sexta-feira, 27 de abril de 2007

NÃO HÁ NADA COMO REALMENTE!

Sempre me pareceu que com o advento (esta soa-me bem) da informática e dos chats, blogs, foruns, emails e outros que tais, o pessoal começaria a esgrimir os seus argumentos com clareza e todos nós, que gostamos de escrever e ler, iriamos ficar um pouco mais cultos, quanto mais não fosse pela variedade de comentários que todos os dias nos chegam por estas vias. Ainda por cima, pensava eu que esta coisa da informática ainda não estava tão proletarizada, o que inviabilizava o acesso das classes mais desfavorecidas económica e culturalmente a estas modernices. Puro engano. A burrice globalizou-se e está presente em todos os quadrantes e classses sociais, sendo que a profissão de revisor ainda irá fazer sucesso dentro de algum tempo. É ver as classes mais elevadas economicamente (e só isso) a contratar revisores para lhes corrigirem os livros que vão escrevendo e publicitando na "Caras", para além de uns discursos que terão necessidade de soletrar quando fizerem alguma inauguraçãozita (se Jardim se limitasse a ler uns discursos escritos, talvez não dissesse tanta asneira... mas o homem é assim mesmo e a malta gosta).
As barbaridades são, eu ia dizer diárias, mas acho melhor dizer horárias, as biqueiradas nas coxas das palavras são uma realidade atroz, de meter medo e eu, um simples professor de educação física, mais rotinado noutros movimentos, fico bué de irritado com o cenário (está moderno, não?).
Isto tudo a propósito de um novíssimo "sindicato dos professores com mestrado e doutoramento", que se deu a conhecer na minha escola com um panfleto espectacular. Dizia o presidente do sindicato dos mestres e doutores (SINPOS ou SINOPS, já não recordo) que todos os sindicatos de professores fazem tábua rasa de todos os professores, nivelando por baixo e esquecendo os mais qualificados (mestres e doutores). No final, acabava em beleza:
"SE TEM ALGUMA DÚVIDA, NÃO EXITE. VENHA AO NOSSO SINDICATO"
Claro que não hesitei... é melhor não frequentar nenhum mestrado nos tempos mais próximos. Posso apanhar com um destes "exitantes" pela frente e depois fico cheio de dúvidas.

SER OU NÃO SER... A QUESTÃO É OUTRA.

É ou não licenciado
quem se governa a valer
d`um povo mal preparado,
que tanto, assim é lixado
pela máfia do poder.

De prenúncios duvidosos
tem medíocres as bases,
mas lê discursos pomposos,
na essência vaporosos,
da peste, dos piores gases.

Por isto, vão os meus brados!
não nos volte antigamente
com estes santos, louvados
por milhares de desgraçados
sem dignidade de gente.

3/Abril/2007
Rafael Carvalho de Castro
(Funcionário Público,
auxiliar de serviços gerais,
pouco mais que o salário mínimo)

quinta-feira, 26 de abril de 2007

ALTOS COMISSÁRIOS OU COMISSÁRIOS ALTOS...




As Nações Unidas, uma organização mundial, sobre a qual não ponho as mãos no lume (lembro-me da estória do boi de churrasco...), assim como não ponho as mãos no lume, nunca. Uma coisa que não queria era ter as mãos queimadas, que além de fazer muito doer, creio, ainda acabavam por ficar inestéticas e está provado que as mulheres olham muito as mãos dos homens, não sei porquê mas desconfio. Bem, mas era das Nações Unidas... agora veio-me à memória a "artistas unidos", a pensão "corações unidos", os casamentos da Lux "para sempre unidos" (há uma que já vai nos três casamentos unidos...). Caramba, estou sempre a perder o rasto a esse pessoal das Nações Unidas, sempre com maiúsculas para que não haja confusões... mas eu só queria dizer que ouvi hoje na abertura do telejornal que Jorge Sampaio tinha sido nomeado para Alto Comissário das Nações Unidas para... as Civilizações! C`um caneco, olha que essa das Civilizações é obra, é claro que o homem até é civilizado (quê? não tem nada a ver? pois...).

Ah, tem a ver com essa estratégia do diálogo entre civilizações... estou a ver... mas não seria melhor nomear o Figo? logicamente ele agora vai para a Arábia Saudita... e o Rui Costa ia para Roma (a civilização romana não é?). Eh pá (esta é do nosso ex-presidente, ele ainda não se esqueceu da linguagem do MES) se tem de ser o Sampaio, que seja. Afinal já lá tínhamos o Guterres a dar refúgio aos refugiados (aquelas tendas ordinárias não podiam ser melhoradas? bem piores que as da "semana de campo"...). Boa dupla, mas acho que nós funcionamos sempre melhor com quartetos (o "1111", as "doce", o da avenida de roma) portanto já sabem, se faltar um... e já me esquecia, a partir de agora acho que devemos usar a terminologia dos jornalistas desportivos... o chelsea de mourinho, o manchester de cristiano ronaldo, o barcelona de deco, o comissariado (alto, claro) dos refugiados de guterres e o comissariado (alto, também) das civilizações de sampaio!

E diziam que os portugueses são fraquinhos e pequeninos...

quarta-feira, 25 de abril de 2007

ETERNIDADE

No plano liso do teu mundo
onde colocas todos os teus desejos,
despes a máscara do profundo
e recebes o encanto de mil beijos.

Serás sempre a pedra branca e lisa
que colocarei em meu altar
onde, com o livro aberto darei missa
de dois corpos prontos para amar.

O que fôr será eterno, certamente,
até que num momento decisivo
alguém nos confronte e nos lamente,
esquecendo nosso amor sempre vivido.

