as dificuldades e autarquia, escola e professores, todos faremos o impossível para no mais curto espaço de tempo, tornarmos as nossas instalações desportivas operacionais.
Infelizmente o meu carrinho também sofreu com esta alteração climática, levando com uma lâmina de chapa no vidro dianteiro, umas amolgadelas no tejadilho e a quebra do tablier, mas como bons portugueses, os meus colegas e amigos lembraram-me logo que eu afinal tinha tido muito sorte, porque podia ser pior... compreendi e agradeci com um sorriso amarelo. Claro que tudo se arranjará e depois de mais umas despesas adicionais, sabemos que dentro de seis meses já ninguém vai lembrar do caso.
Pensava eu que ao chegar a casa tudo concorreria para um serão sem mais transtornos, mas tive a desinteressante ideia de ligar a televisão, sendo apanhado com mais um "tornado"... caramba, que "tornado"! dizia o jornalista que o governo iria injectar (!) mais 100.000.000 de euros na RTP, sim, sim, CEM MILHÕES DE EUROS! fiquei atordoado e acho que o jornalista falou de um tal serviço público e tal e coisa, coisa e tal...
Ah, esclareceu-me também que desde 2003 e até 2009 vão ser injectados(!) 400.000.000 de euros na RTP, segundo o governo, para equilibrar as contas do tal canal.
E para rematar em beleza, qual livre do Cristiano Ronaldo na baliza dos gregos, o prolixo jornalista afirmava, com um sorriso "oposicionista" que nestes milhões todos não foram contabilizados os cerca de 60 milhões de euros anuais que nos são sacados sem pudor na "taxa de radiotelevisão" e que entre 2003 e 2009 somam mais 400.000.000 de euros.
Acho que a RTP fica tão cara ao Estado e aos contribuintes como o harém do príncipe do Dubai, com a desvantagem de eu pensar ser mais interessante passar umas noites no harém do que ver o "Quem quer ser milionário".
Não estarão os contribuintes a levar com injecções a mais, por parte do governo e da RTP, a tal estação de tv igualzinha à SIC e à TVI, estas mesmas que não me cobram nada e me dão programas tão maus ou um pouco melhores?
E não me esqueço que todos os meses esta maralha da RTP/governo me cobra 1,86€ para satisfazer mordomias de administradores, produtores, artistas fedorentos, empresas subsidiárias e sub-subsidiárias de tal maneira que se a entregassem de borla ao Dr. Balsemão eu agradecia a poupança dos meus impostos.
É que 100.000.000 de euros (e como eu gosto de escrever tantos zeros...) é muita massa , são quase 274.000€ por dia, todos os dias do ano, sábados, domingos e feriados.
Oh senhor engenheiro, então onde está essa vontade férrea de acabar com este forrobodó de chupar a teta da vaca, como dizia o Solnado? ou será que não convém? acabe lá com essa mama, que o contribuinte agradece.

