quarta-feira, 13 de junho de 2007

MADRUGADA




Na viagem escolhida e planeada
em que decidimos apostar,
os horários ficaram por fixar
e os dias e horas esquecidos
libertaram-nos de todos os perigos,
de uma prova a dois tão ansiada.

Corremos por veredas na encosta,
nos parques, nos jardins, mesmo na estrada
e se te sentiste fatigada,
tiveste a teu lado a mão amiga
que te incentivou a mais uma corrida,
vencendo afinal a nossa aposta.

Da noite escura e sem jeito
onde os fantasmas nos envolvem
e os medos e angústias nos consomem,
brotaram finos clarões por entre a bruma,
a madrugada cresceu brilhante, una
e entrou no nosso corpo satisfeito.

terça-feira, 12 de junho de 2007

A ESTUPIDEZ TERÁ LIMITES?

Sinceramente, começo por concordar com quem dizia há cerca de 2000 anos, que "bem aventurados os pobres de espírito, porque deles será o reino dos céus". É que eu estou a ficar cheio de nódoas negras e nem é porque vou para as manifs dos G8, ou para as discotecas nas febres de sexta feira à noite, nada disso. É só porque eu quase todos os dias tenho de me beliscar para ter a certeza que estou vivo, devido à leitura de jornais, outro vício que vou ter de deixar para preservar um pouco a minha lucidez mental, muito embora oiça cada vez mais os familiares e amigos dizerem "já foste ao médico?", "ganha juízo, pá" ou "cada vez estás pior", para além daquele encolher de ombros, que noto depois de dizer qualquer coisa sobre qualquer assunto.
Parece-me haver um "top 100" da estupidez, assim como aquele "top mais" da música que a tv nos recomenda ao Sábado, quando estou a almoçar com a família. Uma boa maneira de ultrapassar o trauma dos mortos em Bagdad que a tv me presenteia sempre que estou para mastigar um peixinho assado na brasa. Porque a estupidez não mata mas moe, como dizia um amigo meu, tenho de revelar que no Sábado passado, o título de primeira página era sobre uma família condenada a pagar 5.000 euros de custas judiciais e advogado oficioso, porque o filho de 4 anos fora atropelado e morrera à porta de casa, vítima de um condutor que seguia em contra-mão. Mais umas beliscadelas, para confirmar estar vivinho da costa e a notícia lá continuava. O juiz tinha decidido que a criança é que tinha tido a culpa, porque ao sair de casa não tinha tomado as devidas precauções, como seja olhar à esquerda e depois à direita. O quê? o motorista ia em contra-mão numa rua? humm, devia ir distraído e uma distração qualquer um tem, mas entre um adulto ir em contra-mão de automóvel e uma criança, de 4 anos, sair para a rua de bicicleta sem olhar, p`ra que lado me vou virar, p`ra que lado? (como diz a canção...) .
A criança morreu, o desgosto dos pais foi e é enorme, o caso vai para tribunal por ordem do ministério público, uma vez que os pais, pobres, não podiam levar o caso a tribunal e (outra beliscadela) o douto juiz chega à brilhante conclusão que a criança tinha sido a culpada do acidente. Aí surge a ilimitada estupidez em acção e os pais da criança são condenados a pagar quase 5.000 euros de custas e custos de um processo para o qual não foram tidos nem achados, uma vez que a iniciativa de mandar o caso para os tribunais foi de um delegado do ministério público.
Não haverá por aí uma televisão a dar a notícia, tal como o tem feito e bem, com o desaparecimento da Madeleine? Pelo menos para que os tribunais tenham vergonha da justiça que administram.
Vou ter de terminar, já não tenho mais corpo para tanto beliscão.

segunda-feira, 11 de junho de 2007

SÓ CINCO?

