sexta-feira, 18 de maio de 2007

A ÉPOCA DOS RABOS DE PALHA

Na verdade hoje é muito mais fácil escrever umas crónicas do que há uns anos atrás, uma vez que todos os dias aparecem novos assuntos e cada vez mais interessantes, capazes de nos dar a inspiração que nos falta (quem escreve também tem momentos desinspirados, não é?). E agora lembrei uma análise interessante, que dá que pensar... então não é que quando alguém tem um blogzinho e não comete aquelas barbaridades ortográficas é logo apelidado de jornalista? não, não é assim, ainda há quem escreva sem erros e não seja jornalista nem tenha familiares demasiado cultos. Na verdade, eu sempre gostei de ler desde pequeno, hoje tenho orgulho na minha biblioteca, sou curioso ao ponto de abrir a enciclopédia quando tenho dúvidas, fiz um curso industrial, daqueles que encheram as OGMA de técnicos especializados e a Força Aérea de pilotos aviadores (não foi Antero, Firmino e outros mais?), virei-me para a Educação Física e voltei aos estudos com 30 anos, fiz a licenciatura que gostava, tive a sorte de ter os melhores professores e destaco Noronha Feio, Armando Moreno, Manuel Sérgio, Gomes Pereira, Carlos Queirós, Sobral Leal, Gustavo Pires, Melo Barreiros...
Já esquecia que o meu avô Manuel e o meu pai eram sapateiros e liam o "diário de notícias", o que me leva a pensar (só às vezes) que a ditadura era a dita, mas não tão dura que me obrigasse a ser sapateiro ou manufactor de calçado...
Mas a monarquia continua e com a agravante de não sabermos quem são os marqueses, condes e viscondes que se enfartam com o banquete das "assessorias, consultorias e outras mordomias" do sistema, levando-nos a pensar que só estavam contra o "a bem da nação" porque não podiam sacar tanto quanto desejariam...
Então não é que o vereador do BE, Sá Fernandes, tem 11 (onze) assessores a sacar no seu conjunto 20.800 euros por mês na Câmara de Lisboa? o tal entendido de túneis e outras mariquices que mandou parar a obra do Marquês, porque aquilo caía um dia destes e que agora já não cai, porque ele é que disse como é que se havia de corrigir aquilo?
E os 11 "assessores" serão todos do BE? pelo menos o fotogénico ex-candidato à Presidência da República, Carlos Marques está na lista com 1.500 bojardas para um horário a meio tempo. E eu, professor, proscrito do governo, com 35 anos de serviço, com horário "mais que completo" para ganhar o mesmo, oh Carlinhos...
Só de me lembrar destes BEs, do "amigos dos animais", da "quercus" com os meninos a sacar uns cobres do Ministério do Ambiente" e a dizer que os flamingos da ponte Vasco da Gama morriam por causa da agressão ambiental, com o Nabais a advogar toda a marginalidade que por aí há,sempre que há umas droguinhas a caminho da Holanda, com o Francês de cabelo empastado a aparecer na tv sempre que há bombistas para defender, com as Fundações a mamar do orçamento do estado a que isto chegou... para que lado vou ter de me virar?
Convoquem os bombeiros porque os rabos de palha já ardem antes da época do fogos!

quinta-feira, 17 de maio de 2007

O JOÃO DE DEUS TINHA RAZÃO...

DIA DE ANOS...

Com que então caiu na asneira
De fazer na Quarta-Feira
Cinquenta e Três anos,
que tolo!
Ainda se os desfizesse,
Mas fazê-los não parece
De quem tem muito miolo!

Não sei quem foi que me disse
Que fez a mesma tolice
Aqui o ano passado...
Agora o que vem, aposto,
Como lhe tomou o gosto,
Que faz o mesmo. Coitado!

Não faça tal; porque os anos
Que nos trazem? Desenganos
Que fazem a gente velho:
Faça outra coisa; que, em suma,
Não fazer coisa nenhuma,
Também não lhe aconselho.

Mas anos, não caia nessa!
Olhe que a gente começa
Às vezes por brincadeira,
Mas depois se se habitua,
Já não tem vontade sua,
E fá-los queira ou não queira!

(Adaptação de poema de João de Deus)

ESTRADA

Sobre brasas caminhamos
na estrada em que parecemos voar,
imagens de cinzento a destoar
passam por nós em sentido contrário,
arrefecendo, como corolário,
o calor dos pensamentos que criamos.

