terça-feira, 23 de outubro de 2007

AS TAXAS

Há cerca de 25 anos tive um problema auditivo, extremamente desagradável diga-se, que me tirou muitas noites de sono, talvez porque eu não gostasse e ainda não gosto de ir aos hospitais. Só em último recurso é que vou ao hospital, eu sei que deveria ir mais vezes, uma consultazinha de vez em quando, umas análises anuais, uns tratamentos, mas quando dou conta de que as esperas são intermináveis, de que os clientes são quase sempre os mesmos, de que os horários só se cumprem para sair... acho sempre que o melhor é não ir para lá.
Nesse tempo disseram-me para ir ao Santa Maria, que lá era melhor, que se não fosse lá, só num especialista... e eu fui a Lisboa. Urgências com ele, que era a melhor maneira de ser atendido, porque isso de consulta só lá para o 32 de Trezembro. Umas horas de espera, um médico muito simpático que afirmou peremptório que a operação era inevitável, mas... “entretanto tome estes comprimidos, pode ser que.... E volte cá para o mês que vem!”
Segunda consulta, com outro e... o mesmo! Até que à 12ª consulta, não sei porquê, eu falei um pouco mais alto ao médico e... operação marcada! Operação realizada e com os agradecimentos ao Dr. Mário Andreia, aqui estou 25 anos depois com outras mazelas, mas bom dos ouvidos. E quanto paguei? Nada, claro! Então um trabalhador, com os impostos em dia, os descontos para assistência na doença feitos mensalmente, teria de pagar um serviço para o qual sempre descontou?
Entretanto os tempos mudaram...
Caramba, tenho aqui uma borbulha que tem aumentado de tamanho, será que... é melhor ir a um especialista, tenho ouvido dizer que nos hospitais é uma chatice para ter uma consulta e um consultório particular é na hora, embora se pague um pouco mais... mas só um pouco mais vim a saber.
Consulta feita e...
- Olhe, o melhor é ir ter comigo ao Hospital, eu estou lá de serviço e tratamos disso num instante...
- E como faço, Sr. Dr?
- Chega lá ao guichet, inscreve-se, paga a taxa, diz que tem consulta marcada, que entretanto eu marco lá no hospital e espera que eu o chame.
- Então muito bom dia, Sr. Dr.
E tudo correu bem, cheguei no dia marcado, paguei a taxa moderadora, porque não sou velho, nem criança, nem bombeiro voluntário, nem dador de sangue, nem desempregado, nem...
O Sr. Dr. ainda me disse para lá voltar afim de verificar se estava tudo bem, mas já sabem como é, olhei no espelho, “humm acho que está tudo bem”, além disso perder tempo, andar mais umas dezenas de quilómetros de automóvel, encontrar uma multidão de utentes na fila, pagar outra taxa para ouvir dizer que está tudo bem, que não devo apanhar sol...
Hoje recebi um ofício. Em vez de me agradecerem o facto de não os ter chateado mais vez nenhuma e desejarem que tudo me corra pelo melhor e com muita saúde, o Hospital notifica-me (qual informar, qual carapuça, notificar é que é bom, põe logo estes caloteiros em respeito), notifica-me, dizia eu, para pagar mais 23,50€ (vinte e três euros e cinquenta cêntimos) de taxas moderadoras em dívida, relativas a histologias, electrocirurgia e excisão de lesão benigna. Mas não se assustem que estes tratamentos demoraram 20 minutinhos, o penso caiu logo à saída do hospital e eu depois tratei de tudo sozinho.Ora toma, que é para aprenderes! Tendencialmente gratuito, não é? Vinhas ao hospital e só pagavas a taxa moderadora no guichet?
Entretanto lembrei-me que o ano passado o governo aumentou o meu desconto para a ADSE, em 0,5% fixando os descontos em 1,5%. E mesmo assim não chega? Ainda preciso de pagar mais estas taxas todas, só porque não sou velho, nem criança, nem bombeiro voluntário, nem dador de sangue, nem...
Fui verificar a folha dos descontos e lá estava... 38,82€, o que multiplicado por 14 significa uma contribuição de 543,48€ anuais...
Para concluir, o ofício do hospital ainda é do tempo da “pedra lascada”, porque não dá ao cidadão a possibilidade de pagamento por multibanco, o que me obriga a gastar mais uns trocos num cheque ou vale de correio, quando poderia fazer o pagamento aqui no meu computador, sem qualquer encargo e imediatamente.
E anda o governo com tantas ganas informáticas a promover o serviço “perdi a carteira”, quando o contribuinte só encontra o “perdi a paciência”.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