terça-feira, 8 de abril de 2008

A TRAVESSIA



O dia começou bem, mesmo bem, ou não tivesse ouvido logo pela manhã, na RTP1, o engenheiro Carvalho Rodrigues dar a sua opinião sobre as possíveis "pontes" a construir entre as margens do Tejo, de uma forma simples e apaixonada, como sempre foi e será a sua forma de exprimir opiniões, capazes de me fazer sorrir e de alguma maneira conseguir isolar-me de tudo o que me rodeia. Bem podiam gritar-me da cozinha que as torradas estavam a torrar ou que o leite já fervia e entornava borda fora, porque os argumentos de Carvalho Rodrigues eram a melodia perfeita com a qual concordei desde a primeira argumentação apresentada.
E agora que acompanho esta crónica com uma das últimas canções do Pedro Abrunhosa, tudo se passa como se estivesse numa isolada ilha das caraíbas sem ninguém a dizer-me que o Benfica está numa luta acessa e fundamental para a sua sobrevivência, na luta pelo 2º lugar do campeonato... e eu a pensar que o 2º lugar é o 1º dos últimos...
Bem, devo confessar que Carvalho Rodrigues é uma das minhas referências e infelizmente dão-me todas as semanas com o professor "magdelo guebelo de sousa" e as suas iluminadas visões e convicções, que por melhor que sejam me reportam a um inusitado mergulho nas águas do Tejo, numa disputa autárquica que não venceu, como não venceu coisa nenhuma, fora dos jardins da Faculdade de Letras.
O engenheiro Carvalho Rodrigues tem o condão de me conseguir fixar tão bem aos seus argumentos como aquela cola instantânea em embalagens de 3 gramas, que à segunda tentativa já está mais que seca e que além dos objectos cola os dedos na perfeição, mas esta minha fixação já vem de trás, desde o dia em que em 1995 comprei "ontem, um anjo disse-me", um livro espectacular onde dá conta das suas ideias, sua visão e prospectiva em relação ao século XXI... e porquê século XXI? então o Homem parece já andar por aqui há 50 séculos e esqueceram-se dos outros 48?
Mas o objectivo da entrevista do engenheiro Carvalho Rodrigues é a nova ponte sobre o Tejo, na sua feliz designação a 3ª rua que pretende ligar uma metrópole de 1 milhão de pessoas a uma outra metrópole de 1,5 milhões de pessoas, com todos os entendidos a "construirem" pontes que assoream constantemente o "mar da palha" e que em cada conjunto de pilares provocam uma barreira de areias que, no caso de umas chuvadas mais fortes, já começam a inundar as zonas circundantes de Sacavém e daqui a algum tempo a zona da Expo.
E o que propõe Carvalho Rodrigues? túneis! túneis! túneis, quantos mais melhor, na medida em que será mais fácil compreender ambientalmente a existência de 10 ou 15 túneis entre o norte e o sul do Tejo, para ligação entre duas zonas metropolitanas, mesmo que os custos fossem um pouco superiores, o que não está provado. Então ingleses e franceses construíram o "tunel da Mancha" com 34 kms e nós não conseguimos fazer tuneis de 6 kms entre duas margens do Tejo?
Vá lá, perguntem ao Jorge Coelho se a Mota Engil tem tuneladoras capazes, porque se tiver, é meio caminho andado para darem razão ao engenheiro Carvalho Rodrigues.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

NÃO VOU SAIR DAQUI, NEM QUE A VACA TUSSA!