Mas nada morrerá, tudo se alcança,
a chama que perdura em cada hora,
forte ou fraca, mas viva embora,
ver-se-á a olho nú, será mais bela,
iluminura de corpos numa tela,
quadro de Matisse onde se dança.

Sentimento é ponto vermelho,
construção de um mundo bem diverso,
arranha-céus dos meus sonhos, universo,
onde se tocam o fantástico e o real
e emerge de um encontro casual,
o único reflexo do meu espelho.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

HOJE É UM DIA MUITO ESPECIAL!!!

Obrigado, obrigado, obrigado!
Foram imensos os emails que me enviaram hoje, 16 de Maio, de tal modo que ainda estou muito sensibilizado com esta onda efusiva de parabéns. É certo que prendas... nada, mas isso foi um compromisso que fiz já lá vão perto de 30 anos, com as pessoas mais próximas, em que ninguém era obrigado a oferecer o que quer que seja no dia em que as pessoas ficavam mais velhas. Achava eu e continuo a achar, que comemorar o facto de uma pessoas ficar mais perto do fim é uma afronta, o sorriso de nos verem mais velhos.
Até aos 15, 20 anos a coisa até parece razoável, mas aos 40? aos 50? aos 60? há lá festa mais palerma? e então aos 100, com o babete no peito e a fralda descartável, com os netos, bisnetos e trinetos a fazerem uma algazarra do caneco, vocês acham piada? o que vale é que nessa altura a audição já quase não existe e o barulho pouco incomoda.
Sabem, eu gosto de comemorar aniversários, mas não é nada do que temos vindo a falar... normalmente lembro-me e comemoro o 5 de janeiro, quando estava à espera de uma miúda e a enfermeira me disse que era um miúdo, o 11 de fevereiro, quando estreei o meu primeiro fato completo, o 16 de fevereiro quando fiquei sem dinheiro e tive de passar 12 dias em lisboa sem um tostão (o alojamento e a comida estavam pagos), a 3ª feira de carnaval (é melhor não dizer porquê), o 11 de julho porque levei a minha filha à primeira consulta médica (ela tinha nascido nessa manhã),o 31 de julho, porque a minha esposa paga sempre o almoço, o 5 de outubro (onde dormi pela primeira vez na casa que construí)...
Ah, mas ia falar dos emails que me mandaram... foi o wayn.com, o hi5.com, o voip.com, a pt.pt, a cgd.pt, o santander.pt, a markteste.pt, a antf.pt, o free-stay.com, a marketscore.com, osamigoseconhecidosonline.pt, etc, etc, etc...
É um fartar vilanagem, que de ano para ano nos enche de orgulho pelo facto de termos nascido, mas... prendas, não! eu sei que assim, não contribuo para o crescimento, assim não passamos dos 2%, assim ninguém realmente se lembra de mim, mas... prendas, não!
Mas para comemorar cada dia, cada semana, cada mês, cada ano que vou vivendo, procurando manter a minha saúde física e mental (eu sei que às vezes os "platinados" já começam a falhar...), fazendo o que me dá prazer (também o trabalho, embora às vezes pareça que não) sim, podem contar comigo, mas prendas... não!

terça-feira, 15 de maio de 2007

CRESCER, CRESCER, CRESCER...

