
O fenómeno dos jornais desportivos em Portugal deveria ser objecto de uma profunda análise, na medida em que eles reflectem de alguma forma o substrato sociológico deste povo simpático que se vai moldando desde há quase 900 anos, com avanços e recuos próprios de quem vai tentando viver sem grandes planeamentos e um pouco ao sabor de ventos e marés.
Se repararmos, a maioria das pessoas procura dar-se bem com quem não lhe levanta grandes questões, tendo 90% da população este interessante diálogo:
- “bom dia, tudo bem?”
- “bom dia, vai-se andando…”
Claro que, se depois disto houver uma proposta de discussão sobre o árbitro do jogo do Benfica, ainda temos 60% da malta a ripostar:
- “são uns ladrões…”
- “é tudo uma cambada…”
Podemos ainda verificar que 12% ainda são capazes de falar do centenário de Miguel Torga, 5% sabem que esse era o pseudónimo do médico Adolfo Coelho da Rocha, que escrevia uns livros e uns poemas e que 2% já leram qualquer coisa dele…
A partir daí, os estudos de mercado só têm um caminho a seguir, que é nem mais nem menos que ir ao encontro dos gostos do grande público, o qual é sempre levado a gostar daquilo que lhe dão, até porque depois é fácil chegar à conclusão de que só lhe dão o que ele, povo, gosta. Romper este ciclo vicioso é sempre difícil, na medida em que, ou as pessoas tomam atitudes e ficam isoladas, ou…
O Nelson Évora, um jovem de 23 anos, natural de Cabo Verde, naturalizado português com imensa dificuldade, que só o conseguiu por já ser recordista do triplo-salto, uma especialidade do atletismo, em vez de ter ingressado num gang de assaltantes, arruaceiros ou “grafitistas” foi dar o seu melhor no atletismo e esta semana foi campeão mundial de triplo-salto, o primeiro homem português a ganhar uma medalha de ouro num campeonato mundial de atletismo ao ar livre. O Jornal de Notícias e o Correio da Manhã, jornais generalistas colocaram o homem em grande plano na primeira página, envolto na bandeira nacional. O jornal Record e o Jogo, jornais “desportivos” colocaram na primeira página, em grande plano, o “Ed Carlos”, o novo reforço do Benfica, um rapazinho brasileiro, que ninguém sabe quem é…
Os jornais “desportivos”, vão dizer que é estratégia de marketing, que as pessoas gostam é de futebol, etc, etc… mas eu vou chamar a tudo isto, à troca de um português campeão do mundo de atletismo, por um brasileiro jogador de futebol que ninguém conhece, eu vou chamar a isso uma pulhice.
Um dia teremos para os Nelson Évora e para as Vanessas Fernandes deste país, se não os euros do Cristiano Ronaldo, pelo menos um tratamento igual dos jornais desportivos. Então nessa altura, eu irei comprá-los!
Se repararmos, a maioria das pessoas procura dar-se bem com quem não lhe levanta grandes questões, tendo 90% da população este interessante diálogo:
- “bom dia, tudo bem?”
- “bom dia, vai-se andando…”
Claro que, se depois disto houver uma proposta de discussão sobre o árbitro do jogo do Benfica, ainda temos 60% da malta a ripostar:
- “são uns ladrões…”
- “é tudo uma cambada…”
Podemos ainda verificar que 12% ainda são capazes de falar do centenário de Miguel Torga, 5% sabem que esse era o pseudónimo do médico Adolfo Coelho da Rocha, que escrevia uns livros e uns poemas e que 2% já leram qualquer coisa dele…
A partir daí, os estudos de mercado só têm um caminho a seguir, que é nem mais nem menos que ir ao encontro dos gostos do grande público, o qual é sempre levado a gostar daquilo que lhe dão, até porque depois é fácil chegar à conclusão de que só lhe dão o que ele, povo, gosta. Romper este ciclo vicioso é sempre difícil, na medida em que, ou as pessoas tomam atitudes e ficam isoladas, ou…
O Nelson Évora, um jovem de 23 anos, natural de Cabo Verde, naturalizado português com imensa dificuldade, que só o conseguiu por já ser recordista do triplo-salto, uma especialidade do atletismo, em vez de ter ingressado num gang de assaltantes, arruaceiros ou “grafitistas” foi dar o seu melhor no atletismo e esta semana foi campeão mundial de triplo-salto, o primeiro homem português a ganhar uma medalha de ouro num campeonato mundial de atletismo ao ar livre. O Jornal de Notícias e o Correio da Manhã, jornais generalistas colocaram o homem em grande plano na primeira página, envolto na bandeira nacional. O jornal Record e o Jogo, jornais “desportivos” colocaram na primeira página, em grande plano, o “Ed Carlos”, o novo reforço do Benfica, um rapazinho brasileiro, que ninguém sabe quem é…
Os jornais “desportivos”, vão dizer que é estratégia de marketing, que as pessoas gostam é de futebol, etc, etc… mas eu vou chamar a tudo isto, à troca de um português campeão do mundo de atletismo, por um brasileiro jogador de futebol que ninguém conhece, eu vou chamar a isso uma pulhice.
Um dia teremos para os Nelson Évora e para as Vanessas Fernandes deste país, se não os euros do Cristiano Ronaldo, pelo menos um tratamento igual dos jornais desportivos. Então nessa altura, eu irei comprá-los!