"TEORIA DA CONCEPÇÃO DO MECANISMO"



O Nobel da Economia, de 2007, foi entregue a 3 economistas americanos, os quais desenvolveram a “teoria da concepção do mecanismo”, uma teoria que bem no fundo nos induz a uma prática alto lá com o charuto! Não sei se já repararam nesta referência da teoria da concepção… pois é, sem uma boa prática não há teoria que conceba. Podem existir uns créditos em conta própria ou uns débitos, de preferência, em conta alheia, mas sem movimento, sem prática, não se vai lá, muito embora estes americanos provavelmente ainda não saibam que o maior banco privado português (?) anda a perdoar calotes aos amigos e filhos dos administradores, segundo se conta, que eu não confirmo nem desminto, ou seja, aí eu não mexo uma palha nem para conceber a teoria.
Segundo ouvi, a “teoria da concepção do mecanismo” é a mais segura para saber quando uma organização está bem ou mal no aspecto económico, preconiza formulas e regras que nunca falham, desde que o pai-administrador não perdoe os calotes que o filho faz ao banco, acho eu… mas estão a dizer-me que há uma rubrica de incobráveis, já orçamentada nos bancos para solucionar estes problemas. E qual é o problema? pergunto eu, não sei… então nunca ouviram dizer que um pai deve sempre perdoar a um filho? Onde estão os valores humanos dessa cambada que grita contra esta golpada, sabendo que gostavam de ter um pai assim?
- Pai! Pai! Oh pai!!!
- Vai chamar pai ao Jardim!
Quando eu era jovem, o Robin dos Bosques era o meu ídolo, sacava aos ricos para dar aos pobres. Ora, se leio nos jornais que o Jardim-filho foi perdoado porque não tinha como pagar, deduzo que o rapaz é pobre. Se o banco era do pai, que é rico, temos aqui uma história cheia de moral e o meu Robin dos Bosques, já deixou a floresta de Londres e passeia-se por Lisboa…
- Pai! Pai! Oh Pai!!!
- Vai chamar pai ao Jardim!
Entretanto para que se entenda esta “teoria da concepção do mecanismo” direi que eu, professor, conseguiria os 12 milhões em 500 anos de vida com 2.000 euros mensais, que infelizmente ainda não ganho. Aqui vem mesmo a propósito dos 500 anos, aquela frase muito usada nos tempos que correm “não tenho vida para isso”, mas na verdade trocaria esse monte de notas por meio milénio de vida saudável…
Talvez a “teoria da concepção do mecanismo”… é que nesta área da concepção eu já me movimento com um certo à vontade.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

