sábado, 22 de dezembro de 2007

TROCAS E BALDROCAS

Tribunal de uma Comarca próxima de si, 19 de Novembro de 2007.
Peça num acto (desesperado)
Juíza - O seu nome?
- Carlos Jesus...
Juíza - Com que então, excesso de velocidade... o senhor não sabe andar devagar?
- Mas...
Juíza - Cale-se! ainda por cima tem a mania que é um ás do volante, desses que encontramos todos os dias nas estradas a provocar a desgraça de muitas famílias... já se esqueceu que houve um cidadão que perdeu a vida neste acidente?
- A senhora doutora deve...
- Cale-se, que ninguém lhe pediu para falar! É sempre a mesma coisa, têm sempre uma desculpa pronta, mas na hora de pegar no volante esquecem-se das regras de conduta. Não se lembra que já anteriormente teve uma contra-ordenação grave?
- Grave?... descul...
- O senhor vai ficar calado e não volta a interromper, ouviuuuuu? se volta a interromper vai ver a pena agravada. É por estas e outras que todos os anos vemos milhares de mortos e feridos nas estradas do país... e já vi que essa primeira ocorrência deveria ter servido para o arguido tomar consciência da gravidade da sua conduta, uma vez que até passou um sinal vermelho...
- Sinal vermelh...
- O senhor além de péssimo condutor é mal educado! Vai condenado a nove meses de prisão com pena suspensa por um ano, oito meses de inibição de condução e setecentos euros de multas, custas do processo e outras despesas, dado o facto de ser reincidente. Tem alguma coisa a declarar?
- Meretíssima, como advogado do senhor Carlos Jesus, tenho a declarar que o meu constituinte nunca foi multado por atravessar sinais vermelhos, nem objecto de contravenções muito graves, pelo que sou levado a pensar que V. Exª. se equivocou e trocou os processos, uma vez que ficou provada na altura a culpa do condutor falecido no acidente.
- ...
- Face ao engano verificado...
- A setença foi proferida! Caso ache que a razão lhe assiste, faça o recurso da sentença.
(A boca de cena não foi fechada, como devia, no final do acto, mas ninguém deu por isso... o público saiu em silêncio, depois de ter sido feito um peditório a favor do Carlos Jesus, porque a juíza não aceitou o pagamento com cheques pré-datados).
Entretanto o morto foi exumado para ver se tinha no casaco a verba suficiente para pagar o processo, caso o Menino Jesus, perdão, o Carlos Jesus seja absolvido, o que não acreditamos, pois ao Kafka aconteceu o mesmo.
Há uns tempos, escrevi uma crónica em que concluía que das mulheres na GNR/Polícia, no futebol e na magistratura, só se aproveitavam os perfumes, mas ninguém ligou...

domingo, 16 de dezembro de 2007

SEIS MESES SEM GOVERNO!