É a vida, um indivíduo começa bem cedo na história aos quadradinhos desta mega-metragem, que só espero acabar quando igualar o BI do senhor Manoel de Oliveira, que já faz filmes na Ribeira desde o tempo da "Segunda Guerra" e vai correndo, umas vezes em velocidade pura, outras em maratonística resistência. Alguém dizia que a vida faz-se... fazendo-se, tal qual La Palice dizia que depois da tempestade vem a bonança, isto era o que se dizia, porque em português técnico, já não é bem assim... a seguir à tempestade vem sempre um tsunami, não daqueles com um camião de gigabytes, que se podem comprar em 315 prestações sem juros, mas um desses verdadeiros, capazes de virar do avesso qualquer trabalhador que já visse um palmo de areia branca, umas palmeiras e umas caipirinhas bebidas com os pés em água morna, depois de 73 anos de descontos.
Essas mentes distorcidas, capazes de desiquilibrar o défice em menos de um fósforo, nada fazendo para nos colocarmos no pelotão da frente dos países mais desenvolvidos do século XXI, só pensavam dia e noite nessas tais reformas, defraudando as expectativas do país, confrontado com milhões que pouco fazem e pouco ganham, para se transformarem em outros tantos milhões de reformados que nada fazem e tudo querem ganhar. E quem pagava? o Estado não era? Claro que isso foi chão que deu uvas e nada como a introdução de uns decretos-lei para acabar com esta parasitagem, que queria uma reforma de deputado com apenas 36 anos de descontos, esquecendo que isso era no tempo em que os trabalhadores morriam com 50 anos de idade. Ora, começavam a trabalhar aos 10, eram reformados aos 46 e morriam aos 50. E tudo andava na paz do Senhor, não fosse o maldito SNS e aquelas malfadadas aspirinas da bayer para fazer o pessoal andar na boa até aos 90 anos... e que fazer, e que fazer? nada mais fácil, ou trabalham até aos 80 ou o sistema rebenta pelas costuras no ano 2022, que é para não se armarem em parvos com essa treta da segurança social e quejandos.
E eu, compenetrado, responsável e sempre a bem da nação, já disse aqui em casa que vou trabalhar até morrer, talvez porque ficarei bem visto, com a possibilidade de uma medalha no 10 de Junho, e afinal de contas sempre acho mais saudável trabalhar até morrer, que morrer a trabalhar.
Os meus colegas é que não querem, porque só podem subir de escalão quando o maluco do "velhote" se reformar, pelo que não acham piada nenhuma a esta minha ideia de não sair nem empurrado. Até já dou o chá a provar ao colega mais novo, com medo que me envenenem o "lipton" que todas as manhãs aqueço no micro-ondas do gabinete. Não, não é verdade o que escrevi, até porque os meus caros colegas gostam de me ver sempre que chegam de manhã ao pavilhão e me encontram com aquele ar jovial e feliz, sem nada que fazer, porque eu estou lá quando o horário manda e quando não manda. Mas já começam a desconfiar da minha saúde mental, porque marcam as reuniões, assembleias, formações e outras que tais e eu não refilo, estou sempre presente e com um sorriso inexpressivo, até mesmo quando me mandam ir ao Lidl comprar umas bolachas de manteiga e uns pãezinhos de leite pra acompanhar o cházinho... o que lhes vai retirando a ínfima possibilidade de subirem a titulares antes do ano 2045.
Mas eu faço que não percebo, quando eles estão a falar e se calam quando eu chego por perto, e vou continuar assim por mais umas décadas, porque sair mais cedo, velho, careca e com 48% de desconto na reforma, além do IRS, Segurança Social, Sindicato e do IVA do ginásio... isso nunca!
E o pior mesmo é que nesta aldeia global quem governa ainda não tomou consciência de que o benefício de uns é sempre o prejuízo de outros, que se uns trabalham anos a mais, outros trabalharão anos a menos, que se não me deixam gozar uns tempos de lazer, os empregados da indústria hoteleira ficam sem nada para fazer, se não posso fazer umas viagens de avião, a TAP dá prejuízo e os impostos aumentam...
Vamos lá a ver se deixam a vaca tossir...

domingo, 30 de março de 2008

PAPAI ME ESPRESTE O CARRO...