O GERÚNDIO




Nos tempos que vão correndo, em pleno século XXI, cada vez mais as novas tecnologias vão ocupando o lugar de destaque que, em muitos sectores da sociedade vai fazendo por merecer, conquistando jovens e menos jovens para novas formas de comunicação e dinâmicas empresariais.
Estou reparando que num único parágrafo já lá vão quatro gerúndios, o que não sendo tão importante como isso, e retirando alguns abusos abrasileirados, funcionando como bengala de quem vai tendo alguma vontade de escrever, cronicando, está servindo às mil maravilhas, especialmente nesta crónica. E já vão, para não escrever indo, mais seis gerúndios…
Tudo isto a propósito do governador do Paraná, um estado do Brasil, que não foi de modas e decretou, com chancela e tudo, o funeral do gerúndio, aquele tempo verbal que representa tão bem ou melhor a idiossincracia do que é ser brasileiro.
Este governador é um cromo, digo eu, ou melhor, está sendo um cromo, daqueles que vão entrando diariamente no guiness da parvoíce. Então não é que o homem está querendo acabar com o gerúndio para aumentar a produtividade dos funcionários públicos brasileiros? Afinal há sempre alguém que nos vai deixando com vontade de dar umas boas gargalhadas e só não estou entendendo como é que as televisões portuguesas ainda não estão entrevistando o governador do Paraná. Elas pelam-se por uma reportagem, e melhor ainda se a repórter escolher um enquadramento diferente de uma porta de tribunal. E já lá vão mais seis gerúndios…
Diz ele, possivelmente com alguma razão, que quando o contribuinte se desloca a uma repartição para saber o estado em que se encontra o seu processo, os funcionários respondem “está indo, estamos tratando, estamos resolvendo…” o que naturalmente leva a que nada se resolva.
O governador está convencido que sem gerúndio vai funcionar melhor? Então venha a Portugal, que aqui está tudo no pretérito perfeito… quer ver?
- Bom dia!
- …
- A menina pode informar-me se já deram resposta ao requerimento que entreguei aqui há seis meses?
- Seis meses? O sr. Director ainda não deliberou. Volte cá para o mês que vem!

...............
- Bom dia!
- ...
- Era sobre o requerimento...
- Trouxe os documentos?
- Era só...
- Sem documentos não posso fazer nada.
- Mas...
- O sr. Director saiu, não pode atender.
- Quando acha que...
- Traga o recibo que lhe passei para comprovar a entrega dos documentos e volte para a semana!
- Bom dia e obrigado.
- ...
E isto tudo sem gerúndio…
A propósito, achei por bem colocar nesta crónica uma foto sugestiva, em que as maçãs com gerúndio vão caindo, ao lado de cidadãos e instituições que por cá vão indo…

terça-feira, 25 de setembro de 2007

SERINGAS NAS PRISÕES, JÁ!

Não sei se deva declarar-me incapaz, incompetente ou intelectualmente deficitário, mas estou à beira, não de um ataque de nervos, mas à beira sim de me mandar do Sítio da Nazaré, com cavalo e tudo, porque é mais fácil o cavalo ganhar asas na queda que o ministro da Justiça (escrevo com maiúsculas?) dizer alguma coisa coerente. Mas a pose e as palavras maviosas e pausadas, essas, são a sua imagem de marca, complementadas com a recordação publicitária da tv, daquele cabelo tipo "João Lopes cabelo empastado, João Lopes com o dry look", ou ainda do restaurador olex, substituído por gel "made in Taiwan". Podem soltar-se homicidas, ladrões, traficantes, podem até roubar-lhe a carteira dos trocos, que nada o transtorna, parecendo o treinador do Manchester a mascar pastilhas elásticas e a sorrir cada vez que o Chelsea ganha um campeonato.
Mas tudo isto a propósito de quê, perguntará o leitor, já atrasado para a sessão do Ratatiu que o filho o convenceu a ver no Shoping? Nada de tão grave, direi eu, apenas a nova e felicíssima ideia do governo, de colocar seringas nas prisões! Seringas nas prisões, foi a nova medida dos governantes, uma coisa que só quem tem imensa imaginação poderia tomar sem estar pedrado.
Ah, mas se o caríssimo leitor não sabe, eu vou dizer-lhe, as famosas seringas a distribuir nas prisões, serão gratuitas, isso mesmo, gratuitas, talvez a pensar nessa digníssima classe social, os presidiários, que antigamente se drogavam a fazer o Estádio Nacional, ou as malfadadas estradas de granito que tão boa memória para os ciclistas dos anos 50, uma das quais me recordo com alguma nostalgia, entre Óbidos e Peniche, porque me levava para a praia. Hoje, por culpa dos democráticos governos que acabaram com essa droga de trabalho, é natural que os utentes prisionais tenham necessidade de preencher os seus tempos livres com actividades lúdicas, incluindo picadelas nas veias, e para isso... seringas grátis para eles, já!
Pois é, gratuitas, sim senhor, ao contrário daquelas que o meu vizinho usa para injectar insulina, ele que não fez nada de nada para apanhar com a diabetes e hoje é encarado pelo ministro da saúde como um criminoso, pois só assim se aceita que tenha de pagar as seringas necessárias ao tratamento diário.
- Então mas as drogas não são ilegais?
- São!
- E as seringas, nas cadeias, servem para utilizar droga?
- Servem!
- E eu posso injectar-me, se estiver preso?
- Não!
- Mas se eu pedir uma seringa, dão-ma?
- Dão!
- E droga?
- Não!
- E se eu me drogar, o que acontece?
- Nada!
Pois este diálogo, tipo "gato fedorento" é a imagem da inteligente coerência de quem nos governa, capaz de baralhar até o mais santo dos traficantes, o mais eficiente dos guardas e o mais penteado dos ministros, que até parece só usar a cabeça para espalhar gel.

