terça-feira, 25 de setembro de 2007

SERINGAS NAS PRISÕES, JÁ!

Não sei se deva declarar-me incapaz, incompetente ou intelectualmente deficitário, mas estou à beira, não de um ataque de nervos, mas à beira sim de me mandar do Sítio da Nazaré, com cavalo e tudo, porque é mais fácil o cavalo ganhar asas na queda que o ministro da Justiça (escrevo com maiúsculas?) dizer alguma coisa coerente. Mas a pose e as palavras maviosas e pausadas, essas, são a sua imagem de marca, complementadas com a recordação publicitária da tv, daquele cabelo tipo "João Lopes cabelo empastado, João Lopes com o dry look", ou ainda do restaurador olex, substituído por gel "made in Taiwan". Podem soltar-se homicidas, ladrões, traficantes, podem até roubar-lhe a carteira dos trocos, que nada o transtorna, parecendo o treinador do Manchester a mascar pastilhas elásticas e a sorrir cada vez que o Chelsea ganha um campeonato.
Mas tudo isto a propósito de quê, perguntará o leitor, já atrasado para a sessão do Ratatiu que o filho o convenceu a ver no Shoping? Nada de tão grave, direi eu, apenas a nova e felicíssima ideia do governo, de colocar seringas nas prisões! Seringas nas prisões, foi a nova medida dos governantes, uma coisa que só quem tem imensa imaginação poderia tomar sem estar pedrado.
Ah, mas se o caríssimo leitor não sabe, eu vou dizer-lhe, as famosas seringas a distribuir nas prisões, serão gratuitas, isso mesmo, gratuitas, talvez a pensar nessa digníssima classe social, os presidiários, que antigamente se drogavam a fazer o Estádio Nacional, ou as malfadadas estradas de granito que tão boa memória para os ciclistas dos anos 50, uma das quais me recordo com alguma nostalgia, entre Óbidos e Peniche, porque me levava para a praia. Hoje, por culpa dos democráticos governos que acabaram com essa droga de trabalho, é natural que os utentes prisionais tenham necessidade de preencher os seus tempos livres com actividades lúdicas, incluindo picadelas nas veias, e para isso... seringas grátis para eles, já!
Pois é, gratuitas, sim senhor, ao contrário daquelas que o meu vizinho usa para injectar insulina, ele que não fez nada de nada para apanhar com a diabetes e hoje é encarado pelo ministro da saúde como um criminoso, pois só assim se aceita que tenha de pagar as seringas necessárias ao tratamento diário.
- Então mas as drogas não são ilegais?
- São!
- E as seringas, nas cadeias, servem para utilizar droga?
- Servem!
- E eu posso injectar-me, se estiver preso?
- Não!
- Mas se eu pedir uma seringa, dão-ma?
- Dão!
- E droga?
- Não!
- E se eu me drogar, o que acontece?
- Nada!
Pois este diálogo, tipo "gato fedorento" é a imagem da inteligente coerência de quem nos governa, capaz de baralhar até o mais santo dos traficantes, o mais eficiente dos guardas e o mais penteado dos ministros, que até parece só usar a cabeça para espalhar gel.

sábado, 22 de setembro de 2007

18º LUGAR! ENA!!!