"Papai me empreste o carro, pra ir bater um sarro com meu bem", era este o refrão de uma bonita canção da brasileira Rita Lee, que tive oportunidade de comprar faz agora dez anos em São Paulo, numa maravilhosa discoteca com vários andares e muitas escadas rolantes que me fizeram sentir numa metrópole cheia de cor e vida, quase desconhecedor que ali ao lado do rio Tietê andavam miúdos a apanhar latas de cerveja e morriam a cada dia dezenas de pessoas vítimas de tiros de pistola.
Mas foi mesmo o facto de as pessoas morrerem de tiros de pistola que me fez pensar que este pessoal vivia num país do "terceiro mundo" e que dez anos passados eu vivo como eles, porque isto da globalização também tem os seus defeitos. E porque vivemos todos no "terceiro mundo", perguntarão vocês? simples... estamos todos no terceiro mundo porque ainda nos matamos a tiros de pistola, correndo o risco de passarmos alguns tempos na prisão, não muitos, que os nossos juízes são compreensivos e aceitam que em cada assassino há um "anjo gabriel" prontinho a dar às asas e cantar salmos de louvor aos Deuses e uma confissãozinha com arrependimento, se não dá vida ao morto, alivia-lhe a alma na subida aos céus.
Mas estamos a caminho do desenvolvimento pleno e nada melhor que matarmos os gajos que não gostamos com automóveis em vez de pistolas, o que bem vistas as coisas só traz benefícios na medida em que é mais fácil acertar na vítima com um carro que com uma bala, não temos que andar à procura de um carro para roubar e fugir e podemos ir até à esquadra depois do jogo de futebol na tv, que assim os guardas até agradecem.
Tudo isto porque ouvi hoje na tv que o motorista profissional de táxi que, bêbedo, atropelou 4 jovens numa passadeira de peões, fugiu sem prestar auxílio às crianças, uma delas ainda em estado de coma no hospital, pagou a multa por ir com os copos a conduzir e já se encontra feliz da vida a trabalhar. Ainda dizem que a justiça anda a passo de caracol...
A partir de agora só um indivíduo sem qualquer nível compra uma pistola para matar alguém, ainda por cima com a possibilidade de ser apanhado e passar algum tempo na prisão. Nada melhor, até para simplificar o processo em tribunal, que comprar um desses carros velhos "em fim de vida", por quaisquer 500 ou 600 euros, mais barato até que uma pistola jeitosa e aí vai disto, passa-se o vizinho a ferro na passadeira e diz-se que nos distraímos a olhar as pernas da mulher dele...
Só precisamos que a Rita Lee, a cantora brasileira, mude o refrão... Que tal "papai me empresta o carro, para passar o gajo a ferro"?

sexta-feira, 28 de março de 2008

DÁ-ME O TELEMÓVEL!

Ultimamente tenho lido algumas coisas sobre todas aquelas alterações sintáticas, morfológicas e outras que me esqueci, mas que vou tentar saber junto das colegas da área de letras, como se dizia há uns anos atrás, e que saiu a público como "Novo Acordo Ortográfico", necessário segundo os especialistas, para uniformizar a língua portuguesa entre todos os PALOPs, em geral e zonas de Miranda e Minde em particular. Isto no que diz respeito ao texto escrito, porque no falado cada um faz a "piação" conforme lhe der mais jeito.
Se alguma vantagem traz o "novo acordo ortográfico" é não haver necessidade de escolher aqueles downloads marados e executá-los com "português de Portugal" ou "português do Brasil", tal como vem nos programas com que vamos enchendo a "carroçaria" do nosso portátil. Assim, a vidinha fica facilitada e dentro de algum tempo estaremos a executar programas na internet com "português dos PALOPs", o que bem vistas as coisas, nos coloca ao lado da Commonwelth, com a importância geo-estratégica que daí advirá e até o "anti-acordo" Vasco Graça Moura acabará por concordar.
Mas o que me trouxe a esta crónica e ao título (não tem nada a ber com o Porto, carago!) é o facto de não termos capacidade como povo, para aceitar que a sociedade evoluiu e que o que em determinados momentos alguns sectores mais conservadores preconizam é o regresso... esquecendo o progresso.
E o progresso é que está a dar!
Ainda não repararam que tudo se alterou?
Trinta anos antes...
- Pai...
- Que é?
- Eu gostava de ter uma camisola...
- Uma camisola? para quê? não te chega essa que tens vestida? levas mas é uma galheta...
Uns dias depois...
- Mãe...
- Que é?
- Eu gostava de continuar a estudar...
- És parvo ou quê? os teus sete irmãos andam todos a trabalhar e tu ias estudar... vais mas é trabalhar que já tens bom corpo, que eu também não fui à escola e ainda não morri.
Trinta anos depois...
- Oh pai, gostas da minha camisola?
- Onde é que foste arranjar essa camisola do Benfica?
- Oh meu, integrei-me na Juventude XXIII e deram-me 3 petardos e esta camisola do Cardozo... os petardos mandei-os ao árbitro, mas a camisola não...
- Boa, vê lá se gamas uma para mim... pode ser do Leo, que eu sou assim pequenino como o gajo.
Uns dias depois...
- Oh velha, tens de ir à escola, porque a "stôra" de Francês quiz-me tirar o telemóvel na sala de aula quando tu me estavas a ligar, eu dei-lhe um encosto, "amandei-a" contra a parede e disse-lhe que tu ias lá resolver o problema...
- Ah sim, agora implicam com o teu telemóvel? amanhã vou lá dizer-lhe que o telemóvel é teu e está pago, que é para ela saber e se me começa a chatear ainda leva duas galhetas na tromba.
- Assim é que é, oh velha! olha, podes carrregar-me o telemóvel com mais 15 euros? é que ainda me pode calhar um mercedes...
Trinta anos depois...
(ainda não chegámos lá, mas vocês calculam, não?)