sábado, 22 de setembro de 2007

18º LUGAR! ENA!!!

Não queria acreditar, mas segundo notícias divulgadas pelos orgãos de comunicação social, Portugal está em 18º lugar na classificação mundial sobre "qualidade de vida". Ou seja, andavam por aí uns bacanos, como eu, a dizer que "ah e tal, que isto não passa da cêpa torta, que estamos cada vez pior, que o governo e tal e coisa, coisa e tal... afinal estamos no pelotão da frente, com uma distância considerável dos 2º, 3º, 4º pelotões e carro vassoura. É que, para quem não sabe, com Timor Leste ficaram a existir 216 países, não contando com possessões francesas e inglesas (estou a lembrar-me das ilhas Malvinas, que sendo inglesas, estão ali a 50 kms da Argentina), possessões essas de teor neocolonialista, segundo creio, ou isso era só uma maldade dos portugueses? bem, adiante.
Então quer dizer que temos quase 190 países a viver pior que nós? isso é que vai por aí uma larica... enquanto nós nos preocupamos com o preço dos combustíveis, andam uns milhares de milhões à procura de comestíveis, e uma boa parte deles governa-se com menos de um dólar por dia. Ainda por cima a dólar (como dizem os meus primos da América), desvaloriza a cada dia que passa...
Eu acho que o nosso espírito crítico, a nossa eterna vontade de dizer mal de tudo e de todos, ao contrário do que se pensa, tem sido a grande alavanca para o nosso desenvolvimento e acho que só vamos descansar quando estivermos no grupo dos G9 (os actuais G8 + Portugal). Mas cuidado, porque há por aí uma cambada de piolhosos que vão mandar uns cocktails "molotov" e fazer umas "manifs" quando chegar a altura de realizarmos em Portugal uma cimeira dos G9. E dizia eu que tem sido a crítica do bota abaixismo que nos tem feito subir na classificação geral, na medida em que se ouvimos dizer que o ensino é uma miséria, temos a Universidade de Salamanca cheia de futuros médicos portugueses, porque somos melhor que eles nos exames de ingresso, se a Matemática é um bicho, temos um jovem de 18 anos a ganhar a medalha de ouro nas Olímpiadas Latino-Americanas de Matemática, se achamos que o preço da gasolina é um roubo, temos um professor universitário a dizer que em 2008 vão começar a vender-se carros eléctricos fabricados em Portugal (vamos lá a ver se o governo deixa), se dizemos que as auto-estradas são como as obras de "Santa Engrácia" temos um grupo de engenheiros portugueses a inventar e a exportar a "via verde", se o Benfica não vale nada (não será tanto assim...) temos o treinador de futebol mais bem pago do planeta (e o melhor, até ver...), se há furacões nos Estados Unidos, fogos na Grécia e tsunamis na Indonésia, temos um governo que nos salva disso tudo (acho que estou a exagerar...), tudo isto a confirmar que... estamos em 18º lugar!
Mas convém não ligar muito a estas classificações... vá lá, 14 melhores que nós na União Europeia, a Suíça, os Estados Unidos, o Canadá e o Japão já somam 18, o que me leva a pensar que um destes já está atrás de nós. Tenho de descobrir qual é, caramba!