Não, não estou a exigir o que quer que seja, mas apenas a citar um jornalista que anunciava na televisão o facto extremamente grave, sublinhava o homem, de a Bélgica, um dos países mais desenvolvidos do mundo, não ter governo há seis meses.
Ao contrário do que os iluminados governantes de todos os quadrantes possam pensar, os governos apareceram para regular o funcionamento das sociedades, até pelo facto de a maioria das pessoas não ter capacidade intelectual ou económica que bastasse para se governar a si mesma ou no conjunto, legitimando de alguma maneira o aparecimento de orgãos de regulação e governos. Concerteza a situação levou o seu tempo, com algumas bordoadas no lombo daqueles mais intransigentes, que se achavam livres de não alinhar com os governantes, que se iam organizando por forma a manter ao longo dos tempos os Menezes, os Albuquerques, os Almadas, os Castelo Branco e alguns mais, sempre uns degraus acima dos Silvas, dos Sousas e de muitos outros menos.
E paradoxalmente, com a aquisição de melhores níveis de vida do povinho,os governos conseguem manter-se à tona e cada vez com objectivos mais complexos, de maneira que as pessoas pensem que sem eles seria o caos... e é bom que continuem a pensar assim, porque se começam a pensar que não, temos mais uns tantos desempregados nas estatísticas. Lembrei agora o inefável almirante Pinheiro de Azevedo que um dia à porta da Assembleia da República, anunciou a demissão do governo e mandou os trabalhadores da construção civil "bardamerda".
Casaco desabotoado, mãos enfiadas no cinto das calças, em pose típica de forcado amador, os jornalistas caíram-lhe em cima...
- Então e agora, sr. almirante?
- Agora o quê? agora não quero saber disto para nada, acabou o governo! estou farto de ser sequestrado!
Acho que foi uma altura histórica desperdiçada para inscrevermos Portugal na história mundial, como o 1º país da pós-modernidade a funcionar sem governo, muito embora já tivessem havido umas tentativas no Burkina Faso, na República Centro Africana e no Congo Brazaville, mas sem resultado, porque eram sempre os mesmos a passar fome...
Nessa altura fiquei preocupado e andei umas noites sem dormir, não sei se por medo ou porque os meus amigos continuavam a preencher comigo as noites longas do Café Facho, mas... andámos uns tempos sem governo e os trabalhadores da construção continuaram a acartar baldes de massa e a receber no fim do mês. Aí eu desconfiei que se calhar isto até andava mesmo sem governo...
Passados mais de 30 anos, aparece a Bélgica sem governo há mais de seis meses, o pessoal flamengo e valão continua a trabalhar, tudo continua tão limpo e higiénico como no tempo do governo e se não se despacham a arranjar um primeiro-ministro, os belgas ainda propõem a extinção "ad eternum" de qualquer governo, probindo-o como fizeram ao tabaco e à matança do porco. A propósito, fui no passado fim de semana a uma ilegal matança de porco, ali para os lados da Batalha, regado com uma ilegalizada água-pé e nem queiram saber o prazer que dá uma dentada na ilegal bifana...
Paradoxal será Bruxelas, capital da União Europeia, acordar um dia destes como capital de um Estado sem governo. Aí sim, começo a ter esperança no futuro, porque o meu avô, proprietário rural de uma courela de meio hectare, como o designava o Estado no início do século XX, já me dizia que viveu sempre sem sentir necessidade do governo. O velhote sabia o que dizia e nessa perspectiva eu compreendo a necessidade dos governos em não fazer evoluir muito a maralha. É que a malta, um dia, pode achar que vive bem sem governos.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

A TAXA DE TELEVISÃO

Ao abrir a caixa de correio electrónico, deparei-me com uma resposta da DECO a uma reclamação colectiva que circula na net e que tinha encaminhado esta manhã para aquele organismo de defesa do consumidor. Ainda pensei que a DECO tivesse lá alguém sem fazer nada, para responder tão rapidamente, mas reparei logo que a carta é uma resposta automática a uma reclamação automática. Antes assim, porque nas reclamações tradicionais com carta registada, nem resposta nos dão.
E o que contestei? a taxa da televisão, que, segundo a DECO, o governo cobra para financiar a actividade da RDP - antena1 e antena 2 (não sei porquê, omitem a antena3), bem como a actividade da RTP1 e RTP2. E contesto porque a taxa de televisão entrou em vigor ainda no tempo da ditadura, juntamente com a licença de isqueiro (também podiam fazer mais umas coroas com esta taxa...) e sempre se justificava com o facto de haver pouca publicidade, segundo os "mamões" da altura.
Dá-se o 25 de Abril e algum tempo depois o Dr. Aníbal acabou com essa aberração, até pelo facto de as televisões privadas nos darem os mesmos maus programas de borla.
Para sossegar as sanguessugas do "regime televisivo", instituiu o governo as "indemnizações compensatórias", saídinhas de fresco do orçamento de Estado, assim como se liberalizou a publicidade, ou seja, acabou a taxa, mas começou o regabofe das indemnizações e tanta ou mais publicidade que nas televisões privadas.
Mas a têta não dava para tanta cria e em 2002 voltou a taxa, remodelada, recauchutada e reinstalada (esta é a verdadeira política dos 3 erres), para alimentar a parasitagem que mama na têta da vaca enquanto houver, como diz o Raul Solnado.
- Então e como estamos hoje, senhor ministro?
- Ainda bem que me faz essa pergunta...
- É que temos as indemnizações compensatórias, a taxa da tv e a publicidade... acha pouco?
- Essa sua questão é bastante pertinente...
- Parece que de taxas são cerca de 60 milhões de euros, de indemnizações do orçamento de Estado são 152 milhões em 2007, para além de 150 milhões em 2006, 145 milhões em 2005, 143 milhões em 2004 (números retirados de consulta a documentos governamentais), e de publicidade são mais umas dezenas de milhões, senhor ministro...
- Não lhe posso dar uma resposta cabal, até porque não tenho aqui os dados à mão...
- Mas deve saber, senhor ministro, que a RTP mesmo assim, prepara-se para dar uns milhões de euros de prejuízo em 2007... acha que as televisões privadas dão lucro porque vendem droga nos estúdios, ou pagam os cachets em "queijadinhas de sintra"?
- O governo está atento e não deixará de dar uma resposta...
- E o administrador da RTP que com mais de 250 milhões de euros de receita, não conseguiu dar lucro, foi elogiado pelo governo e mandado para as Estradas de Portugal, vai conseguir os mesmos resultados, ou vai instituir uma taxa prós pneus?
A meio da questão, o ministro desapareceu por trás dos placards das empresas patrocinadoras, suspeitando-se que o governo aprove, na próxima reunião do "conselho de ministros" a nova taxa de licença de isqueiro... se o povo pagava há 40 anos, porque é que não há-de pagar agora? A DECO estará de acordo, estou convencido.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