Não queria acreditar, mas segundo notícias divulgadas pelos orgãos de comunicação social, Portugal está em 18º lugar na classificação mundial sobre "qualidade de vida". Ou seja, andavam por aí uns bacanos, como eu, a dizer que "ah e tal, que isto não passa da cêpa torta, que estamos cada vez pior, que o governo e tal e coisa, coisa e tal... afinal estamos no pelotão da frente, com uma distância considerável dos 2º, 3º, 4º pelotões e carro vassoura. É que, para quem não sabe, com Timor Leste ficaram a existir 216 países, não contando com possessões francesas e inglesas (estou a lembrar-me das ilhas Malvinas, que sendo inglesas, estão ali a 50 kms da Argentina), possessões essas de teor neocolonialista, segundo creio, ou isso era só uma maldade dos portugueses? bem, adiante.
Então quer dizer que temos quase 190 países a viver pior que nós? isso é que vai por aí uma larica... enquanto nós nos preocupamos com o preço dos combustíveis, andam uns milhares de milhões à procura de comestíveis, e uma boa parte deles governa-se com menos de um dólar por dia. Ainda por cima a dólar (como dizem os meus primos da América), desvaloriza a cada dia que passa...
Eu acho que o nosso espírito crítico, a nossa eterna vontade de dizer mal de tudo e de todos, ao contrário do que se pensa, tem sido a grande alavanca para o nosso desenvolvimento e acho que só vamos descansar quando estivermos no grupo dos G9 (os actuais G8 + Portugal). Mas cuidado, porque há por aí uma cambada de piolhosos que vão mandar uns cocktails "molotov" e fazer umas "manifs" quando chegar a altura de realizarmos em Portugal uma cimeira dos G9. E dizia eu que tem sido a crítica do bota abaixismo que nos tem feito subir na classificação geral, na medida em que se ouvimos dizer que o ensino é uma miséria, temos a Universidade de Salamanca cheia de futuros médicos portugueses, porque somos melhor que eles nos exames de ingresso, se a Matemática é um bicho, temos um jovem de 18 anos a ganhar a medalha de ouro nas Olímpiadas Latino-Americanas de Matemática, se achamos que o preço da gasolina é um roubo, temos um professor universitário a dizer que em 2008 vão começar a vender-se carros eléctricos fabricados em Portugal (vamos lá a ver se o governo deixa), se dizemos que as auto-estradas são como as obras de "Santa Engrácia" temos um grupo de engenheiros portugueses a inventar e a exportar a "via verde", se o Benfica não vale nada (não será tanto assim...) temos o treinador de futebol mais bem pago do planeta (e o melhor, até ver...), se há furacões nos Estados Unidos, fogos na Grécia e tsunamis na Indonésia, temos um governo que nos salva disso tudo (acho que estou a exagerar...), tudo isto a confirmar que... estamos em 18º lugar!
Mas convém não ligar muito a estas classificações... vá lá, 14 melhores que nós na União Europeia, a Suíça, os Estados Unidos, o Canadá e o Japão já somam 18, o que me leva a pensar que um destes já está atrás de nós. Tenho de descobrir qual é, caramba!

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

CÓDIGO DE SUCESSO TRIBAL!