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

CÓDIGO DE SUCESSO TRIBAL!

Esta malta anda aí a fazer um barulho infernal sobre o "código de processo penal" (posso escrever com minúsculas?) e falam, falam... como diria o meu amigo Necas, a personagem mais conhecida pelos gastrónomos apreciadores do famoso "bife à Necas", ou dos "ovos escalfados com ervilhas e presunto", dizia eu, falam, falam e... não sabem, mas é que não sabem mesmo. Oh amigo Necas, eles pensam que sabem, mas... não sabem. Não sabem porque... não sabem mesmo! ahhhh...
Na verdade, eu... também não sei. Não é por nada, mas nunca entrei num tribunal, daqueles com juiz, audiências adiadas atrás de outras ainda mais adiadas... eu nunca fui lá, mas às vezes gostava de olhar cara a cara certos elementos do edifício judicial (e que tal, gostaram?) ou como diria o Desmond Morris, o pessoal da tribo, aquele que escreveu o novo código do sucesso tribal.
Os mal informados e as forças de bloqueio ofenderam-se e sem razão, digo eu, deste novo código apenas porque não alcançam um palmo à frente do nariz. O Bush esteve 14 minutos com o engenheiro Sócrates e assim que ele lhe leu o preâmbulo do novo código, achou muito bem e vai pedir uma cópia para o aplicar nos 51 estados americanos. Ainda teve tempo para lhe perguntar para que era tanto "jogging", ele que não tem a Al Qaeda atrás dele, mas o engenheiro aproveitou a embalagem e fugiu bem à questão.
Ora, sem precisar de grandes pesquisas, nem do Moita Flores, em dois dias cheguei à conclusão que a solução do deficit também passa por este novo código. Segundo as estimativas são 10.000 presos que mesmo depois de julgados vão recorrer para o TPI (Tribunal de 1ª Instância), depois para o TC (Tribunal Central), depois para o TR (Tribunal de Relação), depois para o STA (Supremo Tribunal Administrativo), depois para o STJ (Supremo Tribunal de Justiça), depois para o TC (Tribunal Constitucional) e se calhar para outros que eu desconheço. Uma vez que a prisão preventiva é ultrapassada... rua com eles!
Há uns tempos li no jornal que um preso fica ao Estado em 40,00€ por dia (eu sei que há hotéis mais baratos, mas deixam os clientes à solta, o que reduz os encargos...), pelo que 10.000 vezes 40,00€, vezes 365 dias... é só fazer as contas, como dizia o Guterres. 146 milhões de euros????!!!!!!!!
- Mas isto é uma machadada no défice, oh Teixeira de Sousa!
- Está aprovado, senhor engenheiro?
- Aprovadíssimo! olha, já agora, precisamos de conversar com esses gajos antes deles saírem da prisão...
- O que é que devemos dizer-lhes, senhor engenheiro?
- Temos de lhe dizer que eles vão ser muito importantes para este governo acabar com o defice. Quando tiverem a ideia de assaltar e matar alguém, perguntem primeiro à vítima o que é que ela faz...
- E depois?
- Se a vítima estiver desempregada, podem atirar à vontade... reduzimos o desemprego e poupamos no subsídio. Já viram o alcance do novo código?