MÁRIUS LINUS I - O ALDRABÃO

- Porreiro, pá! eu que não tinha nada para escrever a não ser a cimeira Europa - África, levei com uma reportagem na Assembleia da República, que me eriçou os cabelos, todos os cabelos deste corpinho...
- Mas olha que a cimeira é um bom assunto... tens aquele artista do Mugabe, democrata dos sete costados, que só para não deixar o poder a meia dúzia de aspirantes a ditadores, se mantém democraticamente no poder desde... desde... até já perdi a conta, pá! mas já lá vão uns anitos, porque ele ainda tomou posse com uma boa carapinha e sem óculos...
- Pois, mas o assunto de hoje é outro... escolhi o camarada Linus I, Márius Linus para fazer uma crónica bem disposta. O homem está numa forma, que já nem as curvas de Monsanto o descarrilam, com aquela pose de homem de estado e que estado...
- Não sei não, a baixeira, desculpa, a cimeira Europa - África está mais na berra, não te esqueças que já há sete anos que não se realizava e aquela malta já estava com saudades de visitar a Europa... especialmente o Moamad al Kadafi. Agora lembrei a professora que ía sendo fuzilada porque deixou os meninos chamar Moamad ao urso e os gajos na Líbia têm um urso com o mesmo nome e não fazem nada.
- Boa piada! vá lá que não estás no deserto do Márius Linus I, porque já houve um ministro que foi para a rua por contar uma anedota, aliás sem piada nenhuma. Este país nunca teve muito jeito para anedotas, a não ser as do Samora Machel... ele não está na cimeira pois não? ah pois, ele morreu, mas se ainda fosse vivo cá estaria ele também, democrata como ele era...
- Ainda tinhas mais uns cromos para a crónica, como aquele do Sudão... ou do Darfur? é o Sudão no Darfur ou o Darfur no Sudão? esta geografia... se tivessem deixado tudo como estava no mapa cor de rosa, ainda trocávamos uns barcos de refugiados por um paquete de turismo de qualidade do pessoal europeu da mesma côr...
- Oh pá, tem paciência mas hoje é o Márius Linus I, de cognome "o aldrabão" e se não sabes eu conto: o ministro Márius, em Março passado disse na tv que o aeroporto construído na margem sul, jamais! jamais!
- E disse muito bem, aquilo em Alcochete é um deserto, agora até tem lá os passarinhos de bico direito, para não falar dos toiros, que aquilo é zona taurina... mas voltando à cimeira, reparei que o presidente da Guiné-Bissau, o camarada Nino Vieira já lá esteve, saiu e voltou concerteza sob o patrocínio do Valentim Loureiro, seu amigo desde a trapalhada das batatas da messe. Mas ainda bem que o Nino voltou senão tínhamos levado com o carnavalesco barrete vermelho do Kumba Ialá... do mal o menos.
- Hoje, na Assembleia da República, uma casa séria, onde as pessoas respeitam os outros e se respeitam a si mesmas, se não me engano, o camarada ministro afirmou, que eu ouvi, "eu nunca disse margem sul, jamais! jamais!"( leiam jamé! jamé! como fazem os franceses). Eu sei camarada ministro que você vem da escola leninista, a malta que está atenta não esquece, mas assim como o Lenine mandou apagar o Trotsky da fotografia, se o meu amigo fosse inteligente tinha mandado apagar o filme do arquivo das televisões. Agora gozam consigo e têm razão.
- Caramba, não perdoas nada, pá! isso é alguma coisa comparada com os 150.000 empregos do senhor engenheiro...
- Tens razão, para ouvir aldrabões não precisavamos de os trazer de África!

