Todos nós passámos por fases cor-de-rosa, daquelas que nos deram imenso prazer, muitas "coisas bonitas", como dizem alguns treinadores de futebol e normalmente associadas a fases mais ou menos inconscientes e/ou irresponsáveis. Depois, com o tempo, alguns conselhos mais avisados e uns colegas dos copos, chegamos à conclusão mais óbvia: a fase cor-de-rosa existe, mas não convém mantê-la por demasiado tempo, até porque quando se está demasiado tempo por esses caminhos, o mais provável é não haver regresso.
Tudo isto a propósito dos novos equipamentos do Benfica... sim, já sei que foi uma ideia luminosa de uma designer da "adidas", ainda na fase cor-de-rosa da vida, capaz de tentar todos os disparates para dar nas vistas, mas ter assim, sem mais nem menos, o apoio do macho do "bigodes" do Vieira, nado e criado no meio dos pneus (camionistas, brutamontes e matarruanos, estão a ver?) e do "barbas" que eu achava capaz de uma peixeirada de vez em quando, mas incapaz de andar com uma camisola cor-de-rosa vestida...
Está bem que o equipamento vermelho continua a ser a imagem de marca e o cor-de-rosa deve ser só para ir jogar às Bahamas, Hawai, Filipinas, Ibiza e outros locais mais levezinhos, mas acho que os benfiquistas não devem exagerar com estas modas. Bem, na verdade eu sempre desconfiei daquele hino do Benfica a falar das "papoilas saltitantes", mas nunca liguei muito a isso. Agora até já compreendo o Salazar a proibir o jornal "a bola" de chamar "vermelhos" aos benfiquistas. Encarnados, dizia ele, chega muito bem e é menos macho.
Eu não quero ser desmancha-prazeres, mas o cor-de-rosa ficava muito melhor numa equipa de ciclismo... aquilo enche-se com publicidade e o fundo rosa nem se nota. Agora no futebol, eu que comecei por jogar com o pai do Fortunato a gritar na bancada, " oh xôr árbitro, o futebol não é para meninas", vejo-os agora a deitarem-se para o chão a todo o instante, a fazer de conta que lhe dói e a rebolarem-se até o massagista os vir apalpar, já não sei, não...
E essa de chamar "pantera negra" ao Eusébio ainda muda... pensaram na "pantera cor-de-rosa"? também eu. Mas o Eusébio não deixa, que ele é cá dos meus.