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

O AGENTE FRADE

Não sei se conhecem o agente Frade, da PSP, mas para o caso também não faz mal porque eu também não o conheço, embora tenha vontade de o ver um dia destes para lhe dar um abraço e umas valentes palmadas nas costas, para além de lhe dizer que a maioria do povo a que pertencemos gostava de lhe dizer cara a cara que levante a cabeça e siga em frente na profissão que escolheu e dignifica, pese embora uma casta parasitária e uns governantes medrosos, merdosos e ordinários lhe terem feito o que fizeram.
E o que lhe fizeram? eu vou contar em breves palavras o que aconteceu ao agente Frade da PSP (eu deveria dizer a PSP do Frade, tal como oiço dizer o Benfica de Rui Costa ou o Chelsea de Mourinho, mas não quero ir tão longe...), o que aconteceu, dizia, é digno de Kafka, acho até que "O Processo" foi a antevisão de Kafka sobre o agente Frade.
Então, conta a imprensa que um jovem (não dizem o nome por cobardia, acho eu), foi preso por fazer parte de uma quadrilha que se dedicava aos roubos e que cometeu um homicídio. O jovem fugiu para Espanha e foi apanhado pela Guarda Civil. Enviado para Portugal foi a Tribunal e iria aguardar julgamento quando, nas instalações da Judiciária pediu para ir à casa de banho. Dentro da casa de banho arrancou uma sanita, partiu o vidro, a grade que o envolvia e saltou do 2º andar, dando à sola com quanta força tinha. Os agentes da PSP começam a perseguição, mas a barriga da maioria fê-los atrasar, conseguindo o agente Frade, com cerca de 30 anos de idade, ser o único a chegar junto do bandido. Cansado e prevendo a humilhação de ter deixado fugir o jovem, pega na pistola e, a uma distância considerável, manda um tiro, que acerta no homem.
Pois chegaram os chefes da Direcção Nacional da PSP à conclusão de que o agente Frade deveria ser castigado e não estiveram com meias medidas: 8 meses sem vencimento e julgamento, aventando-se a hipótese de aposentação compulsiva, que até ao momento não se confirmou.
E agora pergunto eu:
- o agente Frade, quando voltar ao serviço, terá disponibilidade para fazer cumprir a lei perante qualquer situação de alteração da ordem pública?
- o agente Frade voltará a correr atrás de um criminoso?
Talvez por isso eu ache que há uma diferençazinha entre o agente Frade da PSP e a PSP do agente Frade.
Pensando bem, o que é que os governantes têm a ver com um caso que, segundo eles, decorreu dentro daquilo que está legislado, como eles gostam de dizer quando vêem um microfone à frente? Pois eu acho que um governante que tenha sob o seu comando as forças policiais "só" deveria ter a coragem de, perante as câmeras de tv, dizer alto e bom som que a lei deve ser cumprida e que perante a sociedade, primeiro a polícia e depois os ladrões. O agente Frade utilizou a pistola que traz com ele e que a sociedade lhe conferiu para a defesa da lei, da legalidade e da sociedade que cumpre as suas obrigações e deveres, exigindo o seu direito à segurança e liberdade.
Enquanto estes governantes querem os agentes “frades” da PSP, o povo irá querer e respeitar uma PSP de agentes Frade.


domingo, 9 de setembro de 2007

NO SILÊNCIO...

No silêncio a alma de quem quer
regressar ao tempo doce,
à paz pura e quente da mulher,
sorrir pelos sinais como se fosse
um campo aberto, onde me trouxe
a lembrança das cores do bem-me-quer.

O sonho de te ver em qualquer lado,
onde não estará nada nem ninguém,
seremos pó que se mistura, o resultado
de acasos que quisemos ter por bem,
memória que se sopra no além
da vida e do amor tão procurado.

Não é fácil derreter por entre os dedos
o gelo que cobre o eterno glaciar,
na distância que aviva tantos medos
e dúvidas da certeza de amar,
para além da terra, sol e mar
o sabor e o perfume dos enredos.