Estou um pouquinho baralhado, nunca fui bom em economia e sempre tive a mania das dúvidas, não daquela metódica que se estuda na filosofia, mas daquela duvidazinha... talvez até por causa das "dúvidas" ou "por via das ditas" como dizia o meu avô...
E tudo porque estes governos, esta malta que andou por aí a dar "vivas à cristina" (ela até era boa, mas não precisava de tanto) e hoje se estabeleceu por nossa conta no poder que abominavam, entende que a sociedade actual é unicamente uma "unidade de produção global" que tem efectivamente de crescer, crescer, crescer... 1%?, 2%?, 5%??? seja o que fôr o crescimento, é fundamental para a felicidade do povo. Ora, eu... duvido. E coloco uma questão simples: quanto é necessário, por quanto tempo e de que maneira a felicidade se alcança em função do crescimento. Tão simples como isto.
Será um jovem "amish" (membro de uma comunidade fundamentalista hebraica) menos feliz, só porque anda de carroça, não tem televisão, telemóvel, computador, bebidas alcoólicas, bares, discotecas, queimas das fitas, máquinas digitais, etc, que poderia possuir, caso a sociedade em que vive tivesse o tal crescimento económico como objectivo quase exclusivo?
Supondo que existem 3 milhões de carros em Portugal e que a população adulta é de cerca de 8 milhões, facilmente chegaremos à conclusão que ainda há mercado para o crescimento de 5 milhões de automóveis. Será que este crescimento, que provavelmente bloquearia todas as estradas deste país, levaria os portugueses a outra e melhor qualidade de vida? ou esse crescimento tem limites e as classes C e D (classes económicamente desfavorecidas) serão obrigadas a andar na Rodoviária Nacional?
Enquanto tivermos esta classe dirigente a olhar a sociedade através de sucessivos crescimentos económicos, a afirmar que tudo está bem porque crescemos 0,01% e a dizer o contrário porque decrescemos 0,01%, não conseguiremos encontrar as coisas boas e, às vezes, baratas que muitas vezes estão à mão de semear, capazes de nos proporcionar uma troca de ideias entre amigos, uma caminhada, uma leitura, uma bricolage lá por casa, enfim, o preenchimento agradável de um tempo que, quer queiram quer não, é igual em todo o mundo e do mesmo tamanho, com crescimento ou sem ele.

segunda-feira, 14 de maio de 2007

UMA MEMÓRIA DE LUZ...

Uma memória de luz ou pequena dissertação sobre a Primavera



Uma tarde estava eu na Ilha de Murano
A ver o esplendor do fogo das forjas
De onde saem peixes, relógios e cavalos
Quando me lembrei da força da terra
Não da terra propriamente dita, o planeta
Mas a terra de onde viemos e nos espera

Terá sido porque tinha estado em Burano
E no caminho vi o cemitério de Veneza
Cruzando a força das rendas das mulheres
E das redes dos pescadores dessa laguna
Com a fragilidade das flores mais secas
Sobre as pedras com as datas e os nomes

Lembrei-me mais da Primavera nesse lugar
Onde a terra era tão escassa e o mar imenso
No sono dos pequenos barcos no nevoeiro
No sossego interrompido pelos navios de luxo
Que descem o Adriático ao som da música
Mais fria, pobre e triste que se pode imaginar

Lembrei-me mais do cortejo do trem do cuco
Quando as coisas mais velhas e mais feias
Enchiam todos os carros de bois em desfile
Por entre os risos dos homens de barrete
E a desaprovação das mulheres velhas à porta
Porque havia ali coisas ainda boas de servir

Lembrei-me mais das fogueiras antigas
Nessas noites de cortejo no nosso Largo
Onde o Pelourinho é memória de justiça
E os rapazes mais velhos não deixavam
Que os pequenos saltassem a fogueira
Porque tudo tem o seu tempo na vida

Lembrei-me mais da nossa primeira festa
Que era sempre no Domingo de Pascoela
No Lugar da Granja Nova onde eu ia a pé
E o primeiro arroz de ervilhas da minha avó
Com o coelho do meu avô e dos meus tios
Era comido pelos músicos à beira do rio

Lembrei-me das nossas procissões à tarde
Quando eu segurava a naveta do incenso
E o turíbulo tinha brasas da nossa lareira
Que o meu tio ia buscar sempre a correr
Porque tinha o casaco de músico para vestir
Tocava trompete e fazia falta na filarmónica

Lembrei-me mais das festas de arraial
As gasosas a subirem do poço num cesto
A frescura nada tem a ver com frigorífico
Quando o vinho tinto amolecia as cavacas
E só assim o menino que era eu as comia
A olhar o coreto rodeado de sol e de pó

Lembrei-me mais de eu ser tão pequeno
E toda a gente na família me dizia
Para me levantar cedo e eu falhava
Não sejas lapão não deixes entrar o Maio
Repreendia a minha avó todos os anos
Sem nunca me explicar esta sua fala

Lembrei-me mais de ir ao Vale de Água
Para trazer os vários ramos da Primavera
Para nós, para a Tia Velha, para a Ti Zabel
Será por isso que ainda hoje no Chiado
Há quem venda estes ramos a alto preço
E um vai logo para o meu neto em Londres

Será isso hoje a Primavera possível
Um ramo num envelope almofadado
Ingénua maneira de prolongar o tempo
Que flutua numa memória qualificada
Mas não existe na verdade no campo
Onde se vive o esplendor dos pesticidas