Cinco inspectores brutamontes da polícia judiciária foram constituídos arguidos porque malharam a mãe da Joana, aquela menina maltratada e até agora, só desaparecida, que aturava as más disposições da mãe e do padrasto. Consta até que a criança foi fazer um recado à loja e os progenitores estavam à espera do troco para irem até à festa numa localidade próxima. A menina atrasou-se e... desapareceu.
Parece que a mãe e o padrasto andaram com os polícias a indicar o local onde a menina deverá ter desaparecido, no meio do matagal, conforme se pôde ver naquelas interessantes reportagens televisivas, mas da menina... nada.
Com esta onda dos "reality shows", onde já se premeiam concorrentes com rins de qualidade, poderá ser esta notícia um bom tema para um novo concurso televisivo, sei lá... " como fazer desaparecer criancinhas sem ninguém dar por isso". Entregavam-se meia dúzia de crianças maltratadas a vários concorrentes e tinham 4 semanas para as fazer desaparecer. Todas as semanas a judiciária ia tentar descobrir as pistas recebidas pelo 707007007 e o concorrente com mais crianças descobertas seria expulso do concurso. Que tal a ideia? Se tudo não fosse tão triste...
Uns dias depois a senhora apresentou uns hematomas no rosto e no corpo, de tal maneira que, eu que não percebo nada de investigação criminal, mas já li em pequeno umas crónicas do saudoso inspector Varatojo, pude constatar a imbecilidade dos inspectores da judiciária. Antigamente, nos livros, o assassino enrolava sempre uma toalha das grandes em volta da pistola para não se ouvir de onde se disparava e quando se batia, era sempre com uma toalha molhada no corpo, para não se notarem as nódoas negras, até o suspeito confessar. Agora não, os matarruanos dos inspectores da judiciária desancam na desgraçada da mãe e deixam-na com os olhos à "belenenses", ainda por cima eram 5 à vez... e parece que havia mais 5 de reserva, se os primeiros ficassem cansados de malhar. O tal magistrado, depois de averiguar, a meio de uma chávena de chá e torradas, concluiu que foram 5 a bater e, vamos lá que é uma pressa... todos arguidos!
Lembrei-me de uma juíza que saiu de uma discoteca com os copos, não quis soprar no balão e mandou prender os polícias... e terá alguma coisa a ver?!!!!!!
Bem, eu não quero acreditar que isto é tudo um plano do governo para correr com os 600.000 funcionários do Estado que estão a mais (os outros 100.000 chegam bem, eu acho). É simples, a malta queixa-se que levou umas trancadas à saída da discoteca, às 6 da manhã, sem fazer nada, mais uns polícias arguídos... e rua com eles! O pessoal queixa-se que o violentaram na repartição de finanças, com tanto imposto e arguiu-se os incompetentes das finanças. Rua com eles! As mãezinhas dizem que foram ofendidas pelos professores e funcionários, quando levavam as crianças à escola e... argui-se a escola toda. Rua com eles! Mandam-se mais uns quantos infiltrados por esse país fora e conta-se com a conivência de uns juízes com pouco juízo e fica o problema do deficit resolvido.
E nós a pensarmos que isto não era o "da Joana"...

domingo, 10 de junho de 2007

CAMINHOS

Por caminhos paralelos caminhamos,
dando a optica ilusão
de um fim de linha em união...
incapaz de traduzir felicidade,
construímos a plena liberdade
do universo azul que ansiamos.

Mil imagens passam sem saber,
vulcão de lava incandescente,
vermelha, de uma paixão tão quente,
negra, forte, perene tempos após,
vida que transforma cada um de nós
e nos leva a querer da vida mais prazer.

O carrocel onde altos e baixos dão a volta
fazem-nos notar emoções novas,
poemas com taipais, lembrando obras,
eterna procura do que é belo,
desfiando a lã fina de um novelo,
imagem feliz de um amor à solta.

