sexta-feira, 25 de maio de 2007

DO NADA...


Vamos ao sabor de novas marés,
juntamos o sol e o mar no horizonte,
a planície verde com o branco monte...
cremos poder estar em todo o lado,
julgamo-nos um Deus reciclado
e temos muito menos que Moisés!

O ser e o ter confrontam cada segundo
os sentimentos de cada um de nós,
como correntes incertas junto à foz
do rio de pensamentos coloridos,
que nos ajudam a saltar todos os perigos,
encontrados neste e noutro mundo.

Temos um universo sem medida
mesmo aqui à nossa beira,
com gente vagueando sem eira,
despojada de tudo o que precisa,
consequência lógica da cobiça
de quem tem mais olhos que barriga.

Mas iremos mudar tudo, assim o espero,
o conflito que parece estar no peito
de quem manda, sem respeito
pelo seu par e seu vizinho,
destruindo cada dia o caminho,
será outro, mais humano e mais sincero!

REGRA DOS 40%

Pois então... 40%. Caramba, como é possível? Os jornais dão conta de um aumento de 40% de leitores em Portugal nos últimos 10 anos, o que, se não é recorde mundial, para lá caminha... e depois vêm dizer-nos que a malta não lê, não sabe escrever, não estuda, limita-se a olhar para a televisão, vai às discotecas. Pois vai, mas entretanto lê porque se não o fizesse, como se justificava este aumento de 40%? É obra! A propósito, a leitura das legendas na televisão também entrou nos cálculos dos 40%? é que, não é por nada, mas estou a desconfiar destes números...
É que ainda há uma coisinha importante nestes números, a população escolar da minha escola desceu nos últimos 10 anos... 40%, o que não sendo um dado rigoroso a nível nacional reflecte uma tendência interessante se não fosse assustadora. A população escolar está a diminuir e os leitores a crescer desmesuradamente, o que me leva a pensar que não dá a bota com a perdigota.
Mas será que este aumento de 40% de leitores foi apurado em função do número de livros vendidos? se foi assim, dá para perguntar se as estantes dos novos apartamentos já vêm com os livros incluídos...
Mas para todos aqueles que compravam livros todas as semanas e que, face à crise instalada, tiveram de começar a comprar um livro quando "o rei faz anos", como é o meu caso, ainda vão encontrar um dia destes uma notícia parecida com "aumentou 40% o número de leitores entre 1640 e 2007", o que não deixa de ser um aumento e... bastante significativo.
Já agora, também vem na notícia que a Câmara Municipal de Lisboa, aquela entidade que todos os entendidos dizem estar falida, vai subsidiar a Feira do Livro com 40 mil contos (eu ía escrever 200.000 euros, mas o número 40 não me sai da cabeça) e se a verba for entregue para comprar livros para as bibliotecas municipais até acho muito bem e começo a acreditar nesses 40% de aumento de leitores, mas... acho que não é bem para isso.
E os 40% não me saem da cabeça... então não é que as acções do Benfica caíram 40% em 3 dias? bolas, isto é pior que aquela goleada dos 7-0 em Vigo há uns anos atrás. Mas não há problema, nestas coisas de números é mais fácil chegar ao fim da época com saldo positivo que arranjar maneira de marcar golos, pelo que já vem a caminho um contabilista criativo para dizer que no futebol "elas contam é lá dentro". O quê, cairam 40%? então ainda há 60% para comprar um "ponta de lança"...
Nunca joguei na bolsa, entendo melhor que uma batata cortada em quartos, plantada e regada possa dar 10 ou 15 batatas novas, o que na bolsa pressuporia um aumento das acções de cerca de 1500%, mas ver uma empresa todos os dias a valorizar e a desvalorizar um bem, cheira-me a jogos de monopólio, com compras, vendas, telefonemas, sondagens, boatos, off-shores e jorges figueiredos pelo meio... um jogo que só tem uma vantagem: quando alguém ganha faz uma festa e quando milhares perdem calam-se para ninguém saber de nada, o que traz um apaziguamento social que é de louvar, até que um qualquer primeiro ministro diga que "essa coisa da bolsa tem lá muito gato por lebre". Aí é o caos e normalmente acontece de 10 em 10 anos.
Pode ser, como dizia um amigo meu, que valorizem... 40%?

terça-feira, 22 de maio de 2007

TEMPO

Acerto a minha voz
pelo calor da ternura...

Acerto o meu coração
pela pulsão que perdura.

Acerto o teu olhar
por uma lágrima de vida...

que me marca a hora certa
de uma paixão aberta,
sem entrada e sem saída.

segunda-feira, 21 de maio de 2007

O MIGUEL É ASSIM MESMO...