Esta malta anda aí a fazer um barulho infernal sobre o "código de processo penal" (posso escrever com minúsculas?) e falam, falam... como diria o meu amigo Necas, a personagem mais conhecida pelos gastrónomos apreciadores do famoso "bife à Necas", ou dos "ovos escalfados com ervilhas e presunto", dizia eu, falam, falam e... não sabem, mas é que não sabem mesmo. Oh amigo Necas, eles pensam que sabem, mas... não sabem. Não sabem porque... não sabem mesmo! ahhhh...
Na verdade, eu... também não sei. Não é por nada, mas nunca entrei num tribunal, daqueles com juiz, audiências adiadas atrás de outras ainda mais adiadas... eu nunca fui lá, mas às vezes gostava de olhar cara a cara certos elementos do edifício judicial (e que tal, gostaram?) ou como diria o Desmond Morris, o pessoal da tribo, aquele que escreveu o novo código do sucesso tribal.
Os mal informados e as forças de bloqueio ofenderam-se e sem razão, digo eu, deste novo código apenas porque não alcançam um palmo à frente do nariz. O Bush esteve 14 minutos com o engenheiro Sócrates e assim que ele lhe leu o preâmbulo do novo código, achou muito bem e vai pedir uma cópia para o aplicar nos 51 estados americanos. Ainda teve tempo para lhe perguntar para que era tanto "jogging", ele que não tem a Al Qaeda atrás dele, mas o engenheiro aproveitou a embalagem e fugiu bem à questão.
Ora, sem precisar de grandes pesquisas, nem do Moita Flores, em dois dias cheguei à conclusão que a solução do deficit também passa por este novo código. Segundo as estimativas são 10.000 presos que mesmo depois de julgados vão recorrer para o TPI (Tribunal de 1ª Instância), depois para o TC (Tribunal Central), depois para o TR (Tribunal de Relação), depois para o STA (Supremo Tribunal Administrativo), depois para o STJ (Supremo Tribunal de Justiça), depois para o TC (Tribunal Constitucional) e se calhar para outros que eu desconheço. Uma vez que a prisão preventiva é ultrapassada... rua com eles!
Há uns tempos li no jornal que um preso fica ao Estado em 40,00€ por dia (eu sei que há hotéis mais baratos, mas deixam os clientes à solta, o que reduz os encargos...), pelo que 10.000 vezes 40,00€, vezes 365 dias... é só fazer as contas, como dizia o Guterres. 146 milhões de euros????!!!!!!!!
- Mas isto é uma machadada no défice, oh Teixeira de Sousa!
- Está aprovado, senhor engenheiro?
- Aprovadíssimo! olha, já agora, precisamos de conversar com esses gajos antes deles saírem da prisão...
- O que é que devemos dizer-lhes, senhor engenheiro?
- Temos de lhe dizer que eles vão ser muito importantes para este governo acabar com o defice. Quando tiverem a ideia de assaltar e matar alguém, perguntem primeiro à vítima o que é que ela faz...
- E depois?
- Se a vítima estiver desempregada, podem atirar à vontade... reduzimos o desemprego e poupamos no subsídio. Já viram o alcance do novo código?

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

O AGENTE FRADE

Não sei se conhecem o agente Frade, da PSP, mas para o caso também não faz mal porque eu também não o conheço, embora tenha vontade de o ver um dia destes para lhe dar um abraço e umas valentes palmadas nas costas, para além de lhe dizer que a maioria do povo a que pertencemos gostava de lhe dizer cara a cara que levante a cabeça e siga em frente na profissão que escolheu e dignifica, pese embora uma casta parasitária e uns governantes medrosos, merdosos e ordinários lhe terem feito o que fizeram.
E o que lhe fizeram? eu vou contar em breves palavras o que aconteceu ao agente Frade da PSP (eu deveria dizer a PSP do Frade, tal como oiço dizer o Benfica de Rui Costa ou o Chelsea de Mourinho, mas não quero ir tão longe...), o que aconteceu, dizia, é digno de Kafka, acho até que "O Processo" foi a antevisão de Kafka sobre o agente Frade.
Então, conta a imprensa que um jovem (não dizem o nome por cobardia, acho eu), foi preso por fazer parte de uma quadrilha que se dedicava aos roubos e que cometeu um homicídio. O jovem fugiu para Espanha e foi apanhado pela Guarda Civil. Enviado para Portugal foi a Tribunal e iria aguardar julgamento quando, nas instalações da Judiciária pediu para ir à casa de banho. Dentro da casa de banho arrancou uma sanita, partiu o vidro, a grade que o envolvia e saltou do 2º andar, dando à sola com quanta força tinha. Os agentes da PSP começam a perseguição, mas a barriga da maioria fê-los atrasar, conseguindo o agente Frade, com cerca de 30 anos de idade, ser o único a chegar junto do bandido. Cansado e prevendo a humilhação de ter deixado fugir o jovem, pega na pistola e, a uma distância considerável, manda um tiro, que acerta no homem.
Pois chegaram os chefes da Direcção Nacional da PSP à conclusão de que o agente Frade deveria ser castigado e não estiveram com meias medidas: 8 meses sem vencimento e julgamento, aventando-se a hipótese de aposentação compulsiva, que até ao momento não se confirmou.
E agora pergunto eu:
- o agente Frade, quando voltar ao serviço, terá disponibilidade para fazer cumprir a lei perante qualquer situação de alteração da ordem pública?
- o agente Frade voltará a correr atrás de um criminoso?
Talvez por isso eu ache que há uma diferençazinha entre o agente Frade da PSP e a PSP do agente Frade.
Pensando bem, o que é que os governantes têm a ver com um caso que, segundo eles, decorreu dentro daquilo que está legislado, como eles gostam de dizer quando vêem um microfone à frente? Pois eu acho que um governante que tenha sob o seu comando as forças policiais "só" deveria ter a coragem de, perante as câmeras de tv, dizer alto e bom som que a lei deve ser cumprida e que perante a sociedade, primeiro a polícia e depois os ladrões. O agente Frade utilizou a pistola que traz com ele e que a sociedade lhe conferiu para a defesa da lei, da legalidade e da sociedade que cumpre as suas obrigações e deveres, exigindo o seu direito à segurança e liberdade.
Enquanto estes governantes querem os agentes “frades” da PSP, o povo irá querer e respeitar uma PSP de agentes Frade.