sexta-feira, 8 de junho de 2007

A IDADE AVANÇADA - UM FLAGELO

Com aquele "à vontade" que caracteriza quem pega num jornal, só para ver se a consulta chega, porque a hora dela já passou, apercebi-me de consecutivos flagelos, como sejam a sida, a tuberculose, o cancro nas mais variadas formas. Diziam então os vários jornais que eram milhares as mortes diárias verificadas em variadíssimos pontos do globo, sendo as zonas menos desenvolvidas as mais atingidas. São 5.000 de sida, 12.000 de cancro, 15.000 de tuberculose... uma tragédia, que todos os países desenvolvidos combatem com donativos de dezenas de milhões de euros.
É verdade que talvez esses milhões de euros não cheguem a meio do caminho, perdendo-se nas areias do deserto que separa o norte doador do sul recebedor, mas isso são problemas que não consigo perceber, para não confundir desertos, sejam os africanos, seja aquele que o sr. Lino descobriu para os lados de Alcochete.
De vez em quando até sonho que um dia que, por milagre ou por melhores condições de vida, as doenças se erradicassem, este planeta era um caos. Já viram esses enormes e multinacionais laboratórios farmaceuticos a fabricar pãezinhos de leite? pois eu continuo convencido que as doenças, novas e mais modernas doenças são necessárias ao avanço da humanidade, mas aquelas, como a sida, que não matam logo, são até mais vantajosas porque necessitam de mais medicamentos e por mais tempo... e o que desejam os laboratórios senão isso? já li até que uma boa vacina para a sida estará no mercado dentro de 10 anos, tempo mais que suficiente para aparecer uma nova doença, daquelas incuráveis, capazes de aguentar com 20 comprimidos diários e que matam num espaço de 15 a 20 anos.
Ou será que essa doença, a tal doença do século XXI já existe? parece-me que sim. Comecei a pensar nisso e o futuro está assegurado, para os laboratórios médicos e profissionais da saúde. A doença do século está aí todos a conhecem : "a idade avançada". Não tem cura, começa por se manifestar por volta dos 65 anos, trata-se com carradas de comprimidos e assegura a sobrevivência de uma indústria moderna, em crescimento, os "cuidados paliativos". Até os grupos económicos estão a investir nisso e todos sabemos que eles têm um dedo especial nestas coisas do investimento.
Estou farto de dizer que o nicho de mercado está na "idade avançada" e ninguém me ouve. Aqui na minha escola já propus cursos de "idade avançada" com equivalência a licenciatura e... nada. Vêem o mercado educativo dos jovens a desaparecer e não investem na "idade avançada", uma alternativa formidável, porque mesmo os idosos que não consigam aprender, nunca vão ter um futuro tão negro como o dos jovens que não aprendem...
Por outro lado, é a "idade avançada" a única com tendência para o crescimento, ao contrário do mercado dos jovens que entrou numa irreversível tendência regressiva, que me leva a colocar a hipótese de estarmos perante a viragem da milenar sociedade patriarcal (sabemos bem o que é que os homens pensam...), para uma sociedade matriarcal (sabemos bem o que é que elas não pensam...).
Há ainda uma vantagem que me ocorreu agora... como o nível de conhecimentos curriculares tende a ser cada vez mais acessível, tudo se conjuga para que os novos estudantes de "idade avançada" possam estar na escola por mais tempo e mais felizes.
O problema é se começam a tomar menos medicamentos...

segunda-feira, 4 de junho de 2007

APENAS NÓS!

Passaremos entre agentes do inferno,
prontos a oferecer todo o serviço,
recebendo o porco pelo chouriço,
a prestações, claro, e se o tempo não chegar,
alguém cá ficará para pagar
as caras letras do bem eterno.

A ilusão de um supremo oceano
dentro de cada corpo feminino,
marca a ferro e fogo o destino
de quem quer que a vida por si passe,
procurando no momento certo o desenlace
feliz, tenho certeza, não me engano.

Essa força, esse encanto, porventura
vem de todo o lado, sei-o bem,
mas seremos apenas nós, mais ninguém,
a decidir a direcção, o rumo certo,
que sentiremos cada vez mais perto
e que no peito abraçaremos com doçura.

sábado, 2 de junho de 2007

"CIVILIZAÇÃO LIGHT"


As pessoas são mais ou menos sensíveis e reagem em grande parte em função do meio em que se desenvolvem, o que me leva a pensar que se vivesse em alguma zona do extremo oriente, ou em Angola durante os mais de 30 anos de guerra civil, talvez nem esta crónica tivesse razão de ser. De facto vou abordar um problemazinho que só tem razão de ser num país, ou melhor, numa sociedade sem rei nem roque, como é esta, onde crianças e adultos não podem estar descansados na via pública. Isto tudo a propósito de uma notícia divulgada nos meios de comunicação social, em que uma criança foi atacada por um cão de raça husky, um nome pomposo para aqueles cães de olhos azuis e pêlo siberiano que começaram a aparecer em Portugal há uns tempos atrás, e teve de ser suturada com 32 pontos na cabeça, ou seja, levou quase tantos pontos em meia hora como o Benfica em 6 meses. Felizmente não morreu, não se sabe quem é o dono e a GNR de Valença, segundo informou, não tem como descobrir quem é o proprietário do animal porque... não tem chip de identificação. Estou mesmo a ver que em Valença do Minho cada casa de habitação tem um animal destes e de facto a GNR tem mais que fazer que olhar para os cães que andam na rua sem dono, sem açaimo, sem chip e com dentes afiados. E o pai da criança a ter de pagar a taxa moderadora lá no hospital, porque o cão não trazia dinheiro...