"O Miguel é assim mesmo...", não quer dizer "Oh Miguel, é assim mesmo!" e nesta época em que quase todos escrevemos os sms sem acentos, pontos e vírgulas, é bom esclarecer, para que alguém mais distraído não pense que estamos a concordar com o Miguel, quando apenas queremos dizer que o Miguel não tem emenda... e não tem emenda porquê? não sei, mas ele deve ter uma pedrinha no sapato...
Mas antes de mais quero aqui referir aos poucos mas bons, que me lêem, que o Miguel tem escrito muito sobre muita coisa e quase sempre reflecte a minha opinião. Esta última crónica do "Expresso" de 19 de Maio, onde me revejo na quase totalidade, vem novamente colocar um pouquinho de veneno sobre a classe docente a que pertenço há 35 anos, o que não sendo novidade, vem reforçar alguma animosidade em relação a uma classe profissional constituída, na generalidade, por pessoas competentes, idóneas e com a média de instrução mais elevada do país.
Costumo dizer que as portas das igrejas e das escolas estão sempre abertas, sendo certo que, quase sou levado a pensar que só não estuda quem não quer. No ensino publico, em Portugal foi norma os professores serem escolhidos por concurso publico, o que não aconteceu nem acontece em empresas publicas ou privadas, jornais, tvs e outras que me dispenso de enunciar...
Ora, o princípio da ocupação dos lugares por concurso foi sempre com a intenção de escolher os melhores e não haver lugar a cunhas, sempre necessárias em quase todas as outras actividades em Portugal, como fazer crónicas nos jornais. Agora, com a descoberta dos blogs tenho chegado à conclusão de que há bons cronistas sem jornal, mas a vida é mesmo assim e não é fácil ser filho de quem se foi...
É interessante classificar a ministra da educação como a melhor ministra do actual governo, dizendo-se que pôs os professores a trabalhar mais e a ganhar menos (a redução do deficit foi feita na quase totalidade à custa dos funcionários do Estado) e os alunos mais tempo na escola.
Mas eu aceito o Miguel assim mesmo, porque ele escreve sobre tudo, qual Marcelo Rebelo de Sousa, raramente tem dúvidas e nunca se engana, tal qual Cavaco Silva... continuo a lê-lo com interesse todas as semanas mas às vezes não estou de acordo e como a democracia é isso mesmo...
Já agora, passe pelos parques de estacionamento das escolas e verifique os carros dos professores, as marcas, os modelos e o ano de matrícula. Vai reparar que há lá um ou dois mercedes, um ou dois bmw e o resto é lata. Depois pergunte o que fazem os maridos ou esposas dos donos dessas máquinas. Quase lhe garanto que todos os conjuges são empresários...
As latas são dos trabalhadores por conta de outrem, sejam ou não professores.
Acho que o Miguel vai ficar na história como o filho de Sophia de Melo Breyner Andressen. Só isso.

sábado, 19 de maio de 2007

TERAPIA DE GRUPO


A graça e a melodia de um conjunto
de corpos belos, jovens, ideais,
trocam entre si gestos, sinais
capazes de vencer outras barreiras,
tecem rendas de todas as maneiras
e alcançam vitórias de um amor profundo.

A cada dia procuram o esplendor
de uma utopia que os une,
fazem do jogo o seu melhor perfume
e sentem que são jovens fora e dentro,
construindo a cada momento
a vitória da razão e do amor.

Vão por aí, em caminho pleniluno,
feito de derrotas e vitórias
arquivadas em arco-iris de memórias.
Tentam atingir na terra o paraíso,
colocando em cada gesto o seu sorriso
e farão desta poesia quase tudo.