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

26% ESTÃO OPTIMISTAS!

Apenas 26% dos portugueses estão optimistas, quando todos sabemos que nos últimos 60 ou 70 anos a sociedade evoluiu de tal maneira que em muitos sectores da vida económica e social, a análise comparativa, mesmo que superficial, nos levaria a uma quase absoluta opinião de que o nosso país melhorou imenso.
Alguém dizia que os optimistas são apenas pessimistas distraídos, na medida em que a essência do nosso comportamento individual e colectivo foi-se formando ao longo dos séculos como um repositório da culpa "paradisíaca", não, não me estou a referir ao Havai ou às Seychelles, mas sim ao Adão, à Eva e à mordidela da maçã.
Conta-se até que os nossos primeiros companheiros de percurso, foram expulsos do Paraíso apenas por um mal entendido, tendo Adão comido a maçã, quando lhe tinham dito para comer a Eva. Um erro que transportou o sentimento de culpa até aos nossos dias, espelhado nesta conclusão culpabilística de 74% de pessimistas. É obra!
Então o estudo escolhe aspectos fundamentais para chegarmos a tanto pessimismo, dos quais destaco "juventude". Quando se fala de juventude a uma sociedade envelhecida, querem que o pessoal se encha de optimismo e comece a rir às gargalhadas? Depois vêm a "beleza", num país onde a maioria da população gosta de loiras de olhos azuis e o que nos sai na rifa são morenas de cabelo preto e com influências árabes... querem a malta optimista?
Reparem bem nos anúncios publicitários, outro importante parâmetro influenciador do nosso baixo índice de contentamento, com paisagens de sonho, mulheres sempre sorridentes, propondo-nos férias, viagens, créditos, automóveis topo de gama... e eu pergunto como é possível aumentar o número de optimistas neste país?
É claro que se mostrassem as coisas boas do dia a dia, a malta a ler o jornal sem pagar, enquanto bebe um cafézinho por um terço do preço da Europa desenvolvida, uma espreitadela grátis à porta do tribunal para ver o pai da menina que foi raptada pelo pai biológico, que fugiu com a mãe de acolhimento e foi preso por engano, a cerveja do hipermercado a 0.20€, o que proporciona bebedeiras ao preço da chuva, o horário que não se cumpre, o cozido à portuguesa feita pela Eugénia a 5,00€, que não se encontra nem no Zimbabué...
Suspeito até que este pessimismo só se justifica porque o Benfica não ganha nada há uma data de anos e temos seis milhões de benfiquistas, não é?
Em relação às telecomunicações, com tanta oferta, ninguém acerta no modelo de tv, dvd, pc, hi-fi, playstation, gameboy, mp3 e telemóvel de última geração... phone-ix!!! Como podemos estar optimistas?
Nas bebidas, querem que bebamos tudo sem alcool, ficando com frio no inverno e calor no verão, sabendo que umas boas cervejas, bem geladas, só podem tornar-nos mais optimistas. Esta censura do século XXI é pior que a inquisição, já para não falar no tabaco que nos querem tirar, um meio privilegiado de relação social ("desculpe, tem lume?") e que nos dava aquele optimismo que nos fazia avançar... qualquer dia é o café que provoca hipertensão, como podem querer o pessoal optimista?
A Comunicação Social, parâmetro de investigação do nível de optimismo? essa não lembra ao diabo! Com tanta notícia pessimista, querem que a malta se ria?
Bem, é melhor não falarmos mais nisto que estamos quase no Natal e nada melhor que umas filhós e uns coscorões para aumentar a percentagem. Façam um inquérito no Natal e vão ver que chegamos com facilidade aos 80% de optimistas.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