quarta-feira, 19 de março de 2008

"DIA DO PAI"

Nesta quarta-feira de chuva e frio, 19 de Março de um dos muitos calendários, acharam por bem comemorar o "dia do pai", todos aqueles que, como eu, precisam de inventar em cada dia um elo de ligação aos outros e neste caso aos filhos. É comercial? humano? socialmente aceitável? psicologicamente motivador? acredito que sim...
Acordei manhã cedo e logo o infatigável Macedo, na Antena 1 me lembrava o "dia do pai", a necessidade de recordar, com um abraço, uma prenda, um telefonema, aquela pessoa que nos ensinou a andar, a falar, a saber ouvir sim e não, o homem que foi nosso "herói" e que com o rodar dos anos foi exemplo, companheiro, amigo e no final... sábio.
O meu pai, infelizmente, já não pode (ou será que pode, lá no silêncio das estrelas?) ler estas palavras que evocam um homem bom, distante e próximo o suficiente para sentirmos a sua presença, o seu apoio, músico excelente que não me cansava de ouvir e que em cada dia festivo era admirado e elogiado pelas suas qualidades.
Foram mais as dificuldades, tempos difíceis que passaram e que calejaram essa geração da 2ª Guerra para saber ultrapassá-las, pais de um país pobre, económica, cultural e socialmente, onde os filhos quase sempre ficavam pela instrução primária e eram mão de obra barata quando ainda não tinham deixado de ser crianças.
Não gostava de praia, mas ia levar-nos ao areal da Foz, onde esperava pacientemente o fim de tarde de um qualquer dia de verão para nos trazer de volta a casa.
Mas gostava de "correr" de bicicleta (diziam-me em pequeno que era um bom ciclista e ganhava provas nas aldeias), ir ao café com a família, só ao sábado, como era normal na época , conversar com os amigos, ler a "A Bola", ir comigo ver o Benfica ao Estádio da Luz, naquelas noites de 4ª feira europeia, ver vencer o Dukla de Praga, o Feyoonord, o Vasas de Budapeste, o Real Madrid, sei lá... nesses anos sessenta era ele o meu "herói".
Crescemos ambos, fui à minha vida, como era normal acontecer e a casa cheia dos anos sessenta foi ficando para os pais viverem a sua vida, para aqueles dias de férias ou uma ou outra visita ocasional, em que o encontrava sentado no "seu" sofá, com aquele sentimento de quem estava em paz com todos. Acho que não conversei com ele tanto quanto devia, mas os nossos silêncios foram sempre pontes que nos ligaram durante todo aquele tempo em que nos fomos conhecendo e construindo.
Ele nunca o disse, mas orgulhava-se do caçula, tenho a certeza, da forma como fui crescendo, do trajecto escolar, desportivo e profissional, mas tudo isso só aconteceu porque tive este pai herói, companheiro e sábio, pela forma como soube dizer-me muitas coisas, às vezes só com o olhar, um sorriso ou meias palavras. E eu, que nunca comemorei "dias", estou agora a lembrar-me do "dia do pai", especialmente porque tive um dos melhores e procuro ser hoje tão bom como ele, fazendo por merecer as mensagens que o telemóvel hoje me trouxe e que me souberam melhor que um folar da Páscoa.
Não, não esqueço os pais sem filhos, todos aqueles que gostariam de receber um pequeno gesto, um carinho e que por um ou outro motivo estão impossibilitados de comemorar. Para eles vai esta minha crónica.