sexta-feira, 18 de maio de 2007

A ÉPOCA DOS RABOS DE PALHA

Na verdade hoje é muito mais fácil escrever umas crónicas do que há uns anos atrás, uma vez que todos os dias aparecem novos assuntos e cada vez mais interessantes, capazes de nos dar a inspiração que nos falta (quem escreve também tem momentos desinspirados, não é?). E agora lembrei uma análise interessante, que dá que pensar... então não é que quando alguém tem um blogzinho e não comete aquelas barbaridades ortográficas é logo apelidado de jornalista? não, não é assim, ainda há quem escreva sem erros e não seja jornalista nem tenha familiares demasiado cultos. Na verdade, eu sempre gostei de ler desde pequeno, hoje tenho orgulho na minha biblioteca, sou curioso ao ponto de abrir a enciclopédia quando tenho dúvidas, fiz um curso industrial, daqueles que encheram as OGMA de técnicos especializados e a Força Aérea de pilotos aviadores (não foi Antero, Firmino e outros mais?), virei-me para a Educação Física e voltei aos estudos com 30 anos, fiz a licenciatura que gostava, tive a sorte de ter os melhores professores e destaco Noronha Feio, Armando Moreno, Manuel Sérgio, Gomes Pereira, Carlos Queirós, Sobral Leal, Gustavo Pires, Melo Barreiros...
Já esquecia que o meu avô Manuel e o meu pai eram sapateiros e liam o "diário de notícias", o que me leva a pensar (só às vezes) que a ditadura era a dita, mas não tão dura que me obrigasse a ser sapateiro ou manufactor de calçado...
Mas a monarquia continua e com a agravante de não sabermos quem são os marqueses, condes e viscondes que se enfartam com o banquete das "assessorias, consultorias e outras mordomias" do sistema, levando-nos a pensar que só estavam contra o "a bem da nação" porque não podiam sacar tanto quanto desejariam...
Então não é que o vereador do BE, Sá Fernandes, tem 11 (onze) assessores a sacar no seu conjunto 20.800 euros por mês na Câmara de Lisboa? o tal entendido de túneis e outras mariquices que mandou parar a obra do Marquês, porque aquilo caía um dia destes e que agora já não cai, porque ele é que disse como é que se havia de corrigir aquilo?
E os 11 "assessores" serão todos do BE? pelo menos o fotogénico ex-candidato à Presidência da República, Carlos Marques está na lista com 1.500 bojardas para um horário a meio tempo. E eu, professor, proscrito do governo, com 35 anos de serviço, com horário "mais que completo" para ganhar o mesmo, oh Carlinhos...
Só de me lembrar destes BEs, do "amigos dos animais", da "quercus" com os meninos a sacar uns cobres do Ministério do Ambiente" e a dizer que os flamingos da ponte Vasco da Gama morriam por causa da agressão ambiental, com o Nabais a advogar toda a marginalidade que por aí há,sempre que há umas droguinhas a caminho da Holanda, com o Francês de cabelo empastado a aparecer na tv sempre que há bombistas para defender, com as Fundações a mamar do orçamento do estado a que isto chegou... para que lado vou ter de me virar?
Convoquem os bombeiros porque os rabos de palha já ardem antes da época do fogos!

quinta-feira, 17 de maio de 2007

O JOÃO DE DEUS TINHA RAZÃO...

DIA DE ANOS...

Com que então caiu na asneira
De fazer na Quarta-Feira
Cinquenta e Três anos,
que tolo!
Ainda se os desfizesse,
Mas fazê-los não parece
De quem tem muito miolo!

Não sei quem foi que me disse
Que fez a mesma tolice
Aqui o ano passado...
Agora o que vem, aposto,
Como lhe tomou o gosto,
Que faz o mesmo. Coitado!

Não faça tal; porque os anos
Que nos trazem? Desenganos
Que fazem a gente velho:
Faça outra coisa; que, em suma,
Não fazer coisa nenhuma,
Também não lhe aconselho.

Mas anos, não caia nessa!
Olhe que a gente começa
Às vezes por brincadeira,
Mas depois se se habitua,
Já não tem vontade sua,
E fá-los queira ou não queira!

(Adaptação de poema de João de Deus)

ESTRADA

Sobre brasas caminhamos
na estrada em que parecemos voar,
imagens de cinzento a destoar
passam por nós em sentido contrário,
arrefecendo, como corolário,
o calor dos pensamentos que criamos.

Mas nada morrerá, tudo se alcança,
a chama que perdura em cada hora,
forte ou fraca, mas viva embora,
ver-se-á a olho nú, será mais bela,
iluminura de corpos numa tela,
quadro de Matisse onde se dança.

Sentimento é ponto vermelho,
construção de um mundo bem diverso,
arranha-céus dos meus sonhos, universo,
onde se tocam o fantástico e o real
e emerge de um encontro casual,
o único reflexo do meu espelho.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

HOJE É UM DIA MUITO ESPECIAL!!!