XTÔ XOKADO!

Os alunos portugueses com 15 anos de idade ficaram abaixo da média da OCDE e parceiros, em conhecimento geral, ou seja, com 57 países à nossa frente na classificação geral do conhecimento.
Parece que não ficámos mais atrás porque a Guiné, o Sudão, a Etiópia e todos os outros nem tiveram conhecimento da prova, ou não tinham esferográficas para todos.
É tão mau que desconfio que até mesmo na adição os nossos miúdos falharam, tão habituados estão a ver os pais a fazer provas de subtrair nas contas do mês, lembrando-me dos "gatos" quando dizem que há coisas deprimentes... nada tão deprimente como o anúncio televisivo em que fecham a porta a quem pede para fazer um telefonema, pois, pois, as coisas têm graça quando não chocam com o bom senso, não é? os nossos jovens de 15 anos vão perceber que aquilo é piada, ou vão fazer pela vida fora como os gatos, fechando a porta a quem precisa de ajuda?
Bem, já me estou a desviar da média, mas percebo no final da notícia que se o exame fosse feito unicamente pelos miúdos de 15 anos que andam no 10º ano de escolaridade, como deveriam andar todos, a média era superior e teríamos ficado entre os primeiros, ou seja o problema é que os agentes do PISA (o programa de exame) seleccionaram jovens de 15 anos independentemente de andarem no 10º ano, no 7º, no 5º ou nos Centros de Recuperação Infantil.
Como temos a mania de nos auto-flagelarmos, aceitamos que nos tratem um pouco pior do que nós na realidade somos, pois profissional do ensino há uns anitos, vejo que a maioria dos alunos se preocupa, trabalha e estuda, até porque vêem os pais com dificuldades, também provocadas pela falta de estudo quando tinham a idade deles.
Um dos problemas actuais é a facilidade com que se "usa e deita fora", qual chiclet, especialmente naqueles programas televisivos, onde a luz fascina jovens ainda em construção, incapazes de perceber que uma ida a um concurso não é o fim da estrada e que sem trabalho e muito esforço não conseguimos ser bons em nenhuma actividade.
Parecendo que não, houve nos últimos anos alguns programas de tv que nos dão o lado do palco e o outro lado "da noite" onde se vêem jovens transpirando, repetindo até à exaustão esquemas, vozes e sons, para que nada falhe no momento de "glória", transmitindo a noção de que é preciso muito empenho para que tudo pareça fácil e natural.
Essa treta de que somos um país de atrasados mentais e formamos legiões de analfabetos só pode ser suportada por comentadores sociais que querem 80% da população a saber de tudo e mais alguma coisa, quando na verdade as sociedades se têm desenvolvido com os 20% de tecnicos de alta qualidade e 80% de trabalhadores regularmente formados, informados, atentos e respeitados.
O grande problema é que na actualidade o vigarista e o jovem dos "gangs" têm tempo de antena na tv e os que trabalham, estudam e se esforçam passam anónimos... estão a ver como isto está virado? dá mais nas vistas o "artista" que se pavoneia no centro comercial com o telemóvel caro que aqueles que queimaram as pestanas a inventá-lo... alguém sabe quem é o indivíduo que desenvolveu a ideia do telemóvel? gostava de lhe dar um abraço!

domingo, 2 de dezembro de 2007

HÁ COISAS DEPRIMENTES, NÃO HÁ?