A eternidade é mais do que pensamos,
é o escuro que fica além do nada,
o tempo total em que juramos
a felicidade entretanto conquistada!

terça-feira, 24 de abril de 2007

O TEMPO NÃO EXISTE!

Afirmar que o tempo não existe, pode ser considerado até um daqueles sketchs dos "gatos", só para provocar uns sorrisos e concluirmos da ignorância de quem o diz, mas não vou ser tão taxativo. O tempo é um vácuo, com dimensões diferentes, sem dimensão nenhuma, ou de infinita dimensão, como que um buraco negro, que cada um preenche a seu bel prazer ou sem prazer nenhum, conforme nos conseguimos ou não libertar...
O tempo é uma construção do homem, uma forma que alguém inventou para nos escravizar. E como construção do homem não é uma verdade absoluta e se não pode ser verdade absoluta, podem deixar-me entender que será uma relativa mentira...
É, o "tempo" (o que dizem existir) apenas nos condiciona, nos transforma e nos mata. Condiciona porque nos obriga a trabalhar quando está bom tempo e a descansar quando está mau tempo. Transforma porque começamos a ficar com cabelos brancos e nem demos pelo tempo passar. Mata-nos porque quando morremos com mais de 90 anos, todos dizem que "já não era sem tempo". É tempo de preenchermos bem aqueles espaços de "tempo". Ok, há sempre gente que "não tem tempo nenhum", assim como quem "não tem dinheiro nenhum"... mas aqui há uma diferença substancial, ou talvez não, porque os americanos costumam dizer que "time is money"... mas não conseguem cotá-lo na bolsa. Embora digam que o trabalhador recebe à hora, para justificarem a existência do tempo, ele recebe pelo trabalho que executa e todos sabem que meia hora de trabalho é uma hora de facturação...
E quando um amigo se reforma e nos diz que "agora tenho todo o tempo do mundo" e fica com menos dinheiro no fim do mês, estará a querer dizer que o tempo é inversamente proporcional ao nosso dinheiro? poderemos concluir que um gajo rico não tem tempo nenhum? mas isso só vem confirmar que se o tempo existisse, qualquer rico também tinha, não é? logo...
A propósito, que horas são?

O CÉU EXISTE, SIM!

A lua te recordará
a branca noite
em que ela se despiu
e vermelha
se fez cumplice
do nosso amor.

O rio te lembrará
nosso costume
de caminhar nas tardes
até o horizonte,
pois que o rio
também é cumplice
dos namorados distantes.

E quando vires, amor,
num vão de céu
uma estrela
tu não chorarás
porque, então,
aprenderás o meu caminho.

MCR

("há-de brilhar, uma estrela no céu, cada vez que ocê chorar")
"Quanta"
Gilberto Gil

segunda-feira, 23 de abril de 2007

BARREIRAS...


Sinto
que oiço lengo-lengo
misturado na rotina,
perdido por um lamento,
achado como um tormento,
coca, ópio, heroína...

Penso
que há coisa melhor
para dar calor à vida...
paz, cultura, muito amor
que faça esquecer a dor,
renove a paixão perdida.

Minto
quando digo que gosto
do que mais nada me diz...
em muitas coisas aposto,
noutras ajo a contragosto,
mas... só quero ser feliz!

domingo, 22 de abril de 2007

QUANTO MAIS SE MEXE...

- Olha, meu amigo, já o meu avô dizia que "quanto mais se mexe na porcaria, pior ela cheira" e salvo um ou outro ditado popular, a conclusão é essa mesma, quase diria que a "conclusão é conclusiva".
- Mas nós estavamos a falar daquela treta das comemorações pró e anti salazarentas, que irão ocorrer quando o homem fizer anos...
- Então o Salazar ainda faz anos?
- Faz anos que nasceu, faz anos que governou, faz anos que caiu da cadeira, faz anos que mandou meter pessoal na cadeia (alguns, se calhar...) e faz anos que morreu... agora é só escolher a data que dá mais jeito e ala na excursão dar "vivas à Cristina".
- E estamos a falar disso, porque a TV noticiou que dois grupos de "matarruanos", se preparavam para promover uma "dialética" junto à cova de Salazar...
- Então se não noticiasse, achavas que nem uns nem outros lá iam?
- Provavelmente... mas não os acho tão inteligentes assim. Talvez fossem, mas quando reparassem que não havia TV, bebiam umas cervejas, urravam um pouco e desapareciam com o rabo entre as pernas.
- Não acho que fosse tão simples como tu dizes...
- Não? é porque não te lembras dos toiros de Barrancos... enquanto lá foi a TV eram 20.000 e agora são os da terra e pouco mais.
- E em Santa Comba não estão todos a caminho do cemitério?
- Já faltam poucos... liga aí a televisão, para ver as notícias do Salazar.

sábado, 21 de abril de 2007

ESP(H)ERANÇA


Na maré cheia de novas descobertas,
por entre o exercício de geometria,
contornando os medos, com alegria
vi aquele belo rosto de menina,
como oásis em areia fina,
pintando lindas imagens, despertas.

Esta maré, nada a fará parar
e as ondas que a vida nos reserva,
far-te-ão forte, e muito certa
a escolha que farás em cada hora,
construindo com muita luta, embora,
o universo que desejas para amar.

E um dia, olhando o que vivido
nos deu aquilo que somos,
químico do que sempre fomos,
poderás sentir sem medo algum,
em todos os lados e nenhum
o fruto de um amor adquirido.

PALAVRAS

Palavras... oceano de letras que se une
e em cada onda se desfaz.
Dizem o que dizem, valem o que valem...
assim como explicar o mundo, a guerra, a paz,
a solidão, o amor, a felicidade,
com sinais que no silêncio se evadem.