Dizia a notícia que, em Boivão, também lá para o norte de Portugal, embora me pareça nome de terra brasileira, dois cães de raça rohtweiler atacaram uns miúdos, felizmente sem gravidade. Entretanto uns jovens espigadotes conseguiram meter os cães dentro de uns caixotes e chamaram a GNR. Qual não foi o espanto das pessoas quando a patrulha da autoridade disse para quem quis ouvir que "não levava os cães", dando ainda ordem para que fossem soltos.

No tempo em que não havia "amigos dos animais", canis municipais, veterinários municipais e outros que tais, os empregados da limpeza, sem curso, com um encarregado também sem curso de formação e uma carroça, tinham o cuidado de ir apanhando os animais vadios que andavam nas ruas, normalmente portadores dos mais variados tipos de doença, controlando as espécies errantes, porque na verdade os animais não têm culpa de não haver consulta de planeamento familiar para eles (lá chegará o tempo...). Hoje, que um desgraçado que paga todos os impostos nem sequer pode fumar um cigarrito descansado, as ruas estão cheias de cães vadios prontos a atacar a criançada e nem a GNR quer saber do assunto.

Um dia destes saio à rua, mas de carabina ao ombro, porque além destes cãezinhos, vou encontrar lobos esfomeados que alguns iluminados andaram a largar no meio do mato, uns leões que um palerma qualquer comprou, pequeninos, e abandonou quando começou a ter medo deles. Não? na América já acontece e se o Mac Donnalds cá chegou...

E ninguém é responsável? desculpam-se porque as câmaras municipais não têm canis? e não têm porquê? é assim tão caro um canil? e essa lei que determina a obrigatoriedade de os donos colocarem um chip ou uma coleira com a identificação do animal e do dono, cumpre-se? e a obrigatoriedade de açaimo na via pública? e se o animal não tiver dono, não se faz nada? e a GNR está para proteger os cidadãos ou não quer saber disso para nada?

Na verdade, amigo dos animais sou eu, que nunca tive nenhum preso na varanda, nem dentro de casa, nunca achei aceitável lojas de venda de animais, com os desgraçados dentro de caixotes de vidro à espera de serem vendidos e sempre achei que os animais devem andar soltos, livres e em espaços próprios, com um controle adequado para que não invadam o espaço que não lhes pertence. E um dia que queira optar por companhia, adopto uma criança necessitada de carinho e condições de vida digna, faço por ela o que puder para a fazer feliz e nunca direi que "só lhe falta falar".

sexta-feira, 1 de junho de 2007

CASINO

A miragem de um céu perdido
composto de jardins, água, flores,
onde cada um dos eternos jogadores
passeia pela trela suas jóias, seu amor,
e aposta em roletas de uma côr,
pode acontecer, mas eu duvido.

Até porque jogo não é saída
para a descoberta de coisas belas
encontradas em cada canto ou nas vielas,
porque afinal tudo o que sinto,
mais do que duelo ou labirinto,
é a procura da magia bem sofrida.

Encontrar neste jardim apaixonado
a impossível ilusão de uma só voz,
é compreender que nunca estaremos sós,
que no futuro tudo vai ser melhor,
construiremos roletas de outra côr
e jogaremos no número premiado.

quinta-feira, 31 de maio de 2007

PENA SUSPENSA VERSUS ETERNA PENA!