Que a coisa está preta, já dizia o Chico Buarque há mais de trinta anos, um período de tempo que se transforma e nos transforma de tal maneira que para quem não quer saber de nada, tanto pode ser 30, como 300 ou 3.000... e há tanta gente que não quer saber de nada que até o nada as atrapalha. Tudo é tão frágil, fugaz e desinteressante para esta geração que até as borbulhas deixaram de aparecer na cara, para os preocupar com alguma coisa.
Se nos voltamos para a história recente, confundem o Eanes com o Gil Eanes, o Spínola com o Tomaz, o Bernardino Machado com o Machado dos Santos, o Sócrates com o José Sócrates, desconhecem o 25 de Abril, o 10 de Junho, o 1º de Dezembro, não conhecem Pessoa, Herculano, Aleixo, Torga, Ary dos Santos, Alegre, nem um versinho que seja, quanto mais uma quadra. Sabem lá quem foram e o que escreveram Fernando Assis Pacheco, Manuel da Fonseca, José Cardoso Pires, Ferreira de Castro, Sophia de Mello Breyner, Natália Correia, Vitorino Nemésio, Alexandre O`Neil, José Gomes Ferreira, Eugénio de Andrade e tantos outros que nos encheram de palavras, sensações e sentimentos nos últimos trinta anos...
Vão por milhares de ruas, praças e avenidas deste país e lêem a Praça Sá Carneiro, Avenida Óscar Monteiro Torres, Praça Marechal Carmona, Rua Capitão Salgueiro Maia, Aqueduto Engº Duarte Pacheco, Avenida dos Aliados, etc, sem sequer sentirem a curiosidade de ir a uma enciclopédia tentar saber algo destes personagens.
Não se interessam por história, literatura, sociologia, arte, desporto, ficam fechados em casa durante fins de semana olhando a tv ou o computador, não se juntam com os amigos, não passeiam nos jardins, nem namorar sabem, que isso de namorar obriga a conversar, a dar a conhecer os nossos sentimentos, anseios, desejos, objectivos de vida, gostos e na verdade o seu léxico é tão reduzido que cinco minutos de conversa capaz deixa-os esgotados.
Mas há sempre momentos em que nos deslumbramos sem querer, olhamos essa coisa dos blogs e damos com verdadeiras obras, onde jovens escrevem trechos bonitos, seus ou que leram e acharam por bem divulgar, o que de alguma maneira nos conforta e ajuda a entender que para lá de tudo o que possamos pensar e criticar, os jovens estão a percorrer novos caminhos e a transformar esta sociedade onde os adultos também andam um pouco desorientados.
O meu pai levava-me ao futebol, às festas, à praia, sempre que achava que o meu comportamento era positivo ao longo das semanas e meses de escola, o que pressupunha boas notas. Tudo o resto, ir e vir da escola, jogar futebol, brincar com os amigos eram actividades diárias onde os pais não perdiam tempo, pois eram atribuições nossas que nos ajudavam a crescer.
Hoje fui ao futebol, onde esses jovens de 20 anos, lídimos representantes da actual geração "desenrasca", que a rasca já passou, se deitam para o chão e fazem batota, gritam a plenos pulmões palavrões de fazer corar um santo e riem-se dos adversários quando deveriam respeitar e respeitar-se. Talvez por isso a minha geração deixou de "ir à bola", aproveitando o tempo livre de outra maneira, protegendo os filhos e filhas daquelas cenas ordinárias. Entrei no campo ao intervalo, deixei cinco euros na caixa para ajudar o clube e saí a vinte minutos do final, com tempo suficiente para contar 160 almas.
É como os "gatos fedorentos"... "há coisas deprimentes, não há?"

terça-feira, 27 de novembro de 2007

INTERESSANTE...