Obrigado, obrigado, obrigado!
Foram imensos os emails que me enviaram hoje, 16 de Maio, de tal modo que ainda estou muito sensibilizado com esta onda efusiva de parabéns. É certo que prendas... nada, mas isso foi um compromisso que fiz já lá vão perto de 30 anos, com as pessoas mais próximas, em que ninguém era obrigado a oferecer o que quer que seja no dia em que as pessoas ficavam mais velhas. Achava eu e continuo a achar, que comemorar o facto de uma pessoas ficar mais perto do fim é uma afronta, o sorriso de nos verem mais velhos.
Até aos 15, 20 anos a coisa até parece razoável, mas aos 40? aos 50? aos 60? há lá festa mais palerma? e então aos 100, com o babete no peito e a fralda descartável, com os netos, bisnetos e trinetos a fazerem uma algazarra do caneco, vocês acham piada? o que vale é que nessa altura a audição já quase não existe e o barulho pouco incomoda.
Sabem, eu gosto de comemorar aniversários, mas não é nada do que temos vindo a falar... normalmente lembro-me e comemoro o 5 de janeiro, quando estava à espera de uma miúda e a enfermeira me disse que era um miúdo, o 11 de fevereiro, quando estreei o meu primeiro fato completo, o 16 de fevereiro quando fiquei sem dinheiro e tive de passar 12 dias em lisboa sem um tostão (o alojamento e a comida estavam pagos), a 3ª feira de carnaval (é melhor não dizer porquê), o 11 de julho porque levei a minha filha à primeira consulta médica (ela tinha nascido nessa manhã),o 31 de julho, porque a minha esposa paga sempre o almoço, o 5 de outubro (onde dormi pela primeira vez na casa que construí)...
Ah, mas ia falar dos emails que me mandaram... foi o wayn.com, o hi5.com, o voip.com, a pt.pt, a cgd.pt, o santander.pt, a markteste.pt, a antf.pt, o free-stay.com, a marketscore.com, osamigoseconhecidosonline.pt, etc, etc, etc...
É um fartar vilanagem, que de ano para ano nos enche de orgulho pelo facto de termos nascido, mas... prendas, não! eu sei que assim, não contribuo para o crescimento, assim não passamos dos 2%, assim ninguém realmente se lembra de mim, mas... prendas, não!
Mas para comemorar cada dia, cada semana, cada mês, cada ano que vou vivendo, procurando manter a minha saúde física e mental (eu sei que às vezes os "platinados" já começam a falhar...), fazendo o que me dá prazer (também o trabalho, embora às vezes pareça que não) sim, podem contar comigo, mas prendas... não!

terça-feira, 15 de maio de 2007

CRESCER, CRESCER, CRESCER...

Estou um pouquinho baralhado, nunca fui bom em economia e sempre tive a mania das dúvidas, não daquela metódica que se estuda na filosofia, mas daquela duvidazinha... talvez até por causa das "dúvidas" ou "por via das ditas" como dizia o meu avô...
E tudo porque estes governos, esta malta que andou por aí a dar "vivas à cristina" (ela até era boa, mas não precisava de tanto) e hoje se estabeleceu por nossa conta no poder que abominavam, entende que a sociedade actual é unicamente uma "unidade de produção global" que tem efectivamente de crescer, crescer, crescer... 1%?, 2%?, 5%??? seja o que fôr o crescimento, é fundamental para a felicidade do povo. Ora, eu... duvido. E coloco uma questão simples: quanto é necessário, por quanto tempo e de que maneira a felicidade se alcança em função do crescimento. Tão simples como isto.
Será um jovem "amish" (membro de uma comunidade fundamentalista hebraica) menos feliz, só porque anda de carroça, não tem televisão, telemóvel, computador, bebidas alcoólicas, bares, discotecas, queimas das fitas, máquinas digitais, etc, que poderia possuir, caso a sociedade em que vive tivesse o tal crescimento económico como objectivo quase exclusivo?
Supondo que existem 3 milhões de carros em Portugal e que a população adulta é de cerca de 8 milhões, facilmente chegaremos à conclusão que ainda há mercado para o crescimento de 5 milhões de automóveis. Será que este crescimento, que provavelmente bloquearia todas as estradas deste país, levaria os portugueses a outra e melhor qualidade de vida? ou esse crescimento tem limites e as classes C e D (classes económicamente desfavorecidas) serão obrigadas a andar na Rodoviária Nacional?
Enquanto tivermos esta classe dirigente a olhar a sociedade através de sucessivos crescimentos económicos, a afirmar que tudo está bem porque crescemos 0,01% e a dizer o contrário porque decrescemos 0,01%, não conseguiremos encontrar as coisas boas e, às vezes, baratas que muitas vezes estão à mão de semear, capazes de nos proporcionar uma troca de ideias entre amigos, uma caminhada, uma leitura, uma bricolage lá por casa, enfim, o preenchimento agradável de um tempo que, quer queiram quer não, é igual em todo o mundo e do mesmo tamanho, com crescimento ou sem ele.