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

"OS CHAVALOS"

Há imensos anos que não me soava nos ouvidos essa do "chavalo", mas hoje ao ver na televisão um vídeo sobre a "violência" da polícia em relação aos jovens, "chavalos" como ouvi chamarem-se, no meio de uma dúzia de "bips" que a decência de algum operador de tv colocou a tapar as barbaridades dos tais jovens, daqueles técnicos que já passaram a barreira dos 50 e que a tv ainda não mandou para a reforma, acredito que a coisa está a ficar preta. Então a polícia está a malhar nos "chavalos" coitados, ainda por cima jovens, às tantas da manhã no parque da Expo? então não viram que os "chavalos" não estavam a fazer nada e que se limitavam a ir para a padaria fazer carcaças, que a hora era a da entrada no turno da noite?
Na verdade, eu, um simples cidadão na casa dos 50 e picos, com alguma experiência de vida, com umas festas, umas noitadas, uns copos, umas viagens, nunca tive a infelicidade de ser maltratado por nenhum agente da autoridade... acho até que vou chegar à conclusão de que a polícia não me passa nenhum cartão. Então não é verdade que a polícia está sempre a maltratar os mesmos jovens, os mesmos "chavalos"? é mesmo perseguição, pá!
Depois os "chavalos" filmam e a tv abre os telejornais com essas esclarecedoras imagens... daqui a uns tempos a "amnistia internacional" lá aparece com um relatório que coloca a nossa polícia ao nível do Ruanda ou Burkina Fasso e é bem feito, que é para aprenderem a dar beijinhos aos "chavalos", a maior parte deles até já fez uma recuperação das drogas e está a meter os papéis para fazer segurança nos bares de Lisboa e Porto, uma profissão tão digna como algumas outras.
Ahh, já me esquecia que uma comissária loira da PSP, já veio dizer que vai investigar se a polícia bateu nos "chavalos", porque se bateu, os polícias vão sofrer as consequências. Então bate-se assim nos "chavalos", sem mais nem menos?
Deixei de acreditar nesta treta da segurança quando comecei a ver as mulheres na polícia, na guarda, nos quartéis, nos tribunais e até a arbitrar jogos de futebol, eu sei que me vão chamar machista, mas há tanta coisa bonita para elas fazerem... enfermeiras, professoras, educadoras, técnicas, empresárias, modelos, hospedeiras...
Pois, eu sei que elas já andavam em tudo quanto era sítio, mas de uma maneira mais comedida e até mais eficaz, basta ver as enfermeiras na guerra colonial, mas um criminoso entrar numa sala de audiências e olhar de frente um juíz de cabelo branco ou uma juíza loira de 28 anos é a mesma coisa, não é?
Os Açores ficaram cheios de "chavalos" quando os Estados Unidos começaram a ficar com essa matéria prima a mais e parece que já se pode passear à noite em Nova York, desde que o mayor decidiu limpar a cidade de "chavalos". A Amnistia Internacional e outras ONGs ainda refilaram, mas acabaram por verificar que a situação nesses locais melhorou bastante.
Na próxima, os reporteres de TV devem levar a máquina de filmar e, no mesmo sítio e à mesma hora, perguntem aos "chavalos" a profissão, onde vivem, o que fazem, com quem andam. Depois irão chegar a algumas conclusões, porque eu já cheguei às minhas há bastante tempo:
Até já os "chavalgaduras" têm tempo de antena na TV...

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

ATLÉTICA PAIXÃO

Voam na pista de tartan
superando sonhos, concerteza...
colam-se uns aos outros, como íman
em miríades de cor, tamanho e destreza,
vão no campeonato da beleza
ganhar a medalha do amanhã.

Um décimo de segundo os separa
entre as barreiras de um beijo,
vai, corre, salta, só quem pára
pode perder a prova do desejo.
Continua no caminho, que te vejo
a vencer, ninguém te agarra.

Sorriem e choram sem razão
para quem vê de longe o seu cansaço...
bate-lhes com força o coração
esmagado pela força de um abraço,
vem festejar cada volta, cada passo,
no campeonato do mundo da paixão.