Esta semana foquei o meu interesse numa reportagem televisiva, onde os pais e (en)carregados de educação de "crianças" entre os 9 e os 13 anos, alunos de uma escola C+S deste país, se amotinaram à frente do portão da escola e deram a conhecer ao mundo (do Sudão ao Bangladesh) o elevado nível cultural e social deste torrãozinho peninsular. Então não é que os seus filhinhos, coitadinhos, tinham de fazer ummmmmm quilóooooometro a pé, entre a escola e o pavilhão desportivo onde tinham as aulas de educação física? Pelas imagens da reportagem só deu para ver uma escola bem situada, com ruas asfaltadas e um solzinho que faria inveja às crianças de países não tão desenvolvidos como a Noruega, Suécia, Dinamarca e por aí fora... um convite a um passeio em grupo até ao pavilhão.
- Isso é que era bom, o meu filho não sai da escola, que eu não autorizo!
- Mas é só um quilómetro...
- E você acha pouco, para crianças tão pequeninas? o meu filho anda no 5º ano e só tem 13 anos... não sai da escola, já disse!
- Tenha calma...
- Tenho calma??? vou lá dentro e parto a cara a esses professores que não querem saber nada, nem resolvem este problema... só vão ao pavilhão se forem de autocarro e acompanhados de uma funcionária, porque nem nos motoristas se pode confiar. Há por aí tanto malandro...
- Com calma tudo se...
- Lá está você com as calmas, não vê que isto só se resolve com barulho e com a televisão a mostrar tudo? e você acha pouco um quilómetro? alguém me disse que na verdade é um milhão de milímetros, um milhão, ouviu??? um milhão de seja o que fôr é um exagero... e estava você para aí com essa do quilómetro...
- pois...
- Ele entra aqui às 8 da manhã e sai às 6 da tarde e mais nada! e se me chateiam muito fica cá até à meia noite, que eu tenho de trabalhar e não posso andar a trazer e buscar a criança, ouviu?
Entretanto e porque tenho este vício de ler jornais, fui chocar com uma notícia de um jornal regional onde se destacava a recuperação de uma escola no Kosovo, feita por militares portugueses, na zona de Orlann, onde "faltava quase tudo", como destacava o tenente-coronel Mário Pereira, comandante do batalhão.
"Na memória de Mário Pereira estão as filas de crianças, que nalguns casos percorriam mais de 8 quilómetros por dia por estradas cobertas de neve, ao frio e descalças, só para irem à escola"
E agora eu pergunto:
Estarão as nossas crianças (e os seus pais) preparadas para dentro de alguns anos, ajudarem quem quer que precise, depois de se negarem a fazer a pé um percurso de um quilómetro, em grupo, até uma aula de educação física?

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

A (T)RAMPA!

Pois sim, como dizem os brasucas quando querem dizer não, eu vou continuar esta saga que me há-de levar ao paraíso. sim ao paraíso, porque se me mandassem para o inferno eu ía continuar a arranjar problemas, a queixar-me do fumo das fogueiras, do cheiro a coiratos assados, da falta de ar condiconado no invernal inferno... eu não me calaria, claro, por hábito adquirido aqui na terra, sem grandes resultados, é certo, mas lá em cima, no meio da maralha e já sem nada a perder ou a ganhar, eu ía a todas as manifs, revoluções e batalhas. Assim, eu creio no bilhete de ingresso no paraíso, porque aí estarei a salvo de qualquer caso que me faça perder a compostura.
E a propósito de caso e descaso, veio a lume o despedimento e reintegração de um funcionário da TAP, por ordem de um tribunal e a desordem do seguinte, a decisão de um juíz e a contrária de outro (não poderiam fazer o favor de estudar nos mesmos livros?).
Ora o homem trabalhava na zona onde passam umas malas com produtos naturais, tais como folhas de coca tratadas, marijuana reciclada, etc e subia e descia umas rampas com malas, provando-se em tribunal ter sido cumplice de contrabando do produto, apenas porque quando ele subia a rampa a droga descia e vice versa. Dois anos de pena suspensa, decretou o tribunal, o que contraria o despedimento feito pela TAP que, só seria válido se o homem fosse condenado a pena efectiva. E eu acho bem! Então o Caldeira sacou uns milhares aos amigos e conhecidos, fugiu para o Canadá, nem sei se foi condenado e já está de novo a comprar e vender acções e o tecnico de embalagens da TAP era despedido assim sem mais nem menos?
Diz agora a TAP e se calhar com razão, que o seu ex-futuro funcionário foi condenado, com pena suspensa é certo, e contradiz o tribunal que se foi suspensa não é condenação, o que se não é bem esgalhado é um bom tema para os "gatos fedorentos" ou para uns advogados também fedorentos, daqueles que estão sempre presentes quando a coisa cheira mal.
Estou mesmo a ver que agora já vai ser mais difícil mandar umas malas da Colômbia, porque com a admissão do funcionário, juntamente com o outro que entretanto o substituiu, vão ser dois técnicos, um para o tapete que rola para cima e o outro para o que rola para baixo... lembrei até o Jô Soares quando gritava "tá todo o mundo enrolando?".
Só faltava que o advogado do funcionário da TAP aparecesse amanhã no tribunal a defender os donos da mala que veio da Colômbia... sempre se juntava o inútil ao desagradável.
E se as malas não entrarem para que é que serve andarem a distribuir seringas nas prisões? o governo ainda não pensou numa tabela de preços para as drogas, ficando com os 21% do IVA? podia ser que o deficit...