segunda-feira, 17 de março de 2008

A LEGITIMAÇÃO DO CALHAU.

De quando em vez vou até à minha mini-biblioteca, com aquele misto de curiosidade inexplicável que me faz percorrer os livros pela enésima vez, com a sensação de que nunca lá fui, de que tudo aquilo é novidade, e retirei um com o sugestivo título de "a docência como profissão" da autoria de Carlos Loureiro, mestre em Educação Física e professor na Escola Secundária Júlio Dantas em Lagos.
O título do livro é em si mesmo uma busca incessante de um conceito profissional, que leva às mais variadas desconstruções e porventura desvalorizações de todos os matizes económicos, sociais e políticos, sem qualquer valorização hierárquica e com a premissa "matemática" da ordem dos factores ser arbitrária.
Queremos com tudo isto dizer que a docência não é profissão? se, conforme as características das profissões, elas se regem pela prestação de um serviço, pelo aproveitamento de um saber, pela remuneração, pela avaliação e pela relação entre quem fornece o saber e quem o recebe, podemos concluir que quase nada escapa ao conceito de profissão...
Mas logo apareceram uns teóricos que compartimentaram a profissão para que quem tivesse dúvidas pudesse escolher o "fato à medida"... e não foram de modas: "subprofissão", "pseudoprofissão", "profissão marginal", "quasi-profissão" ou "semiprofissão". A partir daí foi fácil a apropriação destes diferentes conceitos para denegrir a imagem dos segmentos profissionais e sociais que em cada momento devem ser "exterminados" pelo poder (em sentido figurado, porque já não estamos na "idade da pedra"), através de alguns jornalistas mais próximos da facção no poder. Outros aparecerão quando a mudança de poder acontecer, daí o facto de não termos, eu e mais uns milhões, qualquer tipo de ilusão. Já basta desejar que o Benfica ganhe o campeonato...
Todos os conceitos que referi, levaram-me a conjecturar uma definição para cada um deles, que tentarei desenvolver, sei lá...
"subprofissão" - um tal adolescente Rangel, mau estudante, indisciplinado e delinquente no Liceu de Sá da Bandeira, em Angola nos anos 60, treinando a "subprofissão" para uma possível entrada com armas e bagagens no "submundo".
"pseudoprofissão" - um tal jovem Rangel, radialista numa emissora de rádio de Sá da Bandeira, sem qualquer formação profissional nem avaliação, mas com a mania que sabia colocar no ar discos de vinil.
"profissão marginal" - um "et cetera" e tal Rangel de meia idade, com um berbequim nas unhas, a tentar arrombar uma porta da estação de rádio TSF.
"quasi-profissão" - Um Rangel e tal, com um quasi-diploma, a leccionar Comunicação Social numa universidade de "vão de escada", onde foi colocado pelos amigos e sem qualquer concurso ou avaliação. Parece ter no registo biográfico uma declaração da SIC-Bolsanamão, TSF e Rádio Sá da Bandeira, com pós-graduação.
"semiprofissão" - Um "sempre em pé" Rangel, com semi coluna no Correio (Diário da Manhã), semi-professor universitário, semi-indemnizado da RTP com 650.000 euros dos meus/nossos/vossos impostos e semi-reformado...
Um dia este Rangel vai ser o tema da minha tese de mestrado, mas... preciso de um fim de semana para a fazer.

domingo, 16 de março de 2008

A AVALIAÇÃO, POIS CLARO!