Afinal nem tudo se perdeu, nem tudo caiu
Como eu não percebia as falas da minha avó
O meu neto vai demorar a perceber o ramo
Que ele possa chegar ao Outono como eu
Com o fogo da Primavera no seu olhar
E uma memória de luz onde tudo continua

José do Carmo Francisco

(O José do Carmo Francisco é um conterrâneo meu, amigo, cronista, jornalista, escritor, poeta - com um Prémio Revelação da Associação Portuguesa de Escritores, que homenageio no meu blog. A Granja Nova, a terra da minha mãe, continua a fazer parte do nosso imaginário comum. Obrigado José do Carmo!)

RECONSTRUÇÃO


Procuro recuperar a todo o custo,
por troca de mal passados tempos,
onde o que dizia eram apenas lamentos
de não ter, enfim, todos os meios,
a certeza de não ter receios
porque ser jovem é sentir que se é justo.

Pensando liso como uma bola, o universo,
sem altos nem baixos, nem tornados,
construí meu sonhado jogo de dados,
onde algumas peças sobraram por defeito,
originando um fino túnel no meu peito,
no puzzle que juntei e vi disperso.

Tento voltar a mim, queira ou não queira,
a estrada que percorri em passo certo
indicava apenas o deserto,
deixando nas várias margens do meu rio,
destroços de um tempo ainda frio
ao qual faltou a chama da fogueira.

Mas nada é tão frágil e emotivo
como o tempo que em cada dia se renova,
colocando aos sentimentos a dura prova
de saber testar a eterna confusão,
salpicada do que é bom, ou do que não,
mantendo esse momento sempre vivo.

Contrariando a norma, o que deve ser,
tentaremos a felicidade bem desperta,
longe ou perto, iremos na via certa
e juntos construiremos nosso bem,
com mil à nossa volta, ou sem ninguém,
sorriremos até no escuro, sem temer.

domingo, 13 de maio de 2007

O MAIS DIFÍCIL É O TÍTULO!


Não, não estou a referir-me ao título, áquele que muita gente está a seguir na tv, porto, sporting ou benfica, nesta tarde fresquinha de Domingo, mas apenas à dificuldade que encontrei para dar um título a esta crónica. Mais difícil ainda, centrar-me num emaranhado de temas que tenho focado durante estas horas de folga. Nem queiram saber os tópicos, ele era o 13 de maio, o futebol nos seus aspectos mais caricatos (e os jornalistas a ajudar à festa, com não-notícias), a senhora de 70 anos que vai ser julgada por se apoderar de um creme facial num hipermercado, no valor de 3,99€ (devia estar em promoção), a madeleine que estava no local errado, na hora errada (não me lembro de deixar os meus filhos sozinhos para ir fosse onde fosse...), enfim... temas interessantes não me faltavam, mas surgiu-me um email de última hora, enviado pelo meu amigo Miguel e tudo se alterou. A crónica tem outra titular, uma jovem de 20 anos, de seu nome Cláudia Miranda, que ainda não tem idade para ter um qualquer curso (talvez só nadadora-salvadora e acho que são só 4 semanas de curso), mas que conseguiu apresentar um currículum tal, que foi nomeada administradora do Centro Hospitalar de Bragança, com um vencimento de 3.000,00€ mensais.
Dizem as más línguas que à Cláudia (eu até já a estou a ver, loira, de olhos azuis, 1,75m de altura e 63 kgs de peso, 90-86-90 e charmosa, claro... ) também disponibilizaram automóvel, despesas de representação e telemóvel. O email ainda refere que a jovem namora o presidente da JS de Bragança, o que lhe augura uma vidinha de sucesso e bem estar, pelo menos de 4 em 4 anos, porque o colega da JSD também namora e está à espera que isto mude.
Não sei porquê recordei-me agora do Carlos Queirós se não tivesse tirado o curso, ou da Fátima Campos Ferreira sem estudos... mas este publicitários sempre foram uns exagerados! Perfeita, perfeita é a Cláudia Miranda sem estudos!
Não deixo de pensar que estava aqui agora uma miúda de 26 anos, ao meu lado, muito gira, a fazer as malas para ir para Lisboa, que acabou os seus estudos, entra de manhã cedo na empresa e não sabe quando sai ao fim do dia, tem de se orientar com 800,00€ de recibos verdes e, teimosa, não se quer inscrever na JS ou na JSD...
Afinal Cláudia Miranda, tu és a luz dos nossos jovens, qual Virgem Maria que nos abres os horizontes de esperança, tal qual também a nossa "Cristiana Ronalda" dos Centros Hospitalares, tal qualmente a imagem do sucesso por que anseiam as milhares de caixas dos hipermercados... com estudos.
E eu que podia ter começado a colar uns cartazes do "bloco central"a seguir ao 25 de Abril, tive a peregrina ideia de querer ser professor...
Na verdade, o "anónimo" do comentário parece estar dentro do assunto, a jovem tem mais de 20 anos (eu também desconfiava... 25, 30, 35? pouco importa) e com um quase doutoramento, o que lhe dá legitimidade para ser nomeada. E foi nomeada por isso? aí... o nosso amigo "anónimo" não esclarece. Namora o presidente da JS de Bragança? também não esclarece. Já trabalhou anteriormente e desenvolveu trabalho que suporte 3.000 mocas por mês, carro, telemóvel e outras mordomias? não esclarece.Infelizmente, temos no PS casos brilhantes de Antónios Seguros, Apolinários e outros tais que fora da JS e do PS nunca tinham feito nada e hoje são brilhantes profissionais da "coisa"... e os pseudo-jornalistas invejosos é que são os maus da fita.