domingo, 25 de novembro de 2007

TÃO POUCOS...

Estou sentado no sofá a olhar, de vez em quando, a televisão e reparo que a tv cabo que eu pago, está a transmitir o jogo Belenenses - Estrela da Amadora. O locutor diz que está bastante frio e que a desoladora assistência não deverá atingir mil pessoas, mas como estou pouco atento nem sei se é a assistência que está desolada com tanto frio, se é a falta de gente que desola quem tem por missão fazer-nos crer que estamos a ver o "melhor espectáculo do mundo".
O comentador, que manda umas bocas para fazer sentir ao locutor que não está a trabalhar sozinho, realça de seguida o facto de o jogo do União de Leiria ter tido apenas 300 pessoas, o que num estádio de 30.000 lugares acaba por deprimir os que lá vão, sendo o comentário dos teimosos presentes parecido com um "nunca mais cá volto, senão adoeço!"
Aos cinco minutos de jogo, desliguei o som, para não me perturbar a crónica e de vez em quando dou uma olhada, pensando pelo meio da coisa se não há mais nada para ver na televisão... e para quê mudar se ainda não acabei a crónica?
E na sportv 2 o que estará a dar? olha, o Nice - Paris St. Germain e o estádio cheio, caramba! e agora reparo, estes jogos parecem-se com aqueles empréstimos que se pagam mais depressa ou mais devagar conforme o cliente quiser, passo para o Belenenses e aquilo vai lento, ligo ao Nice e a coisa acelera.
E o público? 20.000 em Nice e 1.000 em Lisboa! um jogo numa bonita cidade de província francesa e o outro na capital portuguesa... há uns tempos atrás também reparei no Bayern de Munique - Belenenses, com 62.000 assistentes na Alemanha e 4.000 em Lisboa, o que não sendo científico, quer dizer qualquer coisa.
Proponho que os campeonatos de futebol se façam em Portugal como se constituem as empresas, bastando que o capital social mínimo se estabeleça em função das assistências aos jogos. Outra hipótese seria fazer estádios com 5.000 lugares e construir apartamentos no espaço restante. Haveria enchentes em muitos estádios e sempre se faziam umas receitas extraordinárias com a venda dos apartamentos, sendo que, com a varanda virada para o estádio, o condómino via os jogos sem sair de casa, embora tivesse de colocar vidros duplos para não ouvir os habituais palavrões próprios do léxico futebolístico indígena.
Na minha juventude era habitual jogarmos e assistirmos a jogos de futebol, ficando na memória jogos emocionantes com milhares de espectadores, onde sobressaíam alguns de intensa rivalidade com o meu Caldas, Nazarenos, Torreense, Peniche e lá estava eu no Central a ouvir a intelectualidade caldense a afirmar que o futebol era o ópio do povo, dos pobres e só andava nisso quem tinha uma vida sem grandes objectivos. Nunca acreditei, porque se assim fosse numa sociedade sem objectivos como a actual, com 2 milhões de pobres, os estádios estariam cheios.
Talvez tudo se resuma a novos focos de interesse, outras solicitações mais interessantes, outros desportos e actividades, mas com excepção dos centros comerciais, eu olho e vejo tão poucos...