Já lá vão uns anos que em pleno segundo período do ano lectivo, levo os meus jovens alunos a abordar a dança, uma das muitas matérias em que, embora não especializado, fui fazendo a minha formação, através de acções técnicas organizadas e levadas a cabo pelo departamento a que pertenço. A abordagem e consequente incorporação nos programas da disciplina de novas modalidades desportivas e culturais tem levado muitos profissionais de Educação Física (ou será Motricidade Humana?) a uma permanente actualização que não se compadece com imobilização ou cristalização de conhecimentos, como tenho lido em muitas crónicas jornalísticas, que denotam um total desconhecimento da realidade escolar.
Mas porque raio venho novamente falar de ensino, de educação e tudo o mais, quando desde há mais de um ano tenho o meu blog e nunca tinha tratado do assunto? não sei, na verdade este "tsunami" de críticas aos profissionais de educação deve ter uma influência decisiva para que o foco dos meus pensamentos não saia deste domínio.
Hoje, na rotina do café de Domingo, percorri o "Correio da Manhã", por especial favor do proprietário da pastelaria, jornal que só comprarei quando me esquecer de um tal Rangel, que me rangeu os dentes há uns dias... e não é que fui dar com semelhante criatura numa festa de apresentação do "Sasha", onde modelos, namorados, ex-namorados, jovens artistas jet-setianos sorriam para as fotos que irão encher as "holas" cá do sítio? é ali, naquele ambiente pós-moderno, com copos, fumo e o mais que eu não digo mas suspeito, que o Rangel prepara as suas "hooliganianas" crónicas? talvez fosse aconselhável recomendar-lhe que sopre o balão antes de começar a escrevê-las...
Pois, voltando à dança, não sabem quanto temos de ser amigos, companheiros descomplexados, compreensivos agentes de confessionário, para levar jovens de 17 anos a gingar, bambolear o corpo, promover a rotação da cintura, mexer os pés em ritmo binário e terciário, a agarrar a mão da colega ou do colega quando a turma tem 15 rapazes e 10 raparigas e não há o adequado parceiro de dança... o começo do bloco com os rapazes a recuar até à parede de topo do ginásio, escondidos atrás das colegas que não se escondem atrás deles porque a parede não deixa, os passes básicos do merengue, do vira, da rumba, do malhão ou da salsa, que só começam a ficar mais ou menos apreendidos na quarta ou quinta aula, a melhoria que lhes dá uma crescente auto-confiança. que os começa a fazer sorrir e a preparar-se para a coreografia final que todos querem apresentar nas duas últimas aulas de avaliação. O princípio, meio e fim de um processo de relação e socialização, tão necessário à construção do homem do futuro, o profissional capaz de interiorizar os benefícios das tarefas em grupo, da imagem simples que nos leva a dizer que o todo não é apenas a soma das partes.
Ahhh, mas já me esquecia do objectivo da crónica, da avaliação de desempenho dos diferentes técnicos com cinco anos de licenciatura, na maioria dos casos, que posteriormente concorreram a um estágio pedagógico com dois anos de duração e avaliação positiva. Estes professores, vão ser avaliados, através de objectivos pedagógicos, que perseguem; planos, fichas e acções que elaboram quase diariamente; análises e reanálises que vão corrigindo; pareceres e propostas que vão apresentando; supervisão pedagógica a que serão sujeitos em actividade pedagógica directa e presencial. Pois bem, eu acredito que a grande maioria vai demonstrar uma qualificação pedagógica bastante elevada, muito embora essa qualificação impeça mais de 90% dos professores de aceder aos últimos escalões da carreira docente, uma vez que dentro de 3 ou 4 anos não haverá vagas nesses escalões, o que é fácil entender, na medida em que os professores deixarão de sair ao fim de 36 anos, para saírem com 44, 45 ou 46 anos de serviço.