O tribunal (escrevo em minúsculas, se não se importam) de Leiria condenou um jovem de 22 anos (com uma boa idade para ter juízo), por homicídio negligente. Ainda tenho de saber o que isso quer dizer aos pais do jovem que morreu...
- "E a pena é... 3 anos de prisão, com pena suspensa por 4 anos!"
Estou a ver Júlia Pinheiro com aquela voz esganiçada a gritar a pena deste jovem, a porta de entrada do estúdio a abrir-se e aqueles fumos fresquinhos a envolverem a "estrela" do programa "Mate agora e dê autógrafos depois!"
- Então como é que foi, pode contar-nos em pormenor?
- Olhe, tinha estado na discoteca com uns amigos e às tantas meti-me no carro e comecei a abrir, aquilo era uma recta espectacular e devo ter chegado aos 180... entretanto, vejo dois vultos a aproximarem-se da faixa de rodagem, pensei até que vinham para me assaltar, está a ver... dei um toque num e raspei no outro, pensei que não fosse nada, mas ía para parar, só que quando acabei de travar já estava aí a uns 400 metros do local do acidente... olhei para trás e vi um deles a esbracejar e o outro deitado, pensei que estivessem a discutir e achei melhor não me envolver na discussão...
- Mas parece que você ainda acusou álcool umas horas depois quando se apresentou no posto da polícia...
- Pois foi, mas não tem nada a ver... eu cheguei a casa e com a preocupação mandei uma garrafa de wisky abaixo, mais uns conhaques e só depois é que me apresentei no posto. Quando dei o toque no rapaz, parece que tinha 17 anos, quando dei o toque estava bem... eu só bebi água no bar, antes do acidente. Houve até um amigo que estranhou eu só beber água mineral, mas eu disse-lhe que ia conduzir e ao volante temos de ter o máximo de cuidado.
- Parece que o tribunal obrigou a companhia a pagar 180.000 euros às famílias das vítimas, mas parece que quando há alcool a mais no condutor, as companhias não pagam...
- Oh D. Júlia, se o tribunal mandou a companhia pagar, não tenho mais nada a dizer. Além disso eu só bebi depois do acidente... até tenho a garrafa de wisky vazia lá em casa para demonstrar que foi lá que eu bebi.
- Então e agora, o que é que pensa fazer?
- Agora vou ter algumas dificuldades, vou ter de ir para as discotecas a pé nos próximos 4 anos, mas depois disso tenho o cadastro limpo e posso voltar a conduzir. Eu depois aviso, porque é bom avisar toda a gente lá da terra, porque à noite, especialmente aos fins de semana, a malta acelera um pouco mais e se os peões não forem avisados, pode acontecer mais um toque e lá fico eu mais 4 anos sem poder acelerar...
- O nosso programa seleccionou-o de entre os arguidos que conseguiram matar e ficaram cá fora com pouca pena, ou melhor, com uma pena pequena, e tinhamos vários concorrentes de peso:
1 - o pai que bateu no filho que não queria ir à escola. Não foi preso, mas teve de pagar 1.300 euros. Você não pagou nada! (muitas palmas da assistência);
2 - o pai que deu 501 euros ao filho e que não foi preso, mas tem de pagar 10%. Você não pagou nada! (mais palmas da assistência);
3 - o "ganda nóia" que era presidente da universidade atlântica, que recebeu 12.000 euros de senhas de presença, em acumulação com um cargo bem pago no governo (isto foi em 2002, mas os tribunais também funcionam devagarinho). Não foi preso, mas como ainda não matou ninguém, não se compara consigo.
O estúdio irrompe em aplausos, confetis e fumos fresquinhos...
- Obrigado, obrigado, afinal eu não fiz nada de especial, acho que não merecia tanto...
- Também acho, 3 anos com 4 de pena suspensa é demais. Estes tribunais não sabem o que andam a fazer.

quarta-feira, 30 de maio de 2007

VIAGENS



Num tempo rigorosamente vigiado
em qualquer palmo de terra trabalhada,
iniciámos o ritual da nossa estada
neste campeonato de enormes desafios
e fomos navegando em muitos rios,
dando vida ao futuro conquistado.

Encontrados em pontos tão distintos,
no meio da multidão ou face a face,
procurando a razão deste disfarce,
achámos o momento definido
de estar até de bem comigo
e espalhar por aí os meus instintos

Ultrapassar o valor base da palavra
é condição de me sentir feliz,
imaginar escrever tudo o que quis
e dar a conhecer o que cá dentro
estava adormecido e, num momento,
saiu em cada folha, de enxurrada.