sábado, 12 de maio de 2007

FLASH


Numa sexta-feira de sol e de memória,
na nostalgia de momentos de criança,
veio até mim aquela lembrança...
aquele jogo... os craques de costas voltadas,
esperando o toque delicado das palmadas,
sorrindo, olhos nos olhos, em caso de vitória.

Eram combates cheios de encanto
com os meninos, que hoje eram de rua,
mas que não conheciam a lua...
tinham de se deitar ainda cedo
por causa do velho que metia medo,
como dizia a mãe, no entretanto.

Depois foram procurar o mundo "novo",
lutando por um dia de sucesso,
esquecendo o bem imenso
do amor e da paixão plena,
fazendo de tudo isso uma faena,
matando, se necessário, o nosso jogo!

sexta-feira, 11 de maio de 2007

INCOMPATIBILIDADES...


Ao longo de 35 anos, que são os que levo de trabalho mais ou menos pedagógico com os jovens, tenho tido o cuidado de olhar toda essa dinâmica que envolve o processo ensino-aprendizagem e o desenvolvimento social, desportivo e cultural desta malta, a quem vamos transmitindo conhecimentos e referências que, penso, os ajudarão a construir a sua própria "casa".

Costumo dizer aos meus alunos que não espero deles, como professor de educação física, atletas de alta competição, porque isso é privilégio de uma minoria que na idade deles já tem vários anos de uma prática intensa, numa qualquer modalidade, mas espero sim que saiam da escola com uma gama de atitudes e comportamentos que os distinga dos marginais que encontramos nesses estádios e pavilhões insultando tudo e todos, organizando-se em gangs com objectivos distintos do normal adepto ou praticante desportivo.

Alguns tomam durante as aulas comportamentos nada adequados e, porque sabem que também fui jogador e treinador de futebol, ficam admirados quando lhes digo alto e bom som que "não quero atitudes do coice-bol" nas aulas de educação física.

- atitudes do "coice-bol", professor?

- sim, aquelas atitudes que vocês costumam ver dentro e fora dos estádios, quando ligam a TV para ver um jogo de futebol, com jogadores batoteiros a rebolar no chão sem que ninguém lhes toque e claques de matarruanos a gritar "filho da puta" quando o guarda-redes bate um pontapé de baliza.

O grave da questão é que a generalidade destes meninos das claques andaram na escola e muitos deles frequentam universidades, da mais "católica" à mais "independente". Alguns deles serão deputados, ministros e presidentes.

Afinal, eu hoje só queria tentar perceber a incompatibilidade entre a proximidade do portão de entrada da minha escola e os canteiros de árvores vazios que a ladeiam... é que quanto mais nos afastamos da entrada da escola, maiores e mais bonitos estão os plátanos que dão sombra ao espaço envolvente. Mas nos quatro canteiros da entrada, onde se juntam os futuros membros das claques do "coice-bol", a fumar e a dizer baboseiras, nem uma árvore de betão lá cresce.

Um dia vou fazer um mestrado sobre tudo isso...