domingo, 9 de setembro de 2007

NO SILÊNCIO...

No silêncio a alma de quem quer
regressar ao tempo doce,
à paz pura e quente da mulher,
sorrir pelos sinais como se fosse
um campo aberto, onde me trouxe
a lembrança das cores do bem-me-quer.

O sonho de te ver em qualquer lado,
onde não estará nada nem ninguém,
seremos pó que se mistura, o resultado
de acasos que quisemos ter por bem,
memória que se sopra no além
da vida e do amor tão procurado.

Não é fácil derreter por entre os dedos
o gelo que cobre o eterno glaciar,
na distância que aviva tantos medos
e dúvidas da certeza de amar,
para além da terra, sol e mar
o sabor e o perfume dos enredos.

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

"OS CHAVALOS"

Há imensos anos que não me soava nos ouvidos essa do "chavalo", mas hoje ao ver na televisão um vídeo sobre a "violência" da polícia em relação aos jovens, "chavalos" como ouvi chamarem-se, no meio de uma dúzia de "bips" que a decência de algum operador de tv colocou a tapar as barbaridades dos tais jovens, daqueles técnicos que já passaram a barreira dos 50 e que a tv ainda não mandou para a reforma, acredito que a coisa está a ficar preta. Então a polícia está a malhar nos "chavalos" coitados, ainda por cima jovens, às tantas da manhã no parque da Expo? então não viram que os "chavalos" não estavam a fazer nada e que se limitavam a ir para a padaria fazer carcaças, que a hora era a da entrada no turno da noite?
Na verdade, eu, um simples cidadão na casa dos 50 e picos, com alguma experiência de vida, com umas festas, umas noitadas, uns copos, umas viagens, nunca tive a infelicidade de ser maltratado por nenhum agente da autoridade... acho até que vou chegar à conclusão de que a polícia não me passa nenhum cartão. Então não é verdade que a polícia está sempre a maltratar os mesmos jovens, os mesmos "chavalos"? é mesmo perseguição, pá!
Depois os "chavalos" filmam e a tv abre os telejornais com essas esclarecedoras imagens... daqui a uns tempos a "amnistia internacional" lá aparece com um relatório que coloca a nossa polícia ao nível do Ruanda ou Burkina Fasso e é bem feito, que é para aprenderem a dar beijinhos aos "chavalos", a maior parte deles até já fez uma recuperação das drogas e está a meter os papéis para fazer segurança nos bares de Lisboa e Porto, uma profissão tão digna como algumas outras.
Ahh, já me esquecia que uma comissária loira da PSP, já veio dizer que vai investigar se a polícia bateu nos "chavalos", porque se bateu, os polícias vão sofrer as consequências. Então bate-se assim nos "chavalos", sem mais nem menos?
Deixei de acreditar nesta treta da segurança quando comecei a ver as mulheres na polícia, na guarda, nos quartéis, nos tribunais e até a arbitrar jogos de futebol, eu sei que me vão chamar machista, mas há tanta coisa bonita para elas fazerem... enfermeiras, professoras, educadoras, técnicas, empresárias, modelos, hospedeiras...
Pois, eu sei que elas já andavam em tudo quanto era sítio, mas de uma maneira mais comedida e até mais eficaz, basta ver as enfermeiras na guerra colonial, mas um criminoso entrar numa sala de audiências e olhar de frente um juíz de cabelo branco ou uma juíza loira de 28 anos é a mesma coisa, não é?
Os Açores ficaram cheios de "chavalos" quando os Estados Unidos começaram a ficar com essa matéria prima a mais e parece que já se pode passear à noite em Nova York, desde que o mayor decidiu limpar a cidade de "chavalos". A Amnistia Internacional e outras ONGs ainda refilaram, mas acabaram por verificar que a situação nesses locais melhorou bastante.
Na próxima, os reporteres de TV devem levar a máquina de filmar e, no mesmo sítio e à mesma hora, perguntem aos "chavalos" a profissão, onde vivem, o que fazem, com quem andam. Depois irão chegar a algumas conclusões, porque eu já cheguei às minhas há bastante tempo:
Até já os "chavalgaduras" têm tempo de antena na TV...

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

ATLÉTICA PAIXÃO

Voam na pista de tartan
superando sonhos, concerteza...
colam-se uns aos outros, como íman
em miríades de cor, tamanho e destreza,
vão no campeonato da beleza
ganhar a medalha do amanhã.

Um décimo de segundo os separa
entre as barreiras de um beijo,
vai, corre, salta, só quem pára
pode perder a prova do desejo.
Continua no caminho, que te vejo
a vencer, ninguém te agarra.

Sorriem e choram sem razão
para quem vê de longe o seu cansaço...
bate-lhes com força o coração
esmagado pela força de um abraço,
vem festejar cada volta, cada passo,
no campeonato do mundo da paixão.

terça-feira, 28 de agosto de 2007

OS JORNAIS "DESPORTIVOS" EM PORTUGAL



O fenómeno dos jornais desportivos em Portugal deveria ser objecto de uma profunda análise, na medida em que eles reflectem de alguma forma o substrato sociológico deste povo simpático que se vai moldando desde há quase 900 anos, com avanços e recuos próprios de quem vai tentando viver sem grandes planeamentos e um pouco ao sabor de ventos e marés.
Se repararmos, a maioria das pessoas procura dar-se bem com quem não lhe levanta grandes questões, tendo 90% da população este interessante diálogo:
- “bom dia, tudo bem?”
- “bom dia, vai-se andando…”
Claro que, se depois disto houver uma proposta de discussão sobre o árbitro do jogo do Benfica, ainda temos 60% da malta a ripostar:
- “são uns ladrões…”
- “é tudo uma cambada…”
Podemos ainda verificar que 12% ainda são capazes de falar do centenário de Miguel Torga, 5% sabem que esse era o pseudónimo do médico Adolfo Coelho da Rocha, que escrevia uns livros e uns poemas e que 2% já leram qualquer coisa dele…
A partir daí, os estudos de mercado só têm um caminho a seguir, que é nem mais nem menos que ir ao encontro dos gostos do grande público, o qual é sempre levado a gostar daquilo que lhe dão, até porque depois é fácil chegar à conclusão de que só lhe dão o que ele, povo, gosta. Romper este ciclo vicioso é sempre difícil, na medida em que, ou as pessoas tomam atitudes e ficam isoladas, ou…
O Nelson Évora, um jovem de 23 anos, natural de Cabo Verde, naturalizado português com imensa dificuldade, que só o conseguiu por já ser recordista do triplo-salto, uma especialidade do atletismo, em vez de ter ingressado num gang de assaltantes, arruaceiros ou “grafitistas” foi dar o seu melhor no atletismo e esta semana foi campeão mundial de triplo-salto, o primeiro homem português a ganhar uma medalha de ouro num campeonato mundial de atletismo ao ar livre. O Jornal de Notícias e o Correio da Manhã, jornais generalistas colocaram o homem em grande plano na primeira página, envolto na bandeira nacional. O jornal Record e o Jogo, jornais “desportivos” colocaram na primeira página, em grande plano, o “Ed Carlos”, o novo reforço do Benfica, um rapazinho brasileiro, que ninguém sabe quem é…
Os jornais “desportivos”, vão dizer que é estratégia de marketing, que as pessoas gostam é de futebol, etc, etc… mas eu vou chamar a tudo isto, à troca de um português campeão do mundo de atletismo, por um brasileiro jogador de futebol que ninguém conhece, eu vou chamar a isso uma pulhice.
Um dia teremos para os Nelson Évora e para as Vanessas Fernandes deste país, se não os euros do Cristiano Ronaldo, pelo menos um tratamento igual dos jornais desportivos. Então nessa altura, eu irei comprá-los!

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

MORANGOS

Alguma comunicação social precisa de estrelas, sensação, espectáculo e mortes, muitas mortes, se possível em directo e com enviado especial no local, alguma comunicação, digo eu, para não me catalogarem de crítico ácido e irresponsável. Daí o "alguma" dar uma certa tranquilidade, porque todos os comunicadores sociais pensarão que não é com eles, que afinal eu estou a referir-me apenas aos títulos garrafais do "CM", algumas crónicas do "Expresso", uns títulos do "Publico", umas novidades do "Diário Económico" ou com muito a propósito ao "Diabo", ao "Crime" e à "Gaiola Aberta" (acho que os dois últimos já se finaram...). Mas também e especialmente à TV, onde se vêem a cada dia muitas "telenovelas" que para além de histórias de amor que ninguém usa, promovem uns jovens eleitos em "casting", como soa bem dizer, muitas vezes sem saberem o antes nem perspectivarem o "depois da novela". E o problema é mesmo o que se passa depois da glória da TV, naquele momento em que o produtor escolhe o momento da última filmagem para dizer ao "actor" que "não te preocupes que para o mês que vem começa outra novela e eu depois contacto-te". O artista, que até já era reconhecido na rua e dava autografos em sessões no shoping, começa a convencer-se que afinal deveria ter tido mais cautela, que o carro que comprou podia ter sido mais económico e o dinheirinho ganho com alguma facilidade já desapareceu...
Os estudos ficaram para uma próxima oportunidade e as companhias menos capazes são as que ficam (são sempre as más companhias, não?). Tudo isto a propósito de uns actores dos "Morangos" que, segundo os jornais, foram apanhados pela polícia em acções menos recomendáveis, um deles até faria parte de um bando de delinquentes que assaltava à mão armada e agredia as vítimas. Não queremos pensar que aprendem estas coisas nas novelas, mas muitos dos textos que têm de decorar são tão fantasiosos que às tantas, os actores confundem a ficção com a realidade.
Se já não davamos grande crédito a esta tontice das TVs em realizar produções de novelas às dúzias, está a ficar claro que os "artistas" estão cada vez mais à altura do que se vai produzindo.
Mas se quiserem continuar a manter o nível, contratem este governo. Eles produzem e realizam cada novela...

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

DE QUE LADO?

Para quê olhar deste lado
se do outro tenho tudo?...
a paixão e o amor tão puro
numa cumplice e clara folha,
onde por razões de minha escolha
deixo em cada letra meu afago.

Procuro neste jogo de vogais,
o canto livre em que quero
dar-te a conhecer, porque te espero
e morro de saudade em cada dia...
o céu que desconhecia
e hoje se abre mais e mais.

Por cada puzzle que percorro
em cada momento de luta apaixonada,
sinto a força inteira, redobrada,
de uma paixão que me supera.
Quero ganhar-te sim, em tua espera
e trazer-te à minha terra, meu tesouro.

Não vou perder-te, não!
tudo será teu por minha dôr,
soprando em cada madrugada meu amor,
irei ver-te sorrir de olhos cheios
sem dores, nem temores, nem receios,
e farás o voo alto e